CEOs de startups revelam os principais obstáculos à inovação no Brasil
Procurement, educação tech e soluções com o uso de IA concentram desafios distintos, mas compartilham um gargalo em comum: o custo de crescer no país
No Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, celebrado em 27 de junho pela ONU, startups brasileiras de diferentes setores enfrentam uma agenda comum: como crescer em um ambiente de juros elevados, burocracia regulatória e mercado ainda em processo de amadurecimento digital.
Segundo dados recentes do Sebrae, o Brasil tem mais de 22 milhões de micro e pequenas empresas, responsáveis por 52% dos empregos formais do país. Ainda assim, o acesso a capital, a adoção de tecnologia e a formação de talentos continuam sendo barreiras que limitam o potencial de expansão desses negócios.
Três CEOs de startups que atuam em segmentos distintos, educação em tecnologia com foco em agentes de IA, compras corporativas e healthtech, listam os principais obstáculos que enfrentam no dia a dia e o que, na visão deles, precisa mudar para que a inovação avance de fato no Brasil:
Iglá Generoso, CEO da DIO, plataforma que conecta a comunidade global de AI Builders
No setor de educação em tecnologia, o desafio não está na disponibilidade de ferramentas ou na infraestrutura, mas na velocidade com que pessoas e processos conseguem acompanhar o ritmo da inovação. Um relatório do Fórum Econômico Mundial projeta que 170 milhões de novas posições de trabalho serão criadas até 2030, mas que 39% das competências exigidas pelo mercado precisarão mudar no mesmo período.
“A tecnologia evolui em ritmo exponencial, mas pessoas e processos não evoluem nessa velocidade. O elo mais lento define a velocidade real da operação. Não é sobre correr atrás de toda novidade: é sobre evoluir rápido e de forma que o resultado se sustente, sem deixar para trás uma dívida de gente despreparada e processo quebrado. Quem tratar isso como corrida só de tecnologia irá colecionar projetos que impressionam e não entregam”, alerta.
Mônica Granzo, CEO da Smarkets, supplytech que conecta empresas a fornecedores qualificados por meio de marketplace B2B
O acesso a financiamento segue como um dos maiores entraves para startups no Brasil. Com a taxa Selic em 13,25% ao ano, captar recursos para crescer exige que o negócio gere caixa suficiente para sustentar a própria expansão, sem depender de linhas públicas cuja burocracia muitas vezes inviabiliza o acesso na prática.
Para Mônica, o problema vai além da taxa: está na complexidade dos requisitos exigidos para acessar os programas de fomento disponíveis. “O acesso ao capital é bem complexo e requer uma série de requisitos que o pequeno empreendedor muitas vezes não tem capacidade técnica para atender. A capacidade de crescimento fica limitada à geração de caixa do negócio, e o empreendedor muitas vezes não consegue repassar esse custo para o produto ou serviço”, afirma.
Eduardo Barros, CEO da WorkAI, startup brasileira especializada em colaboradores virtuais autônomos com inteligência artificial
No setor de healthtechs, a inteligência artificial avança rápido no papel, mas encontra resistência na operação. Clínicas, laboratórios e hospitais testam soluções, mas têm dificuldade de transformar provas de conceito em processos reais integrados ao dia a dia do negócio. Em um setor regulado, onde confiança, governança e proteção de dados são centrais, a jornada de adoção tecnológica é mais lenta e mais sensível do que em outros mercados.
“O gargalo real não está na tecnologia. Está na maturidade do mercado para colocar a inteligência artificial em operação de verdade. Muita empresa testa, se empolga no início, mas não consegue transformar aquilo em processo, em rotina, em resultado. O Brasil não tem um problema de tecnologia: tem um desafio de letramento digital e cultura de adoção”, avalia Barros.
Sobre a DIO: Fundada em 2018, a DIO é a plataforma que conecta a comunidade global de AI Builders para dominar agentes de inteligência artificial, impulsionar a produtividade e conquistar as melhores oportunidades do mercado. Com mais de 2,3 milhões de usuários e 50 mil profissionais contratados por empresas parceiras, a DIO organiza a evolução de talentos através de um sistema contínuo e vivo de aprendizado, construção, conexão, aplicação e geração de oportunidades – impulsionado por IA. Presente na América Latina e em mercados globais, a DIO prepara Builders para operar o presente que já começou.
Sobre a Smarkets: A Smarkets é uma SupplyTech brasileira que oferece uma plataforma de marketplace B2B voltada para compras corporativas. A solução conecta empresas compradoras e fornecedoras em mais de 30 segmentos de mercado, cobrindo o ciclo completo da requisição ao pagamento com automação, inteligência artificial e governança integradas. Fundada em 2014 por Mônica Granzo e investida pela Microsoft e pelo Grupo Ultra, a empresa atende organizações de médio e grande porte em setores como saúde, energia, financeiro, varejo, siderurgia e alimentício. Mais informações:
Sobre a WorkAI: Fundada em dezembro de 2024 por Eduardo Barros, Murilo Curti e Victor Manachini, a WorkAI é uma startup brasileira multissetorial especializada em colaboradores virtuais autônomos com inteligência artificial humanizada. Na área da saúde, suas soluções atuam em frentes como agendamento, triagem e acompanhamento de pacientes. A empresa foi acelerada com R$ 5,5 milhões da M2 Digital, venture builder com foco em negócios de base tecnológica.

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