A projeção está ligada à aposentadoria da geração baby boomer, que possui quase um quarto das pequenas empresas americanas, segundo a McKinsey. À medida que esses proprietários envelhecem e deixam a gestão, seus negócios precisam ser preparados para a sucessão, vendidos ou transferidos a novos donos.
“Uma transição bem-feita precisa preservar o que já dá resultado e preparar o negócio para uma nova etapa. Quem assume precisa entender os clientes, a equipe, os processos e os números da empresa para conduzir essa mudança com consistência”, afirma Amanda Antunes Domiciano, CEO da Lume Education, voltada à formação de empreendedores nos Estados Unidos, e empresária à frente da Amanda’s Maid, empresa que fatura mais de US$ 3 milhões por ano.
A experiência de Amanda ajuda a aproximar a discussão sobre sucessão da rotina de quem administra uma empresa. Empreendedora desde os 16 anos, ainda no Brasil, hoje participa da gestão de negócios de serviços nos Estados Unidos. A Amanda’s Maid, especializada em limpeza residencial, já realizou mais de 21,8 mil serviços, atendeu mais de 3,2 mil residências e reúne mais de mil avaliações de clientes. A empresa foi reconhecida como o melhor serviço de limpeza de Charlotte por seis anos consecutivos, de 2021 a 2026.
Amanda também é cofundadora da DR. Stairs, empresa de fabricação e instalação de escadas e estruturas metálicas e sócia da Ocean Cleaning, voltada à limpeza comercial. Na Lume Education, atua na formação e aceleração de brasileiros e hispanos que comandam negócios de serviços no mercado americano.
Sucessão exige preparo para a próxima etapa
A falta de interesse de possíveis sucessores aparece entre os desafios relatados por empresas familiares. Em uma pesquisa da Deloitte Private com 100 líderes de empresas familiares dos Estados Unidos, realizada em 2025, 37% apontaram a falta de interesse da próxima geração como um obstáculo à preparação de futuros líderes. As empresas participantes tinham receita anual entre US$ 100 milhões e mais de US$ 1 bilhão.
Outro levantamento global da Deloitte, divulgado em 2026, ouviu executivos de 1.587 empresas familiares de 35 países, todas com receita anual mínima de US$ 100 milhões. Quatro em cada dez preveem uma mudança de CEO na próxima década.
Para Amanda, a continuidade de uma empresa depende de conhecer seus fundamentos e preparar a operação para funcionar em uma nova etapa.
“Uma vez pode existir mercado, timing e oportunidade. Mas posso dizer por experiência que, quando você consegue construir novamente em negócios diferentes, começa a perceber que existe método. Muda o serviço, muda o cliente, mas continuam existindo questões de aquisição, margem, pessoas, liderança, processos e capacidade operacional. Crescer o faturamento sem construir estrutura pode transformar um problema pequeno em um problema maior”, afirma.
Pequenas empresas têm peso na economia americana
Os dados da Small Business Administration (SBA), agência federal americana que apoia pequenos negócios, mostram a dimensão desse mercado: as pequenas empresas representam 99,9% dos negócios dos Estados Unidos e empregam 62,3 milhões de pessoas, o equivalente a 45,9% dos trabalhadores do setor privado.
Dados do U.S. Census Bureau, analisados pela McKinsey, mostram que cerca de 6,4 milhões de empresas empregadoras reúnem 62 milhões de trabalhadores e geram aproximadamente US$ 17,8 trilhões em receitas anuais, cerca de 35% das receitas empresariais do país.
Nesse cenário, assumir uma empresa já estabelecida pode permitir que um novo proprietário comece a partir de uma operação em funcionamento, com clientes, equipe e já com presença no mercado. A análise da oportunidade passa por compreender como esses elementos se conectam e quais processos sustentam os resultados.
Empreendedores imigrantes já ocupam espaço no mercado
A presença de imigrantes no empreendedorismo americano também ajuda a dimensionar o potencial de quem chega ao país com experiência empresarial. Em 2023, eles representavam 23,6% dos empreendedores nos Estados Unidos, segundo o American Immigration Council.
Na lista Fortune 500 de 2026 — ranking anual das 500 maiores empresas dos Estados Unidos por receita —, 229 companhias, ou 45,8%, foram fundadas por imigrantes ou filhos de imigrantes.
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