{"id":9289,"date":"2023-05-31T19:03:51","date_gmt":"2023-05-31T22:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=9289"},"modified":"2023-05-31T19:03:51","modified_gmt":"2023-05-31T22:03:51","slug":"big-techs-e-o-novo-paradigma-do-mercado-de-trabalho-por-karina-rehavia-fundadora-e-ceo-da-ollo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/05\/31\/big-techs-e-o-novo-paradigma-do-mercado-de-trabalho-por-karina-rehavia-fundadora-e-ceo-da-ollo\/","title":{"rendered":"Big Techs e o novo paradigma do mercado de trabalho &#8211; Por: Karina Rehavia, fundadora e CEO da Ollo"},"content":{"rendered":"<p>As informa\u00e7\u00f5es que chegam do mercado norte-americano indicam que a onda de demiss\u00f5es em massa nas big techs parece n\u00e3o ter afetado a disposi\u00e7\u00e3o das pessoas de buscar rela\u00e7\u00f5es de trabalho mais equilibradas, que conciliem vida pessoal e profissional de forma mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da consultoria Pollfish com mais de 500 profissionais mostrou que 89% das pessoas que trabalham com tecnologia querem mais flexibilidade e autonomia. Destes, 74% acham o modelo de trabalho freelancer mais atraente do que antes. Al\u00e9m disso, 66% das pessoas que participaram do levantamento disseram ter perdido a confian\u00e7a em suas empresas.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o apenas os primeiros sinais de um fen\u00f4meno cujas consequ\u00eancias, talvez, ainda n\u00e3o estejam claras. De toda forma, estes sinais est\u00e3o alinhados com as transforma\u00e7\u00f5es que v\u00eam ocorrendo no mercado profissional desde o in\u00edcio dos anos 2000, que ganharam impulso extra com a pandemia e com o boom do trabalho remoto ou h\u00edbrido, refor\u00e7ados pelo nomadismo digital.<\/p>\n<p>Percebo estas transforma\u00e7\u00f5es nas conversas rotineiras com profissionais de v\u00e1rias \u00e1reas. Para muitas pessoas, crach\u00e1, estabilidade e emprego para toda a vida n\u00e3o t\u00eam mais o valor que tinham para gera\u00e7\u00f5es anteriores. A procura por formas de trabalho mais equilibradas est\u00e1 longe de ser uma busca s\u00f3 das pessoas. Empresas j\u00e1 descobriram que trabalhar com profissionais independentes tem uma s\u00e9rie de benef\u00edcios, entre eles a flexibilidade na contrata\u00e7\u00e3o e o acesso a um pool de talentos com diversidade \u00fanica de perfis, compet\u00eancias e experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Uma tend\u00eancia mais recente \u00e9 a chegada deste movimento aos cargos de lideran\u00e7a, com a contrata\u00e7\u00e3o de executivos e at\u00e9 CEOs sob demanda. A modalidade \u00e9 cada vez mais usada por startups e permite o acesso a profissionais experientes sem o \u00f4nus de um custo fixo, o que muitas vezes esse tipo de empresa n\u00e3o tem como assumir.<\/p>\n<p>Os governos tamb\u00e9m est\u00e3o de olho nessa transforma\u00e7\u00e3o. Desde o final de outubro, Portugal oferece um visto espec\u00edfico para n\u00f4mades digitais. Em dezembro foi a vez da Espanha, que se juntou a uma lista que j\u00e1 conta com cerca de 40 pa\u00edses, atentos a este novo formato de vida e trabalho.<\/p>\n<p>Em comum, esses pa\u00edses perceberam que as pessoas que adotam o nomadismo digital costumam ter pelo menos duas qualidades desej\u00e1veis: conhecimento e iniciativa. \u201cDinamizar a economia\u201d e criar \u201cmicromultinacionais\u201d de exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os digitais foram duas justificativas que o governo de Portugal usou para defender a cria\u00e7\u00e3o desse visto especial.<\/p>\n<p>O Brasil tamb\u00e9m criou um visto semelhante no come\u00e7o do ano passado, embora ainda n\u00e3o tenha adotado nenhuma pol\u00edtica ativa para atrair profissionais independentes e n\u00f4mades digitais.<\/p>\n<p>Um dos desafios desse mercado livre de talentos \u00e9 a conex\u00e3o entre empresas e pessoas. Pela natureza do trabalho aut\u00f4nomo e do nomadismo digital, as pessoas, em sua maioria, est\u00e3o dispersas e nem sempre s\u00e3o encontradas pelos processos tradicionais usados pelos gestores de RH das empresas, ou por head-hunters.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o de talentos, a negocia\u00e7\u00e3o dos valores e a efetua\u00e7\u00e3o dos pagamentos. \u00c9 a\u00ed que entram plataformas de curadoria de talentos.<\/p>\n<p>Para empresas, \u00e9 uma forma de ter acesso a uma comunidade de pessoas que seriam dif\u00edceis de recrutar de outra forma \u2013 e que j\u00e1 passaram por um primeiro e rigoroso processo de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os talentos independentes, \u00e9 uma maneira de entrar no radar das empresas e, de quebra, facilita os contatos e deixa o processo de negocia\u00e7\u00e3o do contrato muito mais fluido.<\/p>\n<p>Tudo isso mostra que, mesmo em um mercado de trabalho mais disputado, vamos continuar assistindo a um fortalecimento desse movimento, marcado pela flexibilidade e por uma rela\u00e7\u00e3o mais horizontal ao alcance de um n\u00famero cada vez maior de pessoas e empresas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As informa\u00e7\u00f5es que chegam do mercado norte-americano indicam que a onda de demiss\u00f5es em massa nas big techs parece n\u00e3o ter afetado a disposi\u00e7\u00e3o das pessoas de buscar rela\u00e7\u00f5es de trabalho mais equilibradas, que conciliem vida pessoal e profissional de forma mais saud\u00e1vel. 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