A Kikker, especializada em tecnologia para cadeias de suprimentos, escolheu Portugal para iniciar sua expansão pela Europa. A Darede, que atua no mercado de computação em nuvem, está no país desde 2024 e já atende aproximadamente 50 clientes, cerca de 75% deles pequenas e médias empresas.
Depois de desenvolver sua carteira local, a Darede escolheu a região de Lisboa para coordenar a expansão pela Europa e pretende contratar mais dez profissionais até o fim de 2026.
Os dois casos mostram como Portugal pode receber tanto empresas em sua primeira experiência internacional quanto negócios que já chegam com projetos mais amplos de crescimento.
“Portugal reúne possibilidades para empresas em diferentes estágios. A língua portuguesa, a proximidade cultural e a facilidade de comunicação tornam os primeiros movimentos mais simples para o empresário brasileiro. Ao mesmo tempo, existe um mercado próprio a ser desenvolvido. A empresa pode chegar para atender o consumidor português, estabelecer sua primeira operação internacional ou incluir o país em uma estratégia que alcance outros mercados”, afirma Renato Alves de Oliveira, diretor de Expansão e Negócios da Bicalho Consultoria e idealizador da Be International.
O momento econômico português também amplia esse campo de oportunidades. O Plano de Recuperação e Resiliência do país mobilizou aproximadamente € 22 bilhões em áreas como inovação, ciência, digitalização, competitividade, energia e saúde. Entre as iniciativas anunciadas estão € 800 milhões para incentivar a adoção de inteligência artificial pelas empresas e outros € 400 milhões voltados à reindustrialização, defesa, segurança e tecnologias avançadas.
“Esses investimentos apontam onde a economia portuguesa pretende crescer e quais setores deverão demandar novas tecnologias, serviços e soluções. Para a empresa brasileira, essa leitura permite enxergar oportunidades que vão além da proximidade cultural e identificar espaços concretos para estabelecer uma operação competitiva no país”, analisa Renato.
Estados Unidos continuam como o mercado de maior alcance
Em uma estratégia internacional mais ampla, os Estados Unidos continuam ocupando uma posição central para as empresas brasileiras. O país é o principal destino das operações de companhias brasileiras no exterior e também o maior mercado para as exportações nacionais de produtos manufaturados.
“Em uma análise geral, os Estados Unidos continuam sendo o mercado internacional mais robusto para empresas brasileiras que buscam escala. É uma economia com enorme poder de consumo, espaço para diferentes nichos e oportunidades em praticamente todos os setores. Portugal pode oferecer uma entrada internacional mais fluida, enquanto os Estados Unidos proporcionam uma dimensão de mercado difícil de encontrar em outros países. São possibilidades que podem fazer parte da mesma estratégia, de forma simultânea ou em etapas diferentes”, explica Renato.
A definição dessa rota precisa transformar a oportunidade percebida em um plano capaz de funcionar na realidade de cada mercado.
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