Uso de buscas com IA cresce, mas confiança dos consumidores recua, aponta estudo

Uso de buscas com IA cresce, mas confiança dos consumidores recua, aponta estudo

Levantamento mostra queda de 28 pontos percentuais na percepção de utilidade da tecnologia, enquanto uso das ferramentas continua avançando entre consumidores

O uso de ferramentas de inteligência artificial para realizar buscas na internet continua crescendo, mas a percepção de que elas são superiores aos mecanismos tradicionais está perdendo força entre os consumidores. É o que mostra um levantamento realizado pela Fractl em parceria com o Search Engine Land, que ouviu 1.008 consumidores e 150 profissionais de marketing.

Segundo a pesquisa, 82% dos consumidores afirmavam, em 2025, que a busca por inteligência artificial era mais útil do que a busca tradicional. Em 2026, esse percentual caiu para 54%, uma redução de 28 pontos percentuais em apenas um ano.

Apesar disso, a adoção dessas ferramentas segue avançando. Setenta por cento dos entrevistados afirmaram utilizar recursos de busca com IA com mais frequência do que no ano passado. Apenas 3% disseram ter reduzido o uso.

Para Felipe Cardoso, CEO da Rank Certo, agência de link building editorial orientado à decisão comercial, os dados mostram uma mudança no comportamento dos usuários diante da maturidade da tecnologia.

“Houve um momento inicial de grande entusiasmo com a inteligência artificial, em que muitas pessoas acreditavam que ela substituiria completamente os mecanismos de busca tradicionais. Hoje, o que vemos é uma relação mais madura. Os usuários continuam recorrendo à tecnologia, mas passaram a compreender melhor suas limitações e a avaliar suas respostas de forma mais crítica”, afirma.

A pesquisa mostra que o grupo de consumidores que considera a IA menos útil do que os mecanismos tradicionais cresceu de forma significativa. Em 2025, apenas 3% dos entrevistados se enquadravam nesse perfil. Em 2026, o percentual saltou para 17%.

Além disso, entre os consumidores que ainda consideram a IA mais útil, a maior parte demonstra cautela. Dos 54% que enxergam vantagens na tecnologia, 37% afirmam que ela é apenas “um pouco mais útil” do que a busca tradicional, enquanto somente 17% a consideram “muito mais útil”.

Segundo Cardoso, a popularização dos casos de respostas imprecisas ou equivocadas geradas por inteligência artificial ajuda a explicar essa mudança de percepção.

“A velocidade na entrega da informação trouxe ganhos evidentes para os usuários, mas também aumentou a preocupação com a confiabilidade. À medida que as pessoas passaram a utilizar essas ferramentas em situações do dia a dia, ficou mais fácil perceber que nem toda resposta apresentada pela IA é necessariamente correta”, explica.

Confiança nas marcas entra em jogo

O estudo também identificou uma crescente preocupação dos consumidores com o uso excessivo de inteligência artificial pelas empresas.

Em 2025, 20% dos entrevistados afirmavam que o uso intensivo de IA poderia reduzir sua confiança em uma marca. Em 2026, esse percentual subiu para 39%.

A resistência é ainda maior entre os mais jovens. Entre integrantes da Geração Z, 54% afirmam que o uso excessivo de IA em ações de marketing diminuiria sua confiança em uma empresa. Entre os baby boomers, o índice é de 32%, enquanto na Geração X chega a 33%.

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As mulheres também se mostraram mais críticas. Entre elas, 44% afirmaram que poderiam perder confiança em marcas que dependem excessivamente de conteúdos produzidos por inteligência artificial. Entre os homens, o percentual é de 34%.

Para Cardoso, os dados representam um alerta para empresas que apostam exclusivamente na automação da comunicação.

“Os consumidores não estão rejeitando a inteligência artificial. O que eles rejeitam é a sensação de que estão diante de conteúdos genéricos, impessoais ou produzidos sem supervisão humana. A tecnologia pode aumentar a eficiência, mas autenticidade e credibilidade continuam sendo fatores decisivos para construir confiança”, diz.

Impactos para o marketing digital

Na avaliação do especialista em seu perfil no Linkedin, os resultados também trazem implicações importantes para profissionais de marketing e empresas que buscam visibilidade online.

Segundo ele, a simples ampliação da produção de conteúdo com apoio de IA já não é suficiente para gerar diferenciação competitiva.

“À medida que a internet recebe um volume cada vez maior de conteúdos semelhantes, ganham importância os sinais de autoridade e reputação. Estratégias como Link Building, presença em veículos de imprensa, produção de conteúdo especializado e fortalecimento da marca tendem a se tornar ainda mais relevantes para empresas que desejam se destacar nos mecanismos de busca e nos ambientes alimentados por inteligência artificial”, afirma.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi a diferença geracional na avaliação da tecnologia. Contrariando a percepção de que os mais jovens seriam os maiores entusiastas da IA, os baby boomers demonstraram uma visão mais positiva.

Segundo o levantamento, 63% dos consumidores dessa faixa etária consideram a IA mais útil do que as buscas tradicionais. Entre integrantes da Geração Z, o percentual é de 47%.

Para Cardoso, o resultado sugere que usuários mais jovens, por utilizarem essas ferramentas com maior intensidade, também tendem a identificar seus limites com mais facilidade.

“Não estamos vendo uma rejeição à inteligência artificial. O que está acontecendo é uma mudança de expectativa. A IA continua crescendo como ferramenta de busca, mas os consumidores passaram a exigir mais qualidade, transparência e confiabilidade das respostas. Isso mostra que o futuro da tecnologia dependerá menos do efeito novidade e mais da capacidade de gerar valor real para o usuário”, conclui.

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