Com 79,5% dos novos negócios formados por MEIs, cresce demanda por coworkings e espaços de convivência
COW Coworking, rede de espaços flexíveis, registra predominância de operações enxutas em sua base e vê crescer a procura por espaços que combinem estrutura, networking e convivência fora do home office
O avanço das chamadas OPCs (one person company) empresas operadas por uma única pessoa, já começa a aparecer também na ocupação dos escritórios flexíveis. Impulsionado pela digitalização e, mais recentemente, pelo uso crescente de inteligência artificial, esse modelo permite que profissionais toquem seus negócios sozinhos, com estruturas mais enxutas e menor custo fixo. No COW Coworking, cerca de 70% da base de clientes é formada por PMEs, em um movimento que reflete essa transformação mais ampla do mercado de trabalho e ajuda a explicar por que o coworking passou a se tornar um ambiente ideal para operações leves, flexíveis e menos isoladas.
Fora do Brasil, os dados ajudam a dimensionar a escala desse movimento. Nos Estados Unidos, existiam 29,8 milhões de nonemployer businesses (empresas sem funcionários) que somaram US$ 1,7 trilhão em receitas em 2022, segundo o U.S. Census Bureau. No Brasil, a tendência segue na mesma direção: apenas no primeiro bimestre de 2026, foram abertos mais de 1,033 milhão de pequenos negócios, sendo 79,5% registrados como microempreendedores individuais (MEIs), de acordo com levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal.
Parte desse avanço também está ligada ao uso crescente de tecnologias que permitem operar com estruturas cada vez menores. A digitalização dos processos, o acesso a ferramentas mais baratas e, mais recentemente, o avanço da inteligência artificial passaram a permitir que profissionais executem sozinhos tarefas que antes exigiam apoio de equipe, prestadores ou uma operação mais robusta. Esse movimento ajuda a consolidar o fenômeno das OPCs, em que uma única pessoa concentra funções de operação, gestão, atendimento e crescimento do negócio, e reforça a busca por espaços como o coworking, que oferecem estrutura pronta, flexibilidade e convivência profissional sem exigir uma operação tradicional.
O tema foi um dos eixos recentes da cobertura sobre trabalho e tecnologia e também apareceu nas discussões do SXSW 2026, cuja programação incluiu sessões sobre o futuro do trabalho e o papel humano em uma economia cada vez mais automatizada. Em leituras recentes do festival, o foco deixou de ser apenas a eficiência da IA e passou a incluir seus efeitos sobre vínculos, rotina e experiência profissional.
Renato Auriemo, fundador da COW, diz que a procura por coworkings por esse perfil de cliente vai além da busca por uma mesa ou endereço comercial. “O profissional solo quer liberdade para tocar a operação sem assumir uma estrutura pesada, mas também não quer passar o dia inteiro isolado em casa. O coworking virou uma forma de juntar praticidade com convivência, e isso faz diferença para quem está construindo negócio sozinho”, afirma.
A lógica econômica ajuda a sustentar essa procura. Modelos como day pass, salas de reunião sob demanda e uma única fatura reduzem a burocracia e evitam compromissos fixos mais pesados antes da consolidação da operação. Em vez de assumir aluguel, montagem de escritório e custos complementares, o empreendedor passa a contratar estrutura conforme a necessidade, preservando caixa e foco no crescimento.
O apelo, porém, não é apenas financeiro. Uma das contradições do trabalho solo é que a mesma tecnologia que permite operar sozinho também pode aprofundar o isolamento. Pesquisa da Gallup mostrou em 2025 que profissionais totalmente remotos relatam mais estresse, tristeza, solidão e desgaste emocional do que trabalhadores em modelos híbridos ou presenciais. A discussão ganhou força também fora dos relatórios corporativos: textos recentes passaram a tratar a solidão profissional como um dos custos menos visíveis da autonomia extrema.
É nesse ponto que os escritórios flexíveis voltam a ganhar densidade na cobertura sobre trabalho. Mais do que uma alternativa ao home office, esses ambientes passaram a ser vistos como espaços de circulação, troca e construção de relacionamento profissional. Auriemo afirma que boa parte do valor percebido hoje está justamente nessa camada menos formal. “Muitas oportunidades surgem em conversas simples, em trocas entre pessoas que estão vivendo desafios parecidos. O profissional independente busca eficiência, mas também busca repertório, conexão e um ambiente menos solitário”, diz.
O pano de fundo favorece esse reposicionamento. O mercado brasileiro de coworkings alcançou 3.886 espaços em 2025, uma alta de 30% em relação ao ano anterior, segundo o Censo Coworking 2025. A expansão sugere que, paralelamente ao crescimento das operações enxutas, também cresce a demanda por modelos de ocupação mais flexíveis e socialmente menos isolados.
A tendência de empresas formadas por uma ou duas pessoas tende a se intensificar nos próximos anos justamente porque a inteligência artificial amplia a capacidade produtiva de operações muito pequenas. Quanto mais essas ferramentas permitirem que profissionais concentrem funções, automatizem rotinas e mantenham o negócio de pé com estruturas mínimas, maior tende a ser a busca por espaços que ofereçam presença, rede de contatos e interação cotidiana como contrapeso à autonomia digital.
Sobre o COW
O COW coworking oferece soluções flexíveis para empresas de diferentes portes, reunindo, salas privativas, salas de reunião, auditório, espaços para eventos e serviços de endereço fiscal, além de mesas compartilhadas. Com atuação focada em ambientes corporativos completos, o COW combina infraestrutura profissional e gestão de espaços com uma proposta de comunidade, priorizando atendimento próximo, integração entre empresas e a criação de ambientes que estimulam colaboração e desenvolvimento dos negócios.

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