Gestão de viagens é a área menos automatizada da administração, mostra pesquisa
A gestão de viagens corporativas ainda opera com baixo nível de automação no Brasil. Apenas 30% das operações trabalham com automação alta ou total, enquanto 71% dos gestores ainda dependem de processos manuais em alguma etapa da rotina.
Os dados são do Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026, realizado pela Paytrack em parceria com a ALAGEV, que ouviu mais de 110 gestores entre março e abril deste ano. O resultado contrasta com o avanço da tecnologia em outras funções administrativas: na indústria, administração foi a área que mais adotou inteligência artificial em 2024, à frente de comercialização e de desenvolvimento de produtos, segundo o IBGE.
Adoção de ferramentas alta, porém falta integração
A pesquisa mostra que o uso de tecnologia isolada já é maioria no setor. As plataformas de reserva online (OBTs) estão presentes em 85% das operações, os sistemas de inteligência de negócios (BI) em 68% e os ERPs em 64%. A automação de ponta a ponta, porém, fica em 30%, e metade das operações opera em fluxo híbrido, combinando sistema e planilha.
O impacto aparece na confiabilidade dos dados. Entre os gestores que trabalham de forma totalmente manual, 83% afirmam não confiar plenamente nas informações que produzem. A dificuldade com dados é a principal queixa da função, citada por 60% dos respondentes, seguida por falta de integração entre sistemas (54%) e compliance da política de viagens (52%).
Uma função sênior e majoritariamente feminina
O estudo descreve um mercado consolidado. Mulheres ocupam 84% das posições, e cerca de 43% dos gestores têm mais de dez anos de atuação na área. A pesquisa não cruzou tempo de experiência com nível de automação, mas o perfil indica que o baixo grau de digitalização não decorre de falta de repertório técnico.
A digitalização, aliás, é a prioridade declarada dos próprios gestores para 2026: aparece como principal foco de investimento para cerca de metade das operações, acima de negociação e de segurança.
O custo da operação manual
A defasagem tecnológica tem efeito financeiro mensurável. Em processos de despesas corporativas, próximos à gestão de viagens, um relatório processado manualmente leva de 14 a 21 dias até o reembolso ao colaborador, ante poucas horas em fluxos automatizados, segundo médias de mercado. Erros de categoria ou comprovantes ilegíveis geram novas submissões e horas de verificação que se acumulam ao longo do mês.
Na avaliação da Paytrack, a automação integrada reduz esse custo ao parametrizar a política de viagens no sistema e eliminar a conferência manual, liberando a equipe para análise e negociação.
“O mercado adotou tecnologia em ritmo acelerado, mas isso não se traduziu em operações mais eficientes. Ter OBT, BI e ERP não é o mesmo que ter um processo integrado. É exatamente nesse intervalo que o gestor continua perdendo tempo com planilha e e-mail”. Cibeli Oliveira, VP de Customer Experience na Paytrack.
Sobre a pesquisa
O Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026 foi realizado pela Paytrack em parceria com a ALAGEV (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas) em abril de 2026.
O levantamento se propôs a mapear o perfil do gestor de viagens corporativas no país, sua formação, seus principais desafios e seu nível de maturidade digital, com base em respostas de mais de 110 profissionais da área.
O dado de adoção de inteligência artificial por área nas empresas industriais vem da PINTEC Semestral 2024, do IBGE, em parceria com a ABDI e a UFRJ, que investigou indústrias extrativas e de transformação com 100 ou mais pessoas ocupadas. No levantamento, a área de administração registrou 87,9% de adoção de IA, o maior índice entre as funções pesquisadas.
O recorte difere do setor de viagens, mas serve de referência para o patamar de automação já alcançado em funções administrativas.

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