Presidente da Abrapp defende “nova previdência” para incluir 50 milhões de trabalhadores no XII Fórum da Fenaprevi

Presidente da Abrapp defende “nova previdência” para incluir 50 milhões de trabalhadores no XII Fórum da Fenaprevi

Devanir Silva destacou a urgência de regulamentar as micro-pensões (PLP 214/2026), a adesão automática e o Código de Defesa da Poupança para integrar autônomos e motoristas de aplicativo ao sistema de proteção social

O diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Devanir Silva, afirmou que o Brasil não precisa de uma reforma paramétrica no sistema atual, mas de uma “nova previdência” voltada à inclusão social. A declaração ocorreu durante os painéis do XII Fórum Nacional de Seguro de Vida e Previdência Privada, promovido pela Fenaprevi, na quarta-feira (16). Segundo o executivo, o modelo vigente está esgotado por ser baseado na folha de pagamentos formal, o que já não reflete a dinâmica do mercado de trabalho.

A “geração de invisíveis” Silva alertou que 50% da força de trabalho do país (cerca de 50 milhões de pessoas, incluindo motoristas de aplicativos, entregadores e Microempreendedores Individuais (MEIs)) operam à margem de qualquer modelo de proteção pública ou privada. Sem uma arquitetura institucional que viabilize a poupança, essa “geração de invisíveis” dependerá integralmente da assistência estatal no futuro, pressionando o caixa do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Devanir Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp)

Micro-pensões e o PLP 214/2026

Para integrar esses profissionais, o presidente da Abrapp defendeu a adoção das micropensões, um modelo inspirado em mercados como o da Índia, que utiliza a tecnologia para viabilizar contribuições fracionadas. A proposta permite que microaportes, divididos entre o trabalhador e as plataformas digitais, sejam destinados a um plano de contribuição definida atrelado ao CPF do prestador de serviço.

O tema avança no Congresso Nacional por meio do PLP 214/2026. A proposta legislativa estrutura a previdência para trabalhadores de aplicativos e prevê não apenas o acúmulo de poupança, mas a oferta de microcrédito e coberturas contra danos materiais e pessoais, sem que isso configure vínculo empregatício formal.

Posicionamento do setor e Código de Defesa do Poupador

No âmbito da previdência complementar, Silva apontou a necessidade de modernização na comunicação e no posicionamento das entidades. “Nós temos que parar de vender planos de aposentadoria. Aposentadoria lembra fim, lembra aposento. Ninguém vai se aposentar e vai para o aposento”, afirmou, destacando que a indústria deve focar no valor da proteção contínua.

Como medidas estruturais para estimular o planejamento financeiro, o dirigente defendeu a adoção da inscrição automática e a criação de um “Código de Defesa da Poupança”. Esse debate já ganha forma no Congresso Nacional por meio de um projeto de lei focado em instituir o chamado Código do Poupador, que prevê justamente a adesão automática aos fundos e a ampliação de incentivos fiscais para alavancar a previdência privada no país. O objetivo da matéria em tramitação é desburocratizar a entrada de novos participantes e massificar a cultura de longo prazo.

Em paralelo, o executivo comemorou o avanço da proposta que torna obrigatória a disciplina de educação financeira e previdenciária no ensino fundamental, que já avançou em votações na Câmara e no Senado, medida vista por ele como um divisor de águas na formação das futuras gerações.

Para Silva, a superação do déficit de cobertura transcende governos e exige o engajamento de toda a sociedade civil. “Nós não precisamos mais falar em reforma, nós precisamos falar numa nova previdência e precisamos falar numa previdência que seja um projeto de país”, concluiu.

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