BURNOUT: Primeiros passos para entender uma síndrome em expansão

BURNOUT: Primeiros passos para entender uma síndrome em expansão

Existem algumas conceituações para a Síndrome de Burnout, mas, considerando que ela ocorre exclusivamente no ambiente laboral, aqui adotaremos a definição aquela que a concebe como uma reação à tensão emocional crônica de um indivíduo, por lidar excessivamente com pessoas. O conceito abrange três dimensões independentes, mas que estão estreitamente relacionadas, que são a exaustão emocional, a despersonalização e a diminuição da realização profissional. (Maslach,1976)

Essa síndrome gera um estresse crônico, causando um colapso emocional em função de condições físicas, emocionais e psicológicas de trabalho, extremamente desgastantes. Nesse quadro observamos sofrimentos psicológicos que se somatizam em físicos e mentais, produzindo outros sintomas que se refletem na vida diária, na profissional e em todas as áreas da vida do colaborador.

O DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) não inclui o burnout como um transtorno mental, mas sim como um fator que afeta o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o burnout como um fenômeno ocupacional importante na CID-11. A OMS estabelece 3 pontos fundamentais para a sua caracterização:

  • Sensação de exaustão ou esgotamento de energia: cansaço extremo, físico e emocional, persistente.
  • Aumento do distanciamento mental do trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao trabalho: desmotivação, desapego emocional, falta de interesse ou atitudes negativas em relação ao trabalho.
  • Redução da eficácia profissional: sentimento de ineficácia, baixa realização pessoal no trabalho.

A Síndrome de Burnout pode aparecer como uma síndrome psicológica resultante da resposta a vários estressores interpessoais e emocionais crônicos que aparecem no ambiente de trabalho. (Maslach et al., 2001)

A Organização Mundial da Saúde, aponta o Burnout como resultante do estresse crônico no local de trabalho que não consegue ser gerenciado pelos trabalhadores. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2019).

Cabe aqui esclarecer que o assédio moral é um forte desencadeador da Síndrome de Burnout, já que implica num comportamento insistente de perseguição do assediador, que causa situações constrangedoras e humilhação aos assediados, levando a um declínio da salubridade do ambiente de trabalho. Aparecem nesse contexto, comportamentos agressivos repetitivos de ofensas, ameaças e insinuações, afetando diretamente a saúde mental e física da vítima.

Os sintomas do Burnout podem aparecer de forma suave e irem piorando com o aprofundamento do quadro. Podem ter início com aumento da irritabilidade, impaciência, falta de motivação para o trabalho, distúrbios do sono, diminuição da energia, problemas de memória e concentração, alterações do apetite e da libido.

É importante que os colaboradores sempre estejam atentos e avaliem seu ambiente laboral, considerando o impacto que possam estar causando em sua qualidade de vida. Considere aspectos como suas remunerações, condições e jornada de trabalho, relacionamento com colegas e gestores. Analise também as oportunidades, valorização dos resultados e sua autonomia de decisão. Por fim, analise qual a interferência do trabalho na sua vida pessoal e horários de descanso e refazimento. Depois, responda à pergunta: “Você está satisfeito?”

Tratamentos

Os tratamentos utilizados incluem o farmacológico e o psicológico, considerando a gravidade dos sintomas. A cooperação da empresa no sentido de promover as melhorias dos fatores desencadeadores também é prioritário. Isso mostra, que as ações não sevem se restringir ao tratamento do colaborador afetado, mas devem ser consideradas de forma ampla e sistêmica.

A Psicoeducação é fundamental para que se entenda quais as verdadeiras causas que desencadearam o processo, provocando seu agravamento. Para isso, deverão ser desenvolvidas várias linhas de ação, como o autoconhecimento, incentivando o ajuste de expectativas com relação ao trabalho e implementando a capacidade de lidar com o estresse e aumento da autoestima, que se torna muito rebaixada com o desenvolvimento da síndrome. Com o processo, igualmente busca-se aumentar a resiliência e a assertividade diante das dificuldades.

Além de psicoterapia e técnicas de Midfulness, que tem comprovação científica da eficácia, (Michelsen & Kjellgren, 2022; Ramachandran et al 2023), a busca do autocuidado e hábitos saudáveis são essenciais. Aí devem ser incluídos os exercícios físicos regulares, Mindfulness, sono de qualidade, alimentação saudável e equilibrada, vida social e familiar, lazer e descanso e uso saudável da tecnologia,

Paula Approbato de Oliveira
Psicóloga | Neuropsicóloga | Doutora em Ciências – USP

www.paulaapprobato.com.br
paula.approbato@gmail.com
(11) 96930-1219

Lilian Approbato

Psicóloga Clínica – CRP 06/92901

liapprobato@gmail.com

(11)99972.6520

 

Referências Bibliográficas

⁕ MASLACH, C. Burned-out. Human Behavior, 5, 9, p.26-22, 1976.

⁕ MASLACH, Cristina, SCHAUFELI, Wilmar B., LEITER, Michael P. Job Burnout. Annual Review of Psychology,2001.  https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev.psych.52.1.397. Acesso em 12/jun/2025.

⁕ MICHELSEN C, Kjellgren A. The Effectiveness of Web-Based Psychotherapy to Treat and Prevent Burnout: Controlled Trial. JMIR Form Res. 2022 Aug 11;6(8):e39129. doi: 10.2196/39129. PMID: 35802001; PMCID: PMC9412737.

⁕ Ramachandran HJ, Bin Mahmud MS, Rajendran P, Jiang Y, Cheng L, Wang W. Effectiveness of mindfulness-based interventions on psychological well-being, burnout and post-traumatic stress disorder among nurses: A systematic review and meta-analysis. J Clin Nurs. 2023 Jun;32(11-12):2323-2338. doi: 10.1111/jocn.16265. Epub 2022 Feb 20. PMID: 35187740.

⁕ American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed.). Arlington, VA: APA.

⁕ ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – 11ª Revisão (CID-11). Genebra: OMS, 2019. Disponível em: https://icd.who.int. Acesso em: 10 jun. 2025.

⁕ Revista Enfermagem 19(1):140-145 Estratégias e intervenções no enfrentamento da síndrome de burnout February 2011 · Moreno, Fernanda Novaes · Gil, Gislaine Pinn · ⁕ HAddad, Maria do Carmo Lourenço,  Vannuchi, Marli Terezinha Oliveira. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Maria-Haddad-2/publication/286999194_Strategies_and_interventions_for_dealing_with_burnout_syndrome/links/6050c218a6fdccbfeae5e577/Strategies-and-interventions-for-dealing-with-burnout-syndrome.pdf. Acesso em: 16 jun.2025.

⁕ WORLDHEALTHORGANIZATION,2019. Burn-out-an-occupational-phenomenoninternational.classificationofdiseases. Disponível em: https://www.who.int/news/item /28-052019- Acesso 12/jun/2025.

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