Transformando imposto em impacto – 3 motivos para apostar nas causas sociais – Por Gilson Marcos Coelho, contador e especialista financeiro.

Transformando imposto em impacto – 3 motivos para apostar nas causas sociais – Por Gilson Marcos Coelho, contador e especialista financeiro.

Doar para uma causa social pode ser mais do que um ato de solidariedade: é uma estratégia inteligente de planejamento fiscal. A legislação brasileira permite que parte do imposto devido seja direcionada para projetos sociais, reduzindo o valor a pagar ou aumentando a restituição.

O Brasil tem espaço para multiplicar por 20 as doações dedutíveis, e contribuintes e ONGs precisam apenas se organizar para transformar tributos em cidadania e impacto social.

Para entender mais sobre os benefícios de doar, apresento os 3 principais motivos para considerar essa prática sob o ponto de vista contábil e fiscal. Confira:

  1. Reduzindo legalmente o IR devido 

Pessoas físicas podem destinar até 6% do imposto devido, considerando doações feitas durante o ano-calendário. Se a destinação ocorrer apenas no momento da declaração, o limite é de 3%, aplicável exclusivamente aos Fundos da Criança e do Adolescente e do Idoso.

Empresas tributadas pelo lucro real podem deduzir até 2% do lucro operacional com doações a Fundos da Criança e do Adolescente e do Idoso, além de outros incentivos (culturais, esportivos e de saúde), observando que a soma não pode ultrapassar 4% do IR devido.

Em 2024, foram registradas 237 mil doações, somando R$ 330,4 milhões. Mas o potencial legal supera R$ 9 bilhões anuais, mostrando que menos de 4% está sendo aproveitado.

Ação prática: 

Contribuintes: consultem um contador profissional e faça a destinação até o prazo da declaração.

ONGs: regularizem a documentação e cadastrem projetos no CMDCA/CEDCA ou Conselho do Idoso.

  1. Reputação e responsabilidade social 

Doar também fortalece a imagem da empresa. Práticas de ESG (Environmental, Social and Governance) são cada vez mais exigidas por clientes e investidores. Uma pesquisa da PwC mostra que 79% dos consumidores preferem marcas socialmente responsáveis e 65% dos investidores consideram indicadores ESG.

Ação prática: 

Empresas: alinhem as doações à sua política de ESG e destaque-as em relatórios.

ONGs: mantenham site atualizado, publiquem balanços sociais e evidenciem resultados.

  1. Escolher aonde o dinheiro vai, faz diferença 

Destinar parte do imposto permite que o contribuinte decida onde quer ver resultados. Ao invés de ir para o caixa único do governo, os recursos chegam a projetos específicos.

Ação prática: 

Contribuintes: escolham fundos e causas próximas do seu coração.

ONGs: invistam em projetos com indicadores de impacto e evidências concretas de resultados.

Segundo Ewerson Steigleder, empreendedor e especialista em gestão no terceiro setor, para as ONGs, isso é um campo fértil, visto que a captação de recursos externos significa, muitas vezes, a tábua de salvação ou a simples manutenção financeira das organizações. Mas só recebe quem está habilitado:

  • Estatuto registrado e sem fins lucrativos.
  • CNPJ ativo e certidões negativas em dia.
  • Credenciamento em conselhos ou ministérios competentes (CMDCA, Conselho do Idoso, Cultura, Esporte, Saúde).
  • Projetos aprovados e publicados.
  • Prestação de contas clara e acessível.

Sem essa base, a entidade fica fora do radar de doadores. ONGs que comunicam bem seus resultados e demonstram transparência se tornam parceiras estratégicas. Relatórios claros, indicadores de impacto e canais de prestação de contas são essenciais para conquistar empresas e pessoas físicas.

Projetos de educação, capacitação de jovens e inclusão social são especialmente valorizados. Eles mudam vidas e fortalecem a economia local. ONGs que mensuram e comunicam esse impacto saem na frente.

“ONGs que se estruturam e mostram transparência atraem mais recursos. O contribuinte quer segurança e impacto. Quando bem-preparada, a ONG não apenas cumpre sua missão, mas multiplica resultados”, conclui Ewerson Steigleder.

Planejamento tributário e responsabilidade social podem (e devem) andar juntos. Transformar parte do imposto em investimento social é inteligente, legal e necessário.

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