Além das academias: estudo do mercado fitness ignora crescimento da atividade física fora dos centros tradicionais
O recém divulgado Panorama Setorial Fitness Brasil 2025 reforça o forte crescimento do número de academias e centros de atividades físicas no país, mas também expõe uma lacuna importante no entendimento sobre como o brasileiro realmente se movimenta. Embora o documento apresente dados valiosos sobre a expansão de CNPJs e o desempenho de academias, especialistas apontam que o estudo, realizado com apoio de uma fabricante de equipamentos para academias, reflete apenas uma parte do ecossistema de atividade física no Brasil.
Com a pandemia e a popularização das rotinas híbridas, a prática de exercícios extrapolou as paredes das academias e ganhou novos formatos, como treinos em casa, aulas por aplicativo, exercícios ao ar livre, programas digitais guiados e uso de tecnologia como inteligência artificial. Esses movimentos, que transformaram o comportamento de milhões de brasileiros, não aparecem representados no relatório, que se concentra exclusivamente no ambiente de centros formais.
“O estudo é importante para compreender o mercado de academias, mas ele não representa todo o comportamento do brasileiro em relação ao movimento. Houve uma expansão significativa da prática física fora dos centros tradicionais, algo que o relatório não capta”, comentam especialistas do setor.
Um país que se exercita além das quatro paredes
Embora o número de academias tenha crescido de forma consistente nos últimos anos, indicadores de saúde pública mostram que o sedentarismo permanece elevado. Para empresas de tecnologia voltadas ao bem-estar, isso revela um ponto cego, o brasileiro quer e precisa se exercitar, mas nem sempre consegue manter uma rotina em academias, seja por distância, falta de tempo, custo ou superlotação.
Segundo novos players do segmento, a ascensão de soluções digitais democratizou o acesso à atividade física, permitindo que as pessoas se exercitem no momento em que podem, no espaço que têm e com a estrutura disponível. A tendência acompanha movimentos globais, o home fitness é hoje uma das categorias que mais cresce no mundo, impulsionada por treinos curtos, orientação virtual e conveniência.
“Tecnologia, quando bem aplicada, amplia o acesso, remove barreiras e cria continuidade. É assim que se transforma hábito em rotina”, afirma o CEO da ZiYou, Marcio Kunruian.
Hibridização e tecnologia: o que falta medir
Apesar de o relatório destacar temas como expansão geográfica e operação das academias, ele não aborda a transformação mais profunda em curso, a integração entre tecnologia, rotina doméstica e atividade física. Experiências híbridas, que combinam treino em casa e academia, já são realidade no Brasil e em diversos mercados internacionais.
“O futuro da atividade física é híbrido e conectado. As academias continuam relevantes, mas não são mais o único ponto de contato entre as pessoas e o exercício. O estudo mapeia o mercado, mas não mapeia o comportamento”, reforçam executivos do setor.
O uso de aplicativos, programas personalizados, equipamentos cardiovasculares domésticos e inteligência artificial para acompanhamento de rotina cresceu significativamente após 2020 e permanece em trajetória ascendente. Essa mudança ampliou o público praticante, especialmente entre pessoas que antes não se viam representadas no ambiente de academia.
“O futuro da atividade física é híbrido, conectado e orientado por dados. Academias continuam sendo relevantes, mas deixam de ser o único ponto de contato entre as pessoas e o exercício”, reforça o CEO.
O que o mercado precisa considerar a partir de agora
A discussão levantada pelo estudo abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre o futuro do fitness no Brasil. Se a maior parte das pessoas deseja praticidade, orientação e continuidade, modelos exclusivamente presenciais podem não acompanhar a velocidade do comportamento real do usuário.
Empresas de tecnologia voltadas ao bem-estar destacam três pilares que moldarão os próximos anos da indústria.
Conveniência acima de infraestrutura, o treino precisa caber no dia da pessoa, não apenas no horário da academia.
Tecnologia como personal trainer, inteligência artificial, dados e gamificação vão guiar rotinas mais personalizadas, acessíveis e funcionais.
Experiência híbrida, casa, rua e academia passam a coexistir, cada um cumprindo um papel na jornada do usuário.
O Brasil vive um momento decisivo. Enquanto a infraestrutura de academias cresce, a prática física cresce ainda mais rapidamente fora delas. Entender essa dinâmica é fundamental para que o mercado avance rumo a um ecossistema de bem-estar mais inclusivo, conectado e sustentável.
Para mais informações sobre os serviços da ZiYou, acesse: www.ziyou.com.br

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