O café especial tem nome de mulher: conheça as produtoras por trás dos cafés premiados em concurso nacional
No concurso Florada Premiada, da marca Rituais Cafés Especiais, Amanda Evaristo, Ângela Oliveira e Ângela Coutinho chegaram ao topo com cafés de pontuação histórica e trajetórias que revelam a força do trabalho das mulheres na cafeicultura brasileira
A maior nota da história do concurso pertence a uma produtora de 25 anos que participou pela primeira vez da competição. Amanda Evaristo Lacerda cresceu entre pés de café no Caparaó Mineiro, é a quarta geração da família na cafeicultura e a terceira a trabalhar com café especial. Viu a mãe à frente do trabalho na lavoura desde criança e o pai incentivando ativamente as filhas a seguirem o mesmo caminho, algo que reconhece como raro no setor. Porém Amanda quis ir além e levar os negócios da família a outro patamar, cursou Tecnologia em Cafeicultura no Instituto Federal de Alegre e voltou ao sítio com embasamento técnico para evoluir a qualidade da produção.
Para Amanda, o maior desafio de ser mulher no universo do café é o preconceito velado: “Quando você chega em alguns lugares e está todo mundo conversando sobre café, você começa a querer conversar também, mas sente que as pessoas estão te menosprezando, dando a entender que você não sabe nada, por ser mulher. Mas é muito legal poder mostrar isso: chegar numa rodinha com vários homens, entrar na conversa e eles verem que você sabe tanto quanto eles”, diz. O Florada, para ela, é parte da solução: “A gente não tem a visibilidade que merece no campo. Trabalha tanto quanto os homens. Na maioria das propriedades, quem faz o pós-colheita são as mulheres, e a gente sabe que essa é a etapa decisiva para um café especial”.
A notícia da vitória chegou com menos de duas semanas do nascimento de seu primeiro filho. O prêmio foi investido direto na propriedade: melhorias no terreiro, na estufa e no secador. E o concurso trouxe algo que ela não esperava: “Recebi vários e-mails de mulheres de todo o Brasil querendo saber mais da minha história, por inspiração. O tanto de gente que veio até o sítio só por conta do Florada foi surreal.”
Já nas Matas de Minas, Ângela Maria da Costa Oliveira chegou ao pódio pela via da persistência. Participou do Florada pela primeira vez em 2023 e ficou em 6º lugar. Em 2024, entre as 100. Em 2025, campeã com 91,43 pontos. Aos 38 anos, trabalha o café de forma familiar, com o esposo e os cunhados, dividindo o dia entre o serviço da casa e a lavoura; a colheita e o cuidado do terreiro são responsabilidades suas.
Foi o Florada que a fez querer ocupar um papel mais visível na cadeia. “Geralmente as mulheres ficam só nos bastidores. Quando surgiu o concurso com as mulheres à frente, foi aquele sonho: um dia a gente vai ganhar também, ser valorizada, ser reconhecida”, conta. O principal aprendizado que carrega do projeto é sobre o poder de ir além: “A gente tem um sonho, e lutando e trabalhando por ele, pode ir mais longe do que acha que conseguiria. Você nunca mais é a mesma pessoa”.
A viagem de capacitação oferecida às vencedoras foi a primeira vez que Ângela saiu do Brasil e andou de avião. Voltou com um novo olhar sobre o próprio trabalho: “A gente via o café só pelo valor do dinheiro. Agora vê pelo sabor, pelo jeito das pessoas tomarem o seu café. É diferente”. Para ela, o que precisa mudar para que mais mulheres tenham espaço no setor é simples: “Faltam mais projetos como o Florada. É o único que conheço que apoia as produtoras dessa forma, da pequena até as maiores, com o mesmo carinho”.
Em Rondônia, a terceira história começa com uma escolha que parecia arriscada. Em 2018, Ângela Maria Coutinho Pessoa era funcionária pública quando ela e o esposo decidiram apostar no pedaço de terra herdado pelo pai. Ela trancou a matrícula na faculdade. Plantaram 2.400 pés de café do jeito que dava. A primeira colheita, em 2020, foi convencional, à época, ela nem sabia que café especial existia. No ano de 2021, entrou em grupos de produtores, pesquisou, mandou mensagem para um especialista que não conhecia e ficou mais de uma hora no telefone aprendendo sobre processos. Em 2022, chegou ao 5º lugar no Florada, e foi subindo até o 1º em 2025, com 90,80 pontos. Um dia antes da premiação, disse às organizadoras que achava ter caído a ficha: “Eu queria ser produtora de café especial. Acho que agora eu sou”.
Para Ângela, o café trouxe algo que ainda não tinha em sua vida profissional: propósito. “Antes era aquela rotina, você não via muito sentido naquilo. Hoje me sinto realizada. O café é incrível, porque, você pode estar sempre se aperfeiçoando, descobrindo possibilidades que nem imaginava que existiam”, afirma. Sua atuação em Rondônia também representa a elevação do patamar dos cafés canéfora de alta qualidade no Brasil, prova de que o futuro do café especial é diverso. As três trajetórias são distintas em origem e percurso, mas têm em comum o que o Florada existe para revelar: o trabalho das mulheres no café acontece há muito tempo, muitas vezes nos bastidores e sem a mesma visibilidade que os homens, mas é essencial para um resultado que garante um café excepcional e contribui para a valorização do mercado de cafés no Brasil.
Concurso Florada Premiada
Lançado em 2018 pela Rituais Cafés Especiais, o Florada Premiada é um concurso anual aberto a qualquer produtora, com seleção feita exclusivamente por critérios técnicos de qualidade. Mais do que um concurso, o Florada é um projeto de empreendedorismo social, que fomenta o espaço das mulheres no campo e investe na sucessão familiar, na qualidade e na sustentabilidade da cadeia.
Os cafés escolhidos ganham destaque e são comercializados pela linha Florada, e o lucro retorna diretamente para as produtoras. Além do retorno financeiro, o projeto investe em conhecimento: o Florada Educa, que é realizado em parceria com a Rehagro, escola referência no Brasil em educação para o agronegócio, possui uma plataforma com mais de 80 videoaulas gratuitas sobre colheita, pós-colheita, gestão financeira e sucessão familiar, e ainda oferece viagens internacionais de capacitação para as vencedoras em países produtores de café.
Desde o início, mais de R$ 1 milhão foi destinado diretamente às cafeicultoras. Em 2026, o projeto chega à 9ª edição com mais de 7.000 inscrições acumuladas e mais de 330 toneladas de microlotes comercializados. O reconhecimento do Florada vai além das fronteiras brasileiras: o projeto conquistou o 1º lugar na categoria da Rede Brasil do Pacto Global da ONU pelo alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e foi premiado em 1º lugar no Prêmio Whow! de Inovação (2020), reconhecido como uma iniciativa que gera valor real e transforma o ambiente em que está inserida. Muito além de uma iniciativa de 3corações, o Florada se tornou um patrimônio da cafeicultura feminina brasileira.
SOBRE O GRUPO 3CORAÇÕES
Fundado em 1959, o Grupo 3corações é líder do segmento de cafés no Brasil, com um portfólio completo que inclui cafés torrados e moídos, cápsulas, solúveis, instantâneos e prontos para beber. O grupo reúne mais de 30 marcas, entre elas 3 Corações, Santa Clara e marcas regionais como Pimpinela, Café Brasileiro e Iguaçu, estando presente em mais de 400 mil pontos de venda no país, com estrutura logística e comercial próprias, além de exportar para a América Latina e os Estados Unidos.
Referência em inovação, é responsável pela solução exclusiva TRES®, com máquinas multibebidas e mais de 50 sabores entre cafés, bebidas cremosas, chás e cafés filtrados em cápsulas. No segmento de cafés especiais atua com a Rituais 85+ por 3 Corações, que trabalha com grãos de excelência (SCA 85+) e foco em sustentabilidade e impacto social. Além do café, o Grupo 3corações opera em outras categorias do mercado de alimentos, como refresco em pó (Frisco), achocolatado (Chocolatto), temperos e derivados de milho (Dona Clara e Kimimo), além das marcas Positive Co. e Zaya, ampliando sua presença no dia a dia dos consumidores com o ingresso no segmento de leites vegetais, suplementos e snacks saudáveis. Para mais informações, acesse o site: www.3coracoes.com.br.

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