Segundo semestre expõe um erro comum nas empresas que confundem faturamento com lucro

Segundo semestre expõe um erro comum nas empresas que confundem faturamento com lucro

Especialista afirma que crescimento baseado apenas no faturamento pode mascarar perdas financeiras e comprometer investimentos, expansão e a saúde financeira dos negócios

A chegada do segundo semestre costuma marcar a revisão de metas, orçamento e investimentos nas empresas, mas um problema recorrente continua comprometendo esse planejamento. Muitos empresários acompanham de perto o faturamento, porém não conseguem identificar com precisão quanto realmente sobra no caixa depois de descontados todos os custos da operação. Pesquisa do Sebrae mostra que 61% dos pequenos empreendedores brasileiros ainda utilizam a conta pessoal para pagar despesas da empresa, hábito que dificulta a separação das finanças e a leitura real dos resultados do negócio.

Para Vanderlei Goulart, contador, consultor empresarial e fundador e diretor-presidente da Meta Assessoria, empresa especializada em gestão contábil, fiscal com forte atuação no varejo supermercadista, o problema vai além da organização financeira. Segundo ele, muitas empresas tomam decisões estratégicas sem possuir indicadores suficientes para entender se o crescimento observado nos últimos meses foi realmente sustentável.

“O faturamento costuma ser o número mais lembrado pelo empresário porque é o mais visível. Mas ele representa apenas o início da análise. O que determina a capacidade de investir, contratar, ampliar a operação ou enfrentar períodos de instabilidade é o lucro gerado pela atividade. Quando essa informação não está clara, a empresa perde qualidade na tomada de decisão.”

Crescer nem sempre significa ganhar mais

Uma das situações mais frequentes, segundo o especialista, acontece justamente quando a empresa amplia as vendas. O aumento da receita costuma transmitir uma percepção de evolução, mas pode esconder custos operacionais que crescem em ritmo ainda maior.

“Há negócios que aumentam o faturamento durante meses consecutivos e, ao final do período, descobrem que a margem caiu. Isso acontece porque vender mais também exige mais estrutura, estoque, logística, equipe, capital de giro e despesas financeiras. Se esses fatores não forem acompanhados, a empresa pode crescer enquanto perde rentabilidade.”

Na avaliação do contador, esse movimento costuma passar despercebido porque muitos gestores acompanham apenas indicadores comerciais.

“Quando a atenção fica concentrada apenas nas vendas, problemas importantes deixam de aparecer. Produtos pouco rentáveis continuam sendo priorizados, despesas administrativas aumentam sem controle e processos ineficientes permanecem consumindo recursos da empresa.”

Os indicadores que realmente ajudam na gestão

Para Goulart, conhecer o lucro depende de uma rotina de acompanhamento financeiro que vá além dos relatórios contábeis tradicionais. A empresa precisa transformar informações em indicadores que orientem decisões do dia a dia.

Entre os principais, ele destaca:

  1. Margem de contribuição por produto ou serviço;
  2. Lucratividade da operação;
  3. Fluxo de caixa projetado;
  4. Evolução dos custos fixos e variáveis;
  5. Ponto de equilíbrio;
  6. Necessidade de capital de giro.

“Esses indicadores mostram se o negócio está gerando riqueza ou apenas movimentando dinheiro. Muitas vezes o empresário acredita que o caixa está saudável porque as vendas aumentaram, mas parte significativa dos recursos já está comprometida com fornecedores, impostos, financiamentos ou despesas futuras.”

O segundo semestre costuma revelar problemas acumulados

Na avaliação do especialista, os meses finais do ano costumam aumentar a pressão sobre empresas que chegam sem planejamento financeiro consolidado. É nesse período que muitos negócios reforçam estoques, contratam funcionários temporários, antecipam investimentos ou renegociam crédito.

“Quem inicia essa fase sem conhecer sua rentabilidade passa a decidir praticamente no escuro. Isso aumenta o risco de assumir compromissos incompatíveis com a capacidade financeira da empresa. Em muitos casos, o problema não está na falta de vendas, mas na ausência de informações para administrar o crescimento.”

Ele ressalta que esse cuidado vale tanto para pequenas empresas quanto para organizações mais estruturadas.

“Quanto maior a operação, maior também a necessidade de indicadores confiáveis. A complexidade cresce, os custos ficam menos perceptíveis e pequenas distorções podem produzir impactos financeiros relevantes ao longo dos meses.”

Contabilidade precisa participar das decisões

Para Goulart, um dos principais equívocos das empresas é limitar a contabilidade ao cumprimento de obrigações fiscais e trabalhistas. Embora essas funções continuem sendo essenciais, ele defende que os dados contábeis podem exercer um papel muito mais estratégico.

“A contabilidade produz informações que ajudam a entender para onde o dinheiro está indo e quais decisões geram mais resultado. Quando esses dados chegam apenas depois do fechamento do mês, perde-se a oportunidade de corrigir desvios enquanto ainda há tempo.”

Segundo ele, empresas que utilizam indicadores financeiros de forma contínua conseguem revisar preços, controlar custos, identificar desperdícios e avaliar investimentos com maior segurança.

“O lucro não pode ser uma surpresa descoberta no encerramento do balanço. Ele precisa ser acompanhado durante todo o ano. É essa visão que permite corrigir rotas antes que um problema operacional se transforme em uma dificuldade financeira.”

 

Sobre Vanderlei Goulart

Vanderlei Goulart é fundador, CEO e diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, contador, perito contábil e consultor empresarial, com pós-graduação em Auditoria e Perícia e mais de 30 anos de atuação no mercado. Atua no suporte estratégico a empresas nas áreas de gestão contábil, fiscal, trabalhista e planejamento empresarial, com foco em tomada de decisão, eficiência operacional e sustentabilidade financeira dos negócios.

Também é instrutor da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), onde ministra treinamentos sobre gestão de crise, finanças e capacitações voltadas aos níveis tático e estratégico do varejo. É fonte para comentar temas relacionados a tributação, ambiente de negócios, varejo, gestão empresarial e impactos econômicos no setor produtivo .

Para mais informações, acesse o Linkedin.

Sobre a Meta Contabilidade

A Meta Assessoria Empresarial é uma empresa especializada em soluções contábeis, fiscais e de gestão, com atuação direcionada ao desenvolvimento de negócios. A companhia atende empresários de diferentes segmentos, com presença relevante no varejo supermercadista, oferecendo suporte estratégico para organização e crescimento das operações.

Nos últimos anos, estruturou um modelo que integra contabilidade, tecnologia e gestão, com foco em eficiência operacional e apoio à tomada de decisão. A empresa também atua na formação de lideranças e na capacitação de gestores, conectando conhecimento técnico à aplicação prática dentro das empresas.

Para mais informações, acesse o site.

Fonte de pesquisa

 

Sebrae – 61% dos empreendedores utilizam a conta pessoal para pagar despesas da empresa

https://agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/61-dos-empreendedores-brasileiros-fazem-pagamentos-da-empresa-com-a-conta-pessoal/ 

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