Dar conta de tudo não deveria ser uma meta – Por: Sandra Borgo , Psicóloga Clínica e Organizacional com foco em Saúde Mental e Bem-Estar no Ambiente de Trabalho Consultora associada da MQS Gestão e Liderança com Programas de Liderança Transformadora e Desenvolvimento de Equipes

Dar conta de tudo não deveria ser uma meta – Por: Sandra Borgo , Psicóloga Clínica e Organizacional com foco em Saúde Mental e Bem-Estar no Ambiente de Trabalho Consultora associada da MQS Gestão e Liderança com Programas de Liderança Transformadora e Desenvolvimento de Equipes

Desafios, resultados, pressão e a importância de não se perder no caminho

 

Quando pensei em escrever este artigo, uma pergunta me veio à cabeça: será que as pessoas realmente vão parar alguns minutos para ler e, principalmente, para refletir sobre si mesmas?

Confesso que demorei para começar a escrever. Pensei em um título interessante, li, reli, mudei algumas palavras, queria encontrar a melhor maneira de conversar com vocês e entregar algo que realmente agregasse.

Foi aí que percebi que estava fazendo exatamente aquilo que muitas pessoas fazem diariamente: tentando fazer tudo da melhor maneira possível, preocupada em corresponder às expectativas e, quem sabe, em agradar.

Perfeccionismo? Talvez, não sei ao certo!

Este tal perfeccionismo pode ser um aliado quando nos estimula a fazer bem feito, mas, quando se transforma em uma cobrança constante, pode nos desgastar. Foi então que pensei: este texto não precisa ser perfeito, apenas cumprir seu propósito: provocar uma pausa.

Então neste momento, faço um convite para esta pausa.

Pense em como está vivendo, trabalhando, liderando e enfrentando os desafios que escolheu ou que a vida lhe apresenta.

Sei que é necessário: crescer, expandir, aumentar resultados, conquistar clientes, inovar, resolver problemas, tomar decisões difíceis, fazer acontecer. O desafio nos movimenta, dá energia, estimula a criatividade, nos tira da zona de conforto e muitas vezes nos faz descobrir capacidades que nem sabíamos possuir.

Só um detalhe importante: observe se não está em uma linha tênue entre desafio, pressão ou vivendo no limite.

Até onde a disposição para vencer desafios é saudável e a partir de quando ela começa a cobrar uma conta que não aparece no balanço financeiro da empresa?

Existe um tipo de custo que não aparece no fluxo de caixa. É o custo das noites mal dormidas, da irritação constante, da dificuldade de desligar, do cansaço que não passa, da falta de tempo para a família, da perda do prazer pelas coisas simples e daquela sensação de que estamos sempre atrasados para a própria vida.

Nem sempre percebemos, mas às vezes, acreditamos que é apenas uma fase e afirmamos:

“Quando essa situação passar, eu descanso.”

“Quando fechar esse contrato, eu paro.”

“Quando a empresa estiver mais organizada, eu cuido de mim.”

E sempre existe uma próxima meta e este “depois” pode nunca chegar.

Talvez esse seja um dos grandes desafios de quem empreende: aprender que cuidar de si também faz parte da jornada. Não adianta chegar ao resultado desejado sem conseguir aproveitar o caminho ou descobrir, depois de tantos anos de trabalho, que nos afastamos de pessoas, sonhos e até de nós mesmos.

O empresário sente medo de errar, se preocupa com as contas, com os funcionários, com os clientes e com o futuro. Pode se sentir sozinho diante de decisões que não pode compartilhar com qualquer pessoa.

Existe uma cobrança silenciosa para que quem está à frente seja sempre forte, disponível e seguro, só que ninguém consegue ocupar esse lugar o tempo inteiro sem pagar algum preço. Diante disso, autocuidado não deveria ser visto como luxo, falta de ambição ou perda de produtividade.

Cuidar cria condições para fazer aquilo que se escolheu fazer. Olhar para a própria trajetória e perceber que crescer não significa abandonar tudo o que existe fora do trabalho.

O tema Saúde Mental nunca foi tão abordado nas organizações como hoje. A atualização da NR-1 trouxe para as empresas uma discussão que já não pode ser deixada de lado: os riscos psicossociais relacionados ao ambiente de trabalho e entre eles o excesso de demandas e pressão constante são situações que precisam ser observadas.

Cabem algumas reflexões para você empresário que não consegue se desligar e vive sob esta pressão alucinante:

  • ü Como eu estou?
  • ü O que tem me cansado?
  • ü O que tenho deixado de fazer por causa do trabalho?
  • ü Quando foi a última vez que realmente descansei?
  • ü Estou conseguindo aproveitar aquilo que lutei tanto para conquistar?
  • ü Onde encaixo minha família e amigos?
  • ü Estou olhando para a minha saúde física e mental?
  • ü Se eu continuar vivendo exatamente como estou vivendo hoje, onde estarei daqui a cinco anos?

Nem sempre precisamos mudar tudo, mas que tal começar a perceber? Quando se está cansado, irritado, necessitando delegar, pedir ajuda, parar de tentar dar conta de tudo e começar a prestar atenção em como estou dando conta?

Desafios fazem parte da vida, querer ter sucesso e sentir orgulho das conquistas realmente nos move, mas não tem preço olhar para trás e reconhecer que apesar de tudo não nos perdemos de nós mesmos nesta jornada.

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