A Importância da NR-1 para a Promoção da Saúde Mental nas Empresas – Por Dra. Paula Approbato de Oliveira ,Psicóloga , Neuropsicóloga e Doutora em Ciências – USP
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), atualizada pela Portaria nº 6.730/2020, representa um marco fundamental na consolidação de práticas de saúde e segurança no trabalho. Para além das medidas tradicionais de prevenção a acidentes físicos, a NR-1 amplia o olhar para a saúde mental dos trabalhadores, ao exigir o gerenciamento de riscos ocupacionais com base em avaliações integradas e contínuas.
Ao estabelecer o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a NR-1 obriga as organizações a identificarem, analisarem e controlarem não apenas os riscos físicos e químicos, mas também os psicossociais — como o estresse ocupacional, assédio moral, sobrecarga e jornadas extenuantes.
Estudos recentes reforçam a relevância dessa abordagem. De acordo com pesquisa publicada na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (Silva & Fischer, 2021), a implementação de programas estruturados de gestão de riscos psicossociais é essencial para redução significativa em afastamentos por transtornos mentais.
Portanto, a NR-1 oferece uma oportunidade estratégica para que empresários promovam ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis. Investir na saúde mental organizacional, com base nas diretrizes da norma, é não só um dever legal, mas um diferencial competitivo. Ambientes que priorizam o bem-estar emocional atraem e retêm talentos, reduzem custos com afastamentos e aumentam o engajamento.
A Psicologia Organizacional tem papel central nesse processo, auxiliando na implementação de diagnósticos, ações preventivas e treinamentos comportamentais. Ademais, a Psicologia Clínica exerce um papel essencial no fortalecimento do autocuidado em nível individual. Através do acompanhamento terapêutico, os trabalhadores têm a oportunidade de desenvolver estratégias para o manejo do estresse laboral, da ansiedade e de conflitos emocionais que, muitas vezes, se estendem para a vida pessoal, afetando relações familiares, sono, alimentação e autoestima. A integração entre as abordagens organizacional e clínica amplia a efetividade das ações de promoção à saúde mental, promovendo não apenas ambientes mais saudáveis, mas também indivíduos mais conscientes de seus limites e necessidades emocionais. Estudos indicam que intervenções psicoterapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), têm mostrado eficácia na redução do estresse ocupacional e na melhoria do bem-estar dos trabalhadores, contribuindo para a diminuição do absenteísmo e aumento da produtividade no ambiente de trabalho (Richardson e Rothstein, 2008).
Referências
- Silva, M. A., & Fischer, F. M. (2021). Fatores psicossociais no trabalho e sua relação com a saúde mental: revisão integrativa. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional.
- Ministério do Trabalho. (2020). Portaria nº 6.730/2020 – Atualização da NR-1.
- Richardson, K. M., & Rothstein, H. R. (2008). Effects of occupational stress management intervention programs: A meta-analysis. Journal of Occupational Health Psychology, 13(1), 69–93.
Acesse o site www.paulaapprobato.com.br

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