AI Festival 2026 mostra que o Brasil já disputa liderança global na nova economia dos agentes de IA
StartSe consolida o evento como maior encontro de inteligência artificial aplicada do Brasil; segundo dia destaca ruptura do consumidor, era agêntica e o novo profissional viável
O último dia do AI Festival 2026, realizado pela StartSe em São Paulo, confirmou por que o evento se tornou o principal encontro brasileiro sobre inteligência artificial aplicada aos negócios. A edição deste ano reuniu especialistas nacionais e internacionais em trilhas simultâneas e oficinas de conteúdos práticos para discutir o avanço dos agentes autônomos, as tensões do consumo mediado por algoritmos e o impacto real da IA no trabalho, na produtividade e na competição entre empresas. Para Piero Franceschi, CEO da StartSe, o evento nasceu para traduzir complexidade em prática: “O AI Festival foi criado para transformar a conversa em resultado. O Brasil não está apenas acompanhando; está participando ativamente da fronteira global.”
O keynote Paul F. Accornero, autor de The Algorithmic Shopper, foi um dos mais esperados do dia. Ele apresentou o conceito de “shopper schism”, uma ruptura crescente entre o consumidor e o comprador, agora representado por agentes algorítmicos que executam compras sem emoção, sem fidelidade e sem qualquer compromisso com storytelling. Com base em estudos nos EUA, Reino Unido e Brasil, Accornero mostrou que mais de 30% dos brasileiros já delegam decisões de compra para agentes, gerando uma inversão competitiva: o valor migra do marketing para operações, dados e precisão técnica. O “funil morre”, como definiu, e surge o AIO (Agent Intent Optimization), um novo playbook para disputar relevância com esses compradores‑máquina que reorganizam o mercado.
A agenda do dia explorou esse deslocamento estrutural em diferentes setores. Ricardo D’Ambrosio (Anthropic) mostrou como o Claude Cowork, criado em menos de dez dias pela própria IA da empresa, inaugura uma nova fase de agentes capazes de planejar e executar fluxos complexos com autonomia, mas sob forte governança. Matheus Garcia (StartSe Consulting) trouxe um diagnóstico claro sobre o desenho do trabalho com IA, afirmando que agentes não são ferramentas, mas uma força de trabalho que exige liderança, métricas e revisões constantes.
No setor de mobilidade, André Petenussi (Localiza) apresentou a transformação da empresa em uma organização AI‑nativa, com 12 mil colaboradores treinados e 4 mil agentes internos já em operação. Ele destacou projetos como o Fast e a assistente Lisa, além da experiência da Localiza integrada ao ChatGPT, reforçando que marcas precisam se tornar interpretáveis por IA para continuarem relevantes. Milena Leal (Google Cloud) ampliou o panorama internacional ao apontar que a “era agentic” chegou e depende de infraestrutura poderosa, dados integrados e governança multiagente, com o Brasil entre os mercados mais velozes na adoção.
Ciência e IA
A ciência também ganhou espaço com Ana Trišović (MIT), que expôs o abismo de 22 vezes entre o que os modelos de IA são capazes de entregar e o que empresas realmente adotam. Segundo ela, a vantagem competitiva passa a depender menos de escolher o “melhor modelo” e mais de criar capacidade interna de integração e avaliação contínua. Já Felipe Blanes (Amazon AGI Labs) demonstrou que, enquanto grandes corporações buscam níveis de confiabilidade de mais de 90%, os agentes atualmente entregam aproximadamente 55% tornando a melhoria de confiabilidade em agentes produtivos fundamental para viabilizar a automação real de fluxos críticos. Fecharam o circuito de hot seats os três speakers internacionais, Accornero, Trišović e Blanes, em conversas exclusivas com congressistas VIPs.
A indústria automotiva ganhou destaque com Cristina Cestari (Volkswagen), que apresentou Otto, o primeiro assistente digital brasileiro da marca com personalidade, voz, interpretação de contexto e guard‑rails éticos. O projeto marca uma mudança simbólica no setor ao unir tecnologia generativa ao imaginário de ícones como Fusca e Kombi. No palco de builders, Paulo Silveira (Alura) defendeu que o impacto da IA não está em gerar mais código, cujo custo “caiu a zero”, mas em decidir, com precisão, o que deve ser construído. Ele projetou um futuro marcado por profissionais ampliados, multidisciplinares e capazes de operar entre tecnologia, negócios e narrativa.
O dia também contou com conteúdos de Alibaba, Replit, Glean, ComleIA, Crescera Capital, Letrus, LG e Bradesco, além de uma trilha robusta de oficinas práticas e conteúdo aplicável, que ocorreram simultaneamente à plenária. Alexandre Messina (Lovable) trouxe o conceito de vibe coding, expressão escolhida pelo Dicionário Collins como palavra do ano de 2025, e mostrou como startups podem nascer 10 vezes mais rápido combinando IA, intuição e linguagem natural. Enio Moraes (Chatvolt.AI) apresentou casos reais de agentes trabalhando 24 horas por dia em vendas. Fernanda Faria (AB InBev – Zé Delivery) explicou o uso de personas sintéticas para testar campanhas e experiências. Vinicius Lana (Replit) ensinou como avançar além do MVP. E Pedro Lopes e Samuel Jacobsen (Lumina) mostraram como agentes resolvem, em paralelo, quatro problemas crônicos das PMEs.
AI Journey e o novo profissional da era da IA
A Sala AI Journey recebeu a comunidade, que já reúne mais de mil participantes desde 2025, e realizou um talk exclusivo com o Google Cloud. A StartSe anunciou a versão 2026 da Confraria, um programa de 12 meses de mentoria, ferramentas e experiências para acelerar negócios e preparar lideranças para o futuro. Para a StartSe, o AI Festival cumpre sua proposta ao aproximar empresas da prática e da nova realidade agêntica. Como sintetizou Piero Franceschi, “esta edição mostra que o Brasil está pronto para liderar conversas globais sobre o futuro do trabalho, do consumo e da competição mediada por IA.”
Sobre a StartSe
Fundada em 2015, a StartSe é a primeira Escola Internacional de Negócios criada para formar líderes preparados para um mundo em constante transformação. Com hubs no Vale do Silício, China, Israel, Portugal e São Paulo, oferece experiências imersivas e práticas com os principais especialistas em inovação global. Seus programas conectam profissionais aos centros que estão moldando o futuro dos negócios, apoiados por um modelo exclusivo — o StartSe Flywheel, Metologia de Sinais, Licenças e dimensões — que traduz a dinâmica da nova economia e prepara empresas e lideranças para antecipar tendências e gerar impacto real. Saiba mais no nosso site https://www.startse.com/sobre-nos/

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