Setor industrial brasileiro enfrenta novo patamar de risco com eventos climáticos extremos e danos estruturais

Setor industrial brasileiro enfrenta novo patamar de risco com eventos climáticos extremos e danos estruturais

O especialista e CEO da i4sea, Mateus Lima, analisa como a inteligência de dados torna-se vital para a continuidade de negócios.

A economia brasileira acumulou R$ 184 bilhões em prejuízos por eventos climáticos extremos entre 2022 e 2024, segundo dados da CNseg/EY apresentados na COP30. Apenas no Rio Grande do Sul, as enchentes de 2024 custaram R$ 35,6 bilhões e paralisaram aeroportos e infraestruturas logísticas por meses. O caso recente do destelhamento da fábrica da Toyota, em Sorocaba (SP), evidencia que mesmo as plantas industriais mais modernas do país estão vulneráveis ao novo padrão climático global.

A grande lacuna enfrentada pelas corporações é que a imensa maioria das normas técnicas de engenharia e dos Planos de Continuidade de Negócios (BCP) ainda é desenhada com base em médias históricas que já não refletem a realidade.

“O caso da Toyota em Sorocaba não é exceção. Eventos extremos no Brasil ficaram três vezes mais frequentes e severos na última década, de acordo com o Atlas Digital de Desastres. Estrutura projetada para tabela de recorrência de 30 anos atrás é estrutura subdimensionada hoje”, afirma Mateus Lima, CEO da i4sea.

Além do risco patrimonial físico, a pressão sobre essa transição agora é regulatória e de governança. A Resolução CVM 218, por exemplo, obriga toda companhia aberta brasileira a reportar sua exposição climática por ativo, alinhando-se aos padrões globais do IFRS S2.

Com aplicação iniciada para os exercícios sociais a partir de 1º de janeiro de 2026, o primeiro relatório obrigatório vence em maio de 2027 — impactando diretamente mais de 700 empresas listadas na bolsa. Para as diretorias financeiras e de riscos, o tempo para estruturação de dados corre contra o relógio.

“A partir de 2026, toda companhia aberta brasileira é obrigada a reportar exposição climática por ativo (CVM 218 / IFRS S2). O primeiro relatório obrigatório vence em maio de 2027 e o ano-base é 2026 — quem começa a coletar dados em junho do ano que vem reporta o que conseguir, não o que importa. Risco físico do clima saiu da pauta de sustentabilidade e entrou no balanço, no parecer do auditor e na conversa com o banco”, explica Lima.

Da previsão genérica à inteligência hiperlocal

Para mitigar esses riscos e cumprir as novas exigências de governança preditiva, o mercado industrial começa a substituir relatórios meteorológicos tradicionais por sistemas que recomendam ações ao nível do ativo. A virada de chave está em plataformas que cruzam reanálise climática proprietária de mais de 10 anos, com resolução espacial de 1 km a 3 km, combinada aos dados específicos do negócio. Com isso, o alerta deixa de ser “estado-amplo” e passa a apontar com exatidão a planta, o galpão ou o quilômetro crítico da operação.

“Aviso genérico de ‘ventos fortes para o estado de São Paulo’ não para uma fábrica. Saber que a rajada vai atingir 100 km/h no telhado da Planta 2, entre 14h e 16h, com 24 horas de antecedência — isso para. Aí dá tempo de desligar máquina crítica, evacuar área sensível e comunicar a cadeia. Vira protocolo de segurança, não desastre”, pontua o CEO da i4sea.

Em um cenário onde mais de 90% das perdas por desastres climáticos no país ainda ocorrem sem a cobertura de seguros, tratar o clima como variável de gestão ativa tornou-se o divisor entre a resiliência e o prejuízo operacional severo.

Para o executivo, os eventos como o vendaval de Sorocaba são o que a estatística chama de ‘cauda da distribuição’. O problema é que a cauda virou rotina, pois tratar o clima como variável de gestão, não de sorte, deixou de ser opção. É continuidade do negócio.

Sobre a i4sea

A i4sea é uma empresa de software que auxilia empresas com ativos e operações impactadas por condições climáticas a reduzir riscos e aumentar a eficiência operacional. Fundada em 2015, em Salvador, por oceanógrafos, a empresa é especializada em inteligência climática, com softwares capazes de diagnosticar impactos do clima em nível de metros, permitindo a antecipação customizada e específica de riscos futuros. Por meio de sua plataforma proprietária, o i4cast®, a i4sea transforma dados climáticos hiperlocais em eventos de risco e alertas acionáveis, apoiando decisões críticas altamente sensíveis às condições do clima.

Essa abordagem possibilita a otimização da logística e das operações de clientes de diversos setores, como portos, energia, engenharia e infraestrutura, com atuação em países como Brasil, Chile, Suécia, Dinamarca, Holanda, Reino Unido e Alemanha. Ao conectar ciência de ponta e Inteligência Artificial às necessidades concretas de adaptação e operação de empresas como Capstone, Santos Brasil, Porto do Açu, Grupo EPR e Vattenfall, a i4sea se consolida como referência em inteligência climática, com o propósito de apoiar pessoas e organizações na adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para a redução de prejuízos, a salvaguarda da vida e a otimização do planejamento com foco em resiliência climática.

 

Site: https://www.i4sea.com/pt-br

LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/i4sea/

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