Alívio nos ativos, mas petróleo ainda limita melhora – Por: Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, sobre mercado nesta quarta-feira
O mercado abre em recuperação, acompanhando a melhora do apetite global por risco após sinais de possível descompressão no conflito entre Estados Unidos e Irã, mas ainda parece cedo para tratar esse movimento como algo além de uma correção depois do excesso de estresse recente, com a sinalização de uma eventual saída negociada reduzindo parte da aversão observada nos últimos pregões e permitindo uma recomposição relevante nos preços, com alta das bolsas, enfraquecimento do dólar e fechamento das curvas de juros, em um ajuste que, ao menos por enquanto, parece muito mais ligado à retirada parcial de prêmio do que a uma mudança mais sólida na percepção de risco.
A sessão começa em tom positivo, com as bolsas asiáticas fechando em alta forte, a Europa avançando de forma disseminada e os futuros em Nova York sustentando ganhos, à medida que o mercado reduz, ainda que com cautela, a probabilidade de uma escalada adicional no Oriente Médio, enquanto o petróleo recua e devolve parte do estresse recente, mas continua em um patamar elevado, e esse segue sendo o ponto central, porque a commodity pode até sair das máximas, mas ainda está longe de um nível confortável para inflação e atividade, o que mantém energia no centro da formação de preço e impede uma melhora mais convincente dos ativos.
Nos Estados Unidos, o foco segue dividido entre geopolítica e dados econômicos, e o mercado claramente volta a flertar com o cenário que mais interessa, o de um choque contido antes de contaminar de forma mais profunda inflação e crescimento, mas esse alívio ainda parece frágil demais para justificar excesso de otimismo. Uma perda mais clara de intensidade no conflito e uma redução mais firme do risco sobre o Estreito de Ormuz abririam espaço para desmontar parte dos cenários mais duros para commodities e inflação, só que esse ajuste ainda depende de sinais políticos voláteis, em um ambiente de baixa previsibilidade, o que mantém os mercados muito sensíveis a qualquer nova declaração ou mudança de postura ao longo do dia.
Nesse ambiente, os indicadores ganham peso adicional, com ADP, vendas no varejo, PMI e ISM funcionando menos como simples termômetros de atividade e mais como teste para a capacidade da economia americana de sustentar crescimento mesmo sob energia mais cara e maior incerteza. Se os números vierem firmes, ajudam a sustentar a recuperação desta manhã e dão algum respaldo para o mercado manter o alívio, mas, se vierem fracos, o risco é de uma virada rápida de humor, porque a combinação entre desaceleração e inflação ainda pressionada continua sendo um dos cenários mais desconfortáveis para juros e ativos de risco, e me parece que esse risco ainda sai do radar cedo demais sempre que há melhora mais forte de curto prazo.
No Brasil, o alívio externo favorece os ativos locais e já produziu efeito claro no pregão anterior, com valorização do real, alta expressiva do Ibovespa e fechamento da curva de juros, principalmente nos vencimentos mais longos, em uma recomposição parcial depois da abertura de prêmio recente, mas sem alterar de forma mais profunda o quadro doméstico, que continua exigente e, na prática, bem mais duro do que a reação dos ativos às vezes sugere. A inflação segue sensível, as commodities continuam em nível elevado e o Banco Central já está comprometido com uma condução cautelosa, o que mantém a precificação local apontando para continuidade do ciclo de queda da Selic, mas com menos espaço para cortes mais agressivos e com uma tendência cada vez mais clara de um ritmo gradual à frente.

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