O dinheiro da venda não será mais todo da empresa: o impacto do split payment no caixa

O dinheiro da venda não será mais todo da empresa: o impacto do split payment no caixa

Reforma tributária aproxima o recolhimento do momento da venda e obriga empresas a repensarem sistemas, fluxo de caixa e gestão de recebíveis

O dinheiro de uma venda pode estar prestes a valer menos para quem vende. Não porque a receita diminua, mas porque uma parcela dela poderá deixar de passar pelo caixa da empresa antes de chegar ao Fisco. É essa uma das mudanças mais relevantes trazidas pelo split payment da reforma tributária.

Pela regra prevista na legislação, IBS e CBS serão segregados e recolhidos no momento da liquidação financeira da operação. Em outras palavras, o imposto deixa de ser apenas uma obrigação calculada depois da venda e passa a fazer parte da própria mecânica do pagamento. Em operações parceladas, a segregação acompanha cada parcela; mesmo a antecipação de recebíveis não elimina essa obrigação.

A diferença parece técnica, mas atinge uma variável bastante concreta: capital de giro.

Hoje, uma empresa pode receber uma venda e administrar aquele recurso até o momento do recolhimento dos tributos. Com o novo desenho, a parcela destinada ao imposto não estará mais disponível para financiar estoque, fornecedores ou despesas enquanto aguarda o fechamento fiscal. O faturamento continuará sendo de, por exemplo, R$100 mil, mas o caixa disponível para a operação será outro.

“É uma mudança de lógica. A empresa não poderá mais confundir faturamento com disponibilidade financeira. O número que importa para a gestão passa a ser o que efetivamente sobra depois que cada obrigação já foi considerada na transação”, afirma Raphael Emerick, CEO da Toku no Brasil,  fintech B2B especializada em gestão de recebíveis recorrentes.

O impacto tende a ser maior justamente onde o dinheiro circula mais rápido: grandes empresas, operações com milhares de transações e negócios baseados em pagamentos recorrentes. Nesses casos, uma diferença pequena por operação pode representar um valor expressivo no fluxo financeiro agregado.

É por isso que o split payment coloca tecnologia e finanças na mesma conversa. A legislação prevê a conexão entre o documento fiscal e a respectiva transação de pagamento, enquanto a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já avançaram em 2026 na documentação técnica da plataforma pública do split payment.

O desafio, portanto, não termina no departamento tributário. ERP, sistemas fiscais, bancos, adquirentes, plataformas de pagamento e ferramentas de conciliação terão de operar com a mesma informação. Um erro na identificação de uma transação deixa de ser apenas um problema de conciliação no fim do mês e pode afetar a própria distribuição do dinheiro no momento do pagamento.

2026 já é o ano-teste da CBS e do IBS, com alíquotas de 0,9% e 0,1%, respectivamente, além da exigência de destaque dos novos tributos nos documentos fiscais eletrônicos. A transição completa, porém, vai até 2033.

A mudança também pode alterar a lógica de antecipação de recebíveis. Como a liquidação antecipada não modifica a obrigação de segregação do IBS e da CBS, antecipar uma carteira não significa simplesmente antecipar todo o valor bruto que seria recebido. O desenho tributário passa a fazer parte da matemática do custo de capital.

“O split payment, nesse sentido, não muda apenas para onde vai o imposto. Muda o momento em que a empresa descobre quanto daquela operação é, de fato, dinheiro que pode ser usado pelo negócio” explica o CEO.

Sobre a Toku

A Toku é uma fintech especializada em gestão inteligente e customizada de recebíveis, oferecendo uma solução de ponta a ponta para empresas com alto volume transacional. A infraestrutura integra diferentes etapas da jornada de pagamentos — do cadastro e gestão dos meios de pagamento à cobrança e conciliação — e conta com um hub de agentes de inteligência artificial que atua em pontos específicos dessa operação, como previsão de inadimplência e otimização de retentativas de cobrança. A empresa atende negócios de setores como educação, mercado imobiliário, crédito e seguros, com atuação no Brasil, Chile e México. Apoiada por fundos globais como Gradient Ventures, fundo de inteligência artificial do Google, Y Combinator, F-Prime Capital e Wollef, a Toku processa atualmente mais de US$ 4 bilhões por ano e atende mais de 500 clientes na América Latina, incluindo empresas como MetLife, Verisure, Tenda. Saiba mais sobre a Toku.

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