Hospitalidade inclusiva: por que acolher diferentes públicos pode ser um diferencial para os negócios
Evento realizado no centro de São Paulo reúne turismo, networking e comportamento e coloca em pauta a necessidade de preparar empresas para experiências mais inclusivas
No último sábado, 15 de agosto de 2026, o centro de São Paulo recebeu o 1º Chá da Tarde com Desfile de Moda, realizado no Gran Villaggio Hotel e produzido por Maurício Coutinho. O encontro, que reuniu moda, networking, turismo e bem-estar, com a participação de Cibele Atallah e Leão Lobo, também abriu espaço para uma discussão que ultrapassa o universo dos eventos: como empresas podem se preparar para atender públicos cada vez mais diversos?
A questão ganha relevância especialmente para os setores de turismo, hotelaria, gastronomia, entretenimento e eventos, nos quais a experiência do cliente é parte fundamental do negócio.
Um dos parceiros do evento, o professor Lúcio Chaves, jornalista e profissional do setor de turismo, responsável pela Vem Viajar/Mais Cruzeiros, destacou a importância de desenvolver experiências personalizadas para diferentes públicos.
Entre os exemplos apresentados estão a necessidade de hotéis, restaurantes e outros ambientes preparados para acolher a população neurodivergente, além da criação de experiências específicas para públicos como a terceira idade.
A proposta parte de uma mudança de perspectiva: em vez de oferecer uma experiência padronizada para todos, empresas podem considerar que diferentes públicos possuem necessidades, expectativas e formas distintas de vivenciar um serviço.
Inclusão como estratégia de experiência
Para a neuropsicóloga Dra. Paula Approbato de Oliveira, convidada de Lúcio Chaves para o encontro, essa transformação também representa uma oportunidade para a Psicologia ampliar seu campo de atuação.
Em sua fala, Paula destacou a importância de a Psicologia “sair do consultório” e contribuir para diferentes setores da sociedade.
“A Psicologia precisa sair cada vez mais do consultório e ocupar novos espaços, dialogando com diferentes nichos e necessidades da sociedade.”
Para a especialista, conhecimento sobre comportamento humano, saúde mental e neurodiversidade pode contribuir diretamente para a experiência oferecida por empresas.
Experiência que começa no acolhimento
O próprio encontro realizado no Gran Villaggio Hotel foi, segundo Paula, um exemplo de como o acolhimento pode transformar uma experiência.
Os organizadores fizeram questão de receber os participantes, promover apresentações, criar conexões e dar visibilidade a cada pessoa presente.
Para a neuropsicóloga, esse cuidado revela uma dimensão importante da hospitalidade:
“A verdadeira experiência começa onde acolhimento, técnica e autenticidade caminham juntos.”
A frase resume uma perspectiva que pode ser aplicada também ao mundo empresarial: processos eficientes são importantes, mas a forma como as pessoas são
Uma oportunidade para novos negócios
A inclusão também pode ampliar mercados.
Ao compreender públicos que historicamente encontram barreiras em experiências de lazer, turismo e entretenimento, empresas podem identificar novas demandas e desenvolver produtos e serviços mais adequados.
Isso pode envolver desde roteiros personalizados e ambientes sensorialmente preparados até treinamento de equipes, comunicação acessível e desenvolvimento de novas experiências.
A perspectiva é especialmente relevante em um cenário no qual consumidores valorizam cada vez mais personalização, propósito e experiência.
Para o setor empresarial, portanto, pensar em inclusão não significa apenas responder a uma necessidade social. Significa também compreender melhor o mercado e criar condições para que mais pessoas possam participar dele.
Turismo, Psicologia e negócios
A aproximação entre o trabalho de Lúcio Chaves e o Projeto Integrar evidencia uma possibilidade de atuação interdisciplinar.
O turismo cria destinos e experiências. A Psicologia contribui para compreender as pessoas que irão vivenciá-los. A arquitetura participa da construção dos ambientes. A gestão prepara processos e equipes.
Quando essas áreas trabalham de forma integrada, a hospitalidade deixa de ser apenas um conceito associado ao atendimento e passa a fazer parte da estratégia da experiência oferecida pelo negócio.
Nesse contexto, preparar empresas para a diversidade humana pode representar não apenas uma mudança de cultura, mas também uma oportunidade de inovação.
Dra. Paula Approbato de Oliveira
Psicóloga | Neuropsicóloga | Doutora em Ciências – USP
Projeto Integrar – Saúde Mental e Inclusão
Instagram: @paulaapprobato.psico
Instagram: @integrar_saude_inclusao
🌐 www.paulaapprobato.com.br

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