{"id":7038,"date":"2023-03-09T12:32:11","date_gmt":"2023-03-09T15:32:11","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=7038"},"modified":"2023-03-09T12:32:11","modified_gmt":"2023-03-09T15:32:11","slug":"mulheres-seguem-em-desvantagem-no-mercado-de-trabalho-mas-mercados-promissores-podem-ser-aliados-no-combate-a-desigualdade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/03\/09\/mulheres-seguem-em-desvantagem-no-mercado-de-trabalho-mas-mercados-promissores-podem-ser-aliados-no-combate-a-desigualdade-de-genero\/","title":{"rendered":"Mulheres seguem em desvantagem no mercado de trabalho, mas mercados promissores podem ser aliados no combate \u00e0 desigualdade de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemBody\">\n<div class=\"itemIntroText\">\n<p>De acordo com divulga\u00e7\u00e3o recente da PNAD Cont\u00ednua, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do \u00faltimo trimestre de 2022 foi de 7,9% &#8211; o menor n\u00edvel para o per\u00edodo desde 2014, quando foi de 6,6%. Na perspectiva de g\u00eanero, entretanto, as mulheres seguem com desocupa\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia nacional. A pesquisa mostra que a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o foi de 6,5% para os homens e 9,8% para as mulheres no 4\u00ba trimestre de 2022.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>Esse \u00edndice acompanha a tend\u00eancia dos \u00faltimos anos. Entre 2019 e 2020 o pa\u00eds teve uma queda de 10% no n\u00famero de mulheres empregadas (um total de 4,2 milh\u00f5es de trabalhadoras), enquanto a queda na ocupa\u00e7\u00e3o entre homens foi de 7,9%, conforme destaca o estudo &#8220;Retrato do Trabalho Informal no Brasil: os desafios e caminhos de solu\u00e7\u00e3o&#8221;, publicado em 2022 pela Funda\u00e7\u00e3o Arymax e B3 Social.<\/p>\n<p>As desigualdades de g\u00eanero tamb\u00e9m chamam a aten\u00e7\u00e3o entre aqueles que est\u00e3o ativos no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Levantamento da consultoria IDAdos, com base na PNAD do IBGE, divulgada no in\u00edcio de 2022, apontou que as mulheres ganham cerca de 20% menos do que os homens no Brasil e a diferen\u00e7a salarial entre os g\u00eaneros segue neste patamar elevado mesmo quando se compara trabalhadores do mesmo perfil de escolaridade e idade e na mesma categoria de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diferentes abordagens podem ser propostas para combater essas diferen\u00e7as, come\u00e7ando por ajud\u00e1-las a equilibrar as responsabilidades que precisam cumprir com seu trabalho e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cA concess\u00e3o de licen\u00e7a-maternidade, arranjos de trabalho com hor\u00e1rios flex\u00edveis ou a provis\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es de cuidados, seja para crian\u00e7as ou idosos podem fazer a diferen\u00e7a na entrada e perman\u00eancia de mulheres no mercado de trabalho. Outras a\u00e7\u00f5es podem estar relacionadas \u00e0 mudan\u00e7a de pol\u00edticas e padr\u00f5es culturais das organiza\u00e7\u00f5es empregadoras, como \u00e9 o caso do estabelecimento de cotas a serem preenchidas por mulheres ou ainda pol\u00edticas salariais afirmativas de equipara\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o e outros programas de igualdade de g\u00eanero\u201d &#8211; explica Vivianne Naigeborin, Superintendente da Funda\u00e7\u00e3o Arymax.<\/p>\n<p>O Estudo &#8220;Inclus\u00e3o Produtiva no Brasil: evid\u00eancias para impulsionar oportunidades de trabalho e renda&#8221;, lan\u00e7ado pela Funda\u00e7\u00e3o Arymax em parceria com o Instituto Veredas no final de 2019, j\u00e1 apontava que, mesmo diante de um cen\u00e1rio desafiador para gera\u00e7\u00e3o de empregos, era poss\u00edvel identificar oportunidades em setores que devem experimentar crescimento ao longo dos pr\u00f3ximos anos. \u00c9 o caso dos setores de tecnologia, sa\u00fade e cuidados. O mesmo estudo indicava que tais setores podem ser especialmente estrat\u00e9gicos para popula\u00e7\u00f5es sub-representadas no setor produtivo, sendo, portanto, uma oportunidade para a promo\u00e7\u00e3o do aumento da participa\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho e do combate \u00e0 desigualdade g\u00eanero.<\/p>\n<p><strong>O SETOR DE TECNOLOGIA<\/strong><\/p>\n<p>O setor de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o (TI) apresenta perspectivas de grande aumento da demanda em pouco tempo. Essa tend\u00eancia de crescimento destoa de setores mais tradicionais da economia, que t\u00eam apresentado tend\u00eancia de estagna\u00e7\u00e3o ou encolhimento.<\/p>\n<p>Apesar das recentes ondas de demiss\u00f5es, o setor continua aquecido e segue sendo uma oportunidade para a inser\u00e7\u00e3o de profissionais no mercado de trabalho. Dados da Brasscom (Associa\u00e7\u00e3o das Empresas de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o) mostram que h\u00e1 um d\u00e9ficit anual de mais de 100 mil talentos em tecnologia desde 2021, e ressaltam a necessidade de incentivar mulheres no setor a fim de formar profissionais de modo a acompanhar essa demanda.<\/p>\n<p><strong>Diversidade no setor (Fonte Brasscom)<\/strong><\/p>\n<p>&gt; Mulheres representam 51% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. No mercado formal de trabalho (universo de trabalhadores com carteira assinada), no entanto, apenas 44% s\u00e3o do g\u00eanero feminino.<\/p>\n<p>&gt; No setor de tecnologia, as disparidades s\u00e3o mais evidentes, com apenas 39% de presen\u00e7a feminina.<\/p>\n<p>&gt; Sob o recorte racial, a disparidade no setor \u00e9 ainda maior: apenas 11,6% do percentual de profissionais do setor s\u00e3o mulheres negras.<\/p>\n<p><strong>Fonte: BRASSCOM (2022), Relat\u00f3rio de Diversidade.<\/strong><\/p>\n<p>Esse retrato da diversidade de ra\u00e7a e g\u00eanero no setor aponta para a demanda por a\u00e7\u00f5es que levem ao aumento da empregabilidade de mulheres, negras e brancas, para atua\u00e7\u00e3o no setor. Nesse sentido, ser\u00e1 fundamental o incentivo e capacita\u00e7\u00e3o dessas mulheres para atua\u00e7\u00e3o no setor.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o do gap de g\u00eanero em tecnologia por meio da educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Diante deste cen\u00e1rio, a {reprograma}, uma das iniciativas de empregabilidade apoiadas pela Funda\u00e7\u00e3o Arymax, trabalha pela redu\u00e7\u00e3o do gap de g\u00eanero no setor de tecnologia por meio da educa\u00e7\u00e3o, oferecendo cursos gratuitos e intensivos de programa\u00e7\u00e3o front e back-end para mulheres em vulnerabilidade econ\u00f4mica. O programa prioriza mulheres negras, trans e travestis, como forma de incluir minorias no mercado de tecnologia e promover a diversidade no setor.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 interessante incentivar programas de treinamento para mercados promissores como o de tecnologia a adotarem um enfoque de g\u00eanero em diferentes n\u00edveis. Esse enfoque pode se dar em uma dimens\u00e3o individual: na oferta de recursos para cobrir os gastos com o cuidado de crian\u00e7as, ou de ajuda para negociar a participa\u00e7\u00e3o da mulher no curso junto \u00e0s suas fam\u00edlias. Ou ainda, pode se refletir em uma dimens\u00e3o social, abrindo espa\u00e7o para que as mulheres compreendam a import\u00e2ncia de sua participa\u00e7\u00e3o no mercado do trabalho\u201d \u2013 refor\u00e7a Vivianne Naigeborin.<\/p>\n<p><strong>O MERCADO DE CUIDADOS<\/strong><\/p>\n<p>O aumento da longevidade como marca da transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica em muitos pa\u00edses, como \u00e9 o caso do Brasil, tem tornado cada vez mais evidente o fato de que a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de sa\u00fade e cuidados ser\u00e1 um imperativo para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>O Estudo &#8220;Inclus\u00e3o Produtiva no Brasil\u201d destaca que, nessa \u00e1rea, incluem-se tr\u00eas tipos de cuidado: de sa\u00fade, dom\u00e9stico e de educa\u00e7\u00e3o. Atualmente, a maior parte do trabalho de cuidado no mundo \u00e9 oferecido sem remunera\u00e7\u00e3o ou em condi\u00e7\u00f5es de informalidade, especialmente por mulheres de grupos em desvantagem social. Entretanto, o aumento da taxa de depend\u00eancia tem levado a um aumento na demanda por trabalho de cuidado pago.<\/p>\n<p>Esse mercado \u00e9 considerado uma importante fonte de renda no futuro, j\u00e1 que dificilmente pode ser substitu\u00eddo pelas tecnologias e robotiza\u00e7\u00e3o (OIT, 2019a). Segundo a OIT (2018b), a economia do cuidado pode gerar 475 milh\u00f5es de trabalhos at\u00e9 2030, e pode contribuir para uma maior inser\u00e7\u00e3o de mulheres no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Entendendo o setor de cuidados como um pilar estrat\u00e9gico, n\u00e3o s\u00f3 para Inclus\u00e3o Produtiva como para a sociedade, a Funda\u00e7\u00e3o Arymax apoia o grupo de pesquisa \u201cCuidando de Quem Cuida\u201d, liderada pelo CEBRAP (Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento), cujo foco \u00e9 compreender os desafios e as oportunidades do mercado brasileiro de cuidados domiciliares, principalmente com foco na gera\u00e7\u00e3o de trabalho e renda para mulheres.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil n\u00e3o pode e nem deveria subestimar a for\u00e7a de trabalho de suas mulheres. Com pol\u00edticas e programas que priorizem a inclus\u00e3o digna e equitativa das mulheres no mercado de trabalho, ganham n\u00e3o somente elas, mas tamb\u00e9m suas fam\u00edlias, a sociedade e o pa\u00eds.\u201d \u2013 finaliza a superintendente da Arymax.<\/p>\n<p><strong>A Funda\u00e7\u00e3o Arymax<\/strong><\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Arymax \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos criada em 1990 por Leon e Max Feffer, pai e filho, inspirada pelo preceito judaico da Tzedak\u00e1 ou \u201cJusti\u00e7a Social\u201d. Desde 2019, ap\u00f3s um rigoroso processo de pesquisa pautado pelo uso de evid\u00eancias, passou a atuar na causa da Inclus\u00e3o Produtiva, apostando no poder transformador do trabalho para as pessoas e para a sociedade.<\/p>\n<p>Assim, a Arymax mobiliza recursos privados para o desenvolvimento e fortalecimento de iniciativas sociais e organiza\u00e7\u00f5es brasileiras que atuam na inclus\u00e3o de pessoas em vulnerabilidade econ\u00f4mica no mundo do trabalho pela via do empreendedorismo ou da empregabilidade. E, mantendo vivo o legado de seus fundadores, apoia tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es da comunidade judaica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"e-mailit_toolbox circular  size48\">\n<div class=\"e-mailit_btn_EMAILiT\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com divulga\u00e7\u00e3o recente da PNAD Cont\u00ednua, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do \u00faltimo trimestre de 2022 foi de 7,9% &#8211; o menor n\u00edvel para o per\u00edodo desde 2014, quando foi de 6,6%. Na perspectiva de g\u00eanero, entretanto, as mulheres seguem com desocupa\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia nacional. 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