Endividamento precoce atinge jovens brasileiros e acende alerta para impacto no empreendedorismo
Com quatro em cada dez jovens negativados, especialistas defendem educação financeira como ferramenta para crescimento econômico e geração de renda
O aumento do endividamento entre jovens brasileiros tem acendido um alerta para economistas, educadores e empreendedores. A entrada precoce no crédito, aliada à falta de planejamento financeiro, tem comprometido não apenas o consumo, mas também a capacidade de investimento e abertura de novos negócios.
Segundo a Serasa, o Brasil encerrou 2025 com um recorde de 81,2 milhões de inadimplentes, número que representa 49,7% da população adulta. O dado foi divulgado durante o Feirão Limpa Nome, iniciativa que oferece descontos de até 99% para negociação de dívidas e evidencia a dimensão do endividamento no país.
Entre os jovens, o cenário é ainda mais preocupante. Levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito mostra que quatro em cada dez jovens brasileiros já tiveram o nome negativado nos primeiros anos da vida financeira. Esse dado indica que a inadimplência começa cedo e pode afetar decisões importantes, como empreender, investir ou financiar estudos.
Para Deivyd Barros, jovem empreendedor e especialista em educação financeira, o impacto vai além do curto prazo. “Quando o jovem começa a vida adulta endividado, ele perde acesso ao crédito, reduz sua capacidade de investimento e, muitas vezes, adia projetos empreendedores que poderiam gerar renda e desenvolvimento local”, afirma.
Endividamento precoce limita empreendedorismo jovem
O crescimento do empreendedorismo entre jovens tem sido apontado como alternativa diante de um mercado de trabalho competitivo. No entanto, o endividamento pode se tornar uma barreira significativa para quem deseja abrir o próprio negócio.
Dados do Global Entrepreneurship Monitor mostram que o Brasil está entre os países com maior taxa de empreendedorismo inicial. Muitos desses empreendedores são jovens que começam pequenos negócios em áreas como comércio, serviços e economia digital. A dificuldade surge quando o histórico financeiro impede acesso a crédito e capital de giro.
“Empreender exige planejamento. Sem educação financeira, o jovem pode misturar finanças pessoais com as do negócio e aumentar o risco de endividamento. Isso cria um ciclo difícil de quebrar”, explica Deivyd.
Educação financeira como ferramenta de crescimento
Especialistas apontam que a educação financeira pode reduzir a inadimplência e fortalecer o empreendedorismo. Ao compreender conceitos básicos de orçamento, juros e planejamento, jovens passam a tomar decisões mais estratégicas.
Além do impacto individual, o tema também tem relevância econômica. Jovens com melhor organização financeira tendem a consumir de forma mais consciente, investir e gerar novos negócios, contribuindo para a economia local.
“A educação financeira não é apenas sobre cortar gastos. É sobre ensinar o jovem a usar o dinheiro como ferramenta para crescer, investir e criar oportunidades”, destaca o especialista.
Dados e caminhos para evitar o endividamento precoce
Alguns fatores ajudam a explicar o aumento da inadimplência entre jovens:
- Entrada precoce no crédito sem orientação
- Uso de cartão de crédito como complemento de renda
- Falta de planejamento ao iniciar pequenos negócios
- Ausência de reserva de emergência
- Desconhecimento sobre juros e renegociação
Para evitar esse cenário, especialistas recomendam algumas práticas:
- Criar orçamento mensal desde o início
- Separar finanças pessoais e do negócio
- Evitar parcelamentos longos sem planejamento
- Construir reserva de emergência
- Buscar educação financeira antes de empreender
“O jovem precisa entender que crédito não é renda. Quando esse conceito fica claro, as decisões financeiras passam a ser mais conscientes e sustentáveis”, afirma Deivyd.
Impacto social e econômico nas periferias
O endividamento jovem também tem reflexos sociais importantes, especialmente em regiões periféricas, onde o empreendedorismo surge como alternativa de geração de renda. A falta de acesso à educação financeira pode aumentar a vulnerabilidade econômica.
Nesse contexto, iniciativas educacionais ganham relevância. Programas de orientação financeira têm sido apontados como instrumentos para fortalecer a autonomia econômica e reduzir desigualdades.
“Quando levamos educação financeira para jovens de regiões periféricas, não estamos apenas falando de dinheiro. Estamos criando condições para que eles empreendam, gerem renda e transformem suas comunidades”, conclui o especialista.

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