Mercado Imobiliário: Reajuste de 2,4% ameaça contratos de Imóveis na planta
“O aumento contínuo dos custos de construção reflete diretamente no financiamento de imóveis. Isso tem gerado um aumento no número de distratos, pois muitas vezes o saldo devedor final se torna superior ao esperado”, André Caruso, CEO da Pilar Capital.
A inflação no setor da construção civil tem gerado desafios adicionais para o mercado imobiliário, com uma combinação de aumento nos custos e reajustes contínuos em contratos de imóveis na planta. O INCC e o IGPM, 2 dos principais índices de correção, estão pressionando os fluxos financeiros dos compradores, criando um efeito cascata sobre as parcelas e o saldo devedor. Este aumento no custo real das aquisições está forçando o mercado a lidar com um fenômeno recorrente: os distratos. Com o custo de construção em alta e os financiamentos muitas vezes não acompanhando esse ritmo, muitas rescisões de contratos têm surgido, afetando tanto compradores quanto construtoras.
“A alta recente do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que registrou um aumento de 1,04% em abril, e do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), com uma alta de 2,4%, está pressionando o mercado imobiliário, especialmente para compradores de imóveis na planta. O aumento das parcelas durante a obra e o reajuste do saldo devedor geram um descompasso entre o planejamento inicial e o custo real do imóvel, o que acaba gerando distratos, como já ocorreu em outros momentos de pressão inflacionária. Em projetos de alto padrão, esse cenário exige uma gestão ainda mais cuidadosa dos custos, do cronograma e da comunicação com o comprador. O patrimônio de afetação ajuda a dar mais segurança ao processo, porque separa financeiramente cada empreendimento e reduz o risco de contaminação entre obras, mas ele não elimina a necessidade de planejamento diante de índices pressionados. No entanto, mesmo com a expansão do crédito, com o programa Minha Casa Minha Vida abrangendo imóveis de até R$ 600 mil e a entrada de novos bancos no financiamento, os custos de construção elevados podem comprometer a sustentabilidade de muitos contratos no longo prazo, gerando um cenário desafiador para o mercado. Com o aumento real dos contratos e os custos crescendo, o risco de distratos tende a se intensificar nos próximos meses. Dados do setor indicam que, em períodos de alta do INCC, as rescisões contratuais aumentam, já que o custo de aquisição supera o planejamento do comprador. Por isso, uma gestão eficiente e a transparência são essenciais para garantir a confiança do consumidor e a estabilidade dos projetos”, Alex Sales, fundador da Alumbra Empreendimentos Design
“A recente alta do INCC (1,04%) e do IGPM (2,4%) está gerando um impacto significativo no mercado imobiliário. O aumento contínuo dos custos de construção reflete diretamente no financiamento de imóveis, especialmente nos contratos corrigidos por esses índices, levando a uma incompatibilidade entre o planejamento inicial e o custo real para os compradores. Isso tem gerado um aumento no número de distratos, pois muitas vezes o saldo devedor final se torna superior ao esperado. Embora a expansão do crédito, impulsionada por programas como o Minha Casa Minha Vida, esteja aquecendo o mercado, a pressão dos índices de correção encarece os contratos e pode dificultar a manutenção deles, afetando a confiança dos compradores. Para construtoras e incorporadoras, o cenário exige mais rigor na gestão de caixa, no acompanhamento da evolução das obras e na estruturação financeira dos projetos. Em um ambiente de custos mais altos e crédito mais acessível, a capacidade de ajustar prazos, preservar liquidez e antecipar riscos passa a pesar diretamente na continuidade dos contratosl”, André Caruso, CEO da Pilar Capital.
Esse cenário instável exige uma reavaliação das práticas adotadas no setor. A adaptação dos contratos, junto a uma gestão financeira mais eficiente e transparente, é essencial para mitigar o impacto da inflação e evitar a escalada dos distratos. À medida que o crédito se torna mais acessível e o mercado continua aquecido, é fundamental que o setor imobiliário se reestruture para acomodar os novos custos, sem perder a confiança dos consumidores. Sem uma ação estratégica, o risco de desequilíbrio no mercado se amplia, afetando tanto o consumidor quanto os projetos de longo prazo no setor.

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