Data centers avançam pelo interior e colocam infraestrutura digital no centro dos investimentos
Energia, fibra óptica, servidores, refrigeração e redundância definem quais cidades podem receber estruturas críticas para a economia digital
A expansão dos data centers no Brasil começa a redesenhar o mapa da infraestrutura tecnológica do país. Os pedidos de conexão de grandes cargas eletrointensivas somam 54,2 GW até 2038, segundo a Empresa de Pesquisa Energética. Parte dessa demanda vem de centros de processamento de dados, estruturas que dependem de fornecimento contínuo de energia, redes de fibra óptica, sistemas de refrigeração, servidores e redundância para operar sem interrupções.
Henrique Reis, empresário, especialista em infraestrutura digital e fundador da Sourei, ecossistema de empresas de tecnologia, acompanha esse movimento a partir da implantação de infraestrutura própria. Em setembro de 2025, Varginha recebeu o primeiro data center do Sul de Minas, projeto desenvolvido pela Sourei sob a liderança de Henrique Reis e instalado no Porto Seco da cidade. O empreendimento teve previsão de R$23 milhões em aportes ao longo de dois anos.
Para o especialista, a construção de um data center começa muito antes da instalação dos equipamentos. Disponibilidade e estabilidade de energia, rotas de fibra óptica, refrigeração, segurança, redundância e possibilidade de expansão precisam ser avaliadas ainda na escolha do local.
“Construir um data center não começa pela compra dos servidores. Primeiro é preciso entender se a região consegue oferecer energia estável, conectividade por rotas diferentes, refrigeração adequada e segurança para uma estrutura que precisa funcionar 24 horas por dia. Uma decisão errada nessa etapa pode limitar toda a operação depois”, afirma Henrique.
O que existe por trás de um data center
Embora normalmente seja associado apenas a servidores, um data center reúne uma infraestrutura física mais ampla. Racks, equipamentos de rede, cabeamento, sistemas de armazenamento, nobreaks, geradores, refrigeração, controle de acesso e monitoramento trabalham de forma integrada para manter aplicações disponíveis.
A redundância é um dos pontos centrais desse modelo. Energia e conectividade não podem depender de uma única fonte, já que uma interrupção pode comprometer serviços utilizados por empresas, instituições financeiras, comércio eletrônico e sistemas corporativos.
“Quando o usuário acessa um sistema, ele não vê o que existe por trás daquela aplicação. Há servidores, energia, refrigeração, fibra óptica e equipamentos trabalhando continuamente. O data center é justamente a estrutura que mantém essa operação disponível mesmo quando ocorre uma falha em algum componente”, explica o especialista.
Energia define onde a infraestrutura pode crescer
O fornecimento elétrico já aparece entre os principais fatores para novos projetos no Brasil. Em São Paulo, estudos da EPE recomendaram cerca de R$1,6 bilhão em investimentos na rede de transmissão, capazes de liberar aproximadamente 4 GW para novas conexões. Outras obras estudadas para 2026 podem acrescentar cerca de 5 GW de capacidade.
Para Henrique, olhar apenas para o volume disponível é insuficiente. Data centers precisam de estabilidade, capacidade de expansão e sistemas de contingência, além de soluções de refrigeração compatíveis com a quantidade de equipamentos instalados.
“Um servidor trabalhando gera calor continuamente. Quanto maior a capacidade computacional instalada, maior também a necessidade de energia e refrigeração. Por isso, essas decisões precisam ser feitas em conjunto. Não adianta ter espaço físico se a região não consegue sustentar tecnicamente a operação”, aponta.
O Brasil reúne cerca de 200 data centers, ocupa a 12ª posição mundial em número de instalações e lidera a América Latina, segundo informações divulgadas pelo Instituto de Engenharia Nuclear em janeiro de 2026. A projeção citada pelo órgão indica investimentos entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões no país até 2030.
Interior entra na rota dos data centers
A busca por novas áreas começa a abrir espaço para cidades médias próximas aos grandes corredores econômicos. Varginha está localizada entre São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e reúne acesso a redes de comunicação, aeroporto, segurança e atividade empresarial que demanda serviços digitais.
Segundo o especialista, porém, a interiorização do setor não pode ser tratada apenas como uma busca por terrenos mais baratos. Rotas de fibra, energia, segurança, disponibilidade de profissionais técnicos e distância dos principais pontos de conexão precisam entrar na análise.
“O interior pode ter vantagens importantes, mas não basta disponibilizar uma área. É preciso saber por onde chegam as fibras, quais são as alternativas em caso de falha, como está a oferta de energia e se existe capacidade de expansão. Data center é uma decisão técnica antes de ser geográfica”, afirma Henrique.
O data center instalado em Varginha foi projetado para serviços como colocation, servidores dedicados, armazenamento, backup e processamento, conectado ao eixo econômico formado por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Infraestrutura sustenta a economia digital
Sistemas bancários, plataformas de comércio eletrônico, serviços em nuvem, operações empresariais, streaming, aplicações públicas e ferramentas de inteligência artificial dependem de capacidade física de processamento e armazenamento.
Para o especialista, esse é um dos motivos pelos quais data centers deixaram de ser uma discussão restrita às equipes de tecnologia e passaram a fazer parte de decisões sobre investimento, energia e desenvolvimento regional.
“Software só funciona porque existe uma infraestrutura física sustentando a operação. A economia digital depende de hardware, conectividade, energia e disponibilidade. Quanto maior a digitalização das empresas e dos serviços, maior será a necessidade de capacidade instalada”, ressalta Henrique.
Na avaliação do empresário, cidades fora dos grandes polos tecnológicos podem assumir uma parcela maior dessa infraestrutura, desde que consigam reunir as condições técnicas necessárias.
“O interior não precisa ser apenas consumidor de tecnologia. Pode também hospedar parte da estrutura que mantém empresas, serviços e sistemas funcionando. Para isso, precisa combinar energia, conectividade, segurança e mão de obra técnica. É essa base que transforma um data center em infraestrutura estratégica para uma região”, conclui.
Sobre Henrique Reis
Henrique Reis é fundador e CEO da Sourei, ecossistema de empresas de tecnologia. Empreendedor desde os 15 anos, Henrique iniciou a trajetória profissional ainda na adolescência e, ao longo dos anos, passou por diferentes negócios antes de concentrar sua atuação no setor de tecnologia. Durante a universidade, onde cursou Engenharia Química, transformou uma operação de xerox em um negócio e também empreendeu com a venda de produtos como mel e roupas.
Atualmente, lidera a expansão da Sourei, grupo especializado em infraestrutura digital, computação em nuvem, inteligência artificial e soluções tecnológicas para empresas, além de defender o desenvolvimento de novos pólos de inovação fora dos grandes centros urbanos.
Para maiores informações acesse: Linkedln.
Sobre Sourei
A Sourei é um ecossistema de empresas de tecnologia que desenvolve soluções para infraestrutura digital, computação em nuvem, inteligência artificial e transformação digital. O grupo reúne as empresas StayCloud, Wascer, Halver e Prince, que atuam em áreas como cloud computing, hospedagem, software, infraestrutura tecnológica e serviços voltados à modernização de operações empresariais.
Fundada durante a pandemia, a empresa expandiu sua atuação para diferentes frentes do setor de tecnologia e hoje desenvolve projetos voltados à ampliação da infraestrutura digital no Brasil. Com atuação nacional, a Sourei tem como propósito democratizar o acesso à tecnologia, impulsionar a inovação e contribuir para o fortalecimento de novos pólos tecnológicos fora dos grandes centros urbanos.
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Fontes de Pesquisa
Workshop da EPE aborda planejamento da transmissão de energia para conectar grandes cargas
https://www.epe.gov.br/pt/imprensa/noticias/workshop-da-epe-aborda-planejamento-da-transmissao-de-energia-para-conectar-grandes-cargas
REDATA EPE acelera planejamento da rede para suportar crescimento recorde de Data Centers
https://www.epe.gov.br/pt/imprensa/noticias/redata-epe-acelera-planejamento-da-rede-para-suportar-crescimento-recorde-de-data-centers
Investimentos em data centers no Brasil podem favorecer setor nuclear
https://www.gov.br/ien/pt-br/assuntos/noticias/investimentos-em-data-centers-no-brasil-podem-favorecer-setor-nuclear
Varginha vai receber o primeiro data center do Sul de Minas
https://diariodocomercio.com.br/economia/varginha-data-center-sul-minas-gerais/
Data Center Tier III no Sul de Minas
https://halver.com.br/

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