Grupo de empresários avança em Brasília com proposta de incentivo ao MEI e acesso a crédito

Paulo Motta e Felipe Cassola levam empresários ao centro do poder
Empresários brasileiros começam a ocupar Brasília de forma mais ativa, não apenas como observadores, mas como agentes diretos de diálogo com o poder público. Um movimento recente do grupo The Networkers, liderado por por Paulo Motta e Felipe Cassola, fundador da plataforma Além do CNPJ, levou um grupo à capital federal para entender, na prática, como funcionam as estruturas de decisão e de que forma é possível influenciá-las.
A iniciativa nasce de uma insatisfação recorrente no setor produtivo. A elevada carga tributária e a burocracia seguem entre os principais entraves ao crescimento, mas poucos empresários se mobilizam para compreender os mecanismos que sustentam essas decisões. A proposta foi inverter essa lógica com uma imersão direta no ambiente político.
Durante dois dias, os participantes cumpriram agenda no Senado e na Câmara dos Deputados, com acesso a bastidores e reuniões institucionais. O grupo foi recebido pela senadora Damares Alves e se reuniu com parlamentares, entre eles o deputado Fausto Pina, quando apresentou demandas e discutiu pautas como a limitação de crédito para pequenos empreendedores.
A programação incluiu ainda um encontro com o advogado João Paulo Todde, integrante do think tank Mercado & Opinião, que conduziu uma conversa sobre ambiente regulatório e articulação institucional. A ideia foi ampliar a compreensão sobre como empresas podem se posicionar de forma mais estratégica junto ao poder público.
No centro das discussões está a construção de um modelo de incentivo à concessão de crédito para pequenos negócios. A proposta prevê a criação de um sistema de avaliação para instituições financeiras baseado na oferta de crédito a microempreendedores, considerando critérios como volume, capilaridade e diversidade de CNPJs atendidos. Esse desempenho poderia influenciar o acesso dessas instituições a recursos de fomento, criando um ciclo que estimule a ampliação do crédito na base da economia.
“Quando você coloca dinheiro na mão do pequeno empreendedor, você fomenta a economia, gera empregos e amplia a circulação de renda”, afirma Felipe Cassola. Segundo ele, o fortalecimento da formalização dos microempreendedores também tende a facilitar o acesso a esse tipo de financiamento.
Além das agendas políticas, a imersão teve caráter formativo, com conteúdos sobre licitações públicas e funcionamento das estruturas de Brasília. A proposta é dar aos participantes instrumentos para acompanhar, cobrar e influenciar decisões que impactam diretamente seus negócios.
Para Paulo Motta, a iniciativa reflete uma mudança de postura. “Há um movimento crescente de empresários que deixam de apenas reagir e passam a ocupar espaços de decisão com mais consistência e organização”.
Em um ambiente de decisões cada vez mais complexas e determinantes para o setor produtivo, o movimento sinaliza que parte do empresariado começa a compreender que influência não se constrói apenas com opinião, mas com presença, articulação e participação contínua.

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