{"id":6979,"date":"2023-03-06T17:01:23","date_gmt":"2023-03-06T20:01:23","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=6979"},"modified":"2023-03-06T17:01:23","modified_gmt":"2023-03-06T20:01:23","slug":"mulheres-empoderadas-e-sinonimo-de-equidade-de-generos-por-cynthia-moleta-cominesi-engenheira-agronoma-ms-professora-e-empresaria-autora-do-livro-as-donas-da-p-toda-cel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/03\/06\/mulheres-empoderadas-e-sinonimo-de-equidade-de-generos-por-cynthia-moleta-cominesi-engenheira-agronoma-ms-professora-e-empresaria-autora-do-livro-as-donas-da-p-toda-cel\/","title":{"rendered":"Mulheres empoderadas \u00e9 sin\u00f4nimo de equidade de g\u00eaneros? &#8211; Por: Cynthia Moleta Cominesi &#8211; Engenheira agr\u00f4noma, Ms. professora e empres\u00e1ria. Autora do livro \u201cAs donas da p**** toda \u2013 Celebration\u201d. Instagram: @cynthiamoletacominesi"},"content":{"rendered":"<p>Como sempre, os dias que precedem o Dia Internacional da Mulher sempre me s\u00e3o cheios de trabalho. Atuando com projetos de empoderamento feminino desde 2009, acontece de surgir algum convite para participar em um evento com uma palestra, ou dar um depoimento sobre minha trajet\u00f3ria de vida, escrever algum artigo ou material para ser publicado no site da minha pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n<p>Bem no meio deste trabalho que envolve pesquisa, reflex\u00e3o, an\u00e1lise de dados etc. para escrever este artigo em si, aconteceu um fato na minha pr\u00f3pria casa que me fez questionar sobre a que tantas anda a quest\u00e3o do empoderamento feminino e a t\u00e3o sonhada igualdade ou ainda, equidade de g\u00eaneros. Assim, mesmo sendo um exemplo simples da vida di\u00e1ria e da rela\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e com seus filhos, acredito que ser\u00e1 bastante ilustrativo para a reflex\u00e3o que proponho aqui.<\/p>\n<p>Primeiro, preciso fazer uma contextualiza\u00e7\u00e3o. Sou engenheira agr\u00f4noma, empres\u00e1ria, professora. Fui casada por duas vezes e tive dois filhos, hoje eles t\u00eam 22 e 17 anos e, como j\u00e1 comentei, a quest\u00e3o do empoderamento feminino est\u00e1 na minha vida desde 2009, ou seja, realizando projetos para promover o empoderamento feminino e buscando o meu pr\u00f3prio empoderamento, tendo como lema \u201cMulheres apoiam Mulheres\u201d!<\/p>\n<p>Dentro deste cen\u00e1rio, \u00e9 fato que meus dois filhos homens desde muito pequenos tamb\u00e9m entraram em contato com este conceito, com estas pr\u00e1xis da mulher buscar o seu lugar no mundo, desde muito pequenos. Eles, mais do que ningu\u00e9m, viram a minha luta para cri\u00e1-los enquanto m\u00e3e solteira. Me acompanharam nas mudan\u00e7as de cidade em busca de melhores empregos e tamb\u00e9m sabem quantas vezes tive que deix\u00e1-los com terceiros para cumprir com minhas viagens a trabalho. Sabem das vezes que fiquei triste e desabafei sobre os preconceitos e desafios que enfrentei pelo simples fato de ser mulher. Tamb\u00e9m aprenderam sobre a necessidade de me ajudarem com os afazeres dom\u00e9sticos, uma vez que nem sempre pude pagar uma pessoa para cuidar da casa. Aprenderam a cozinhar a serem independentes e conhecendo o valor de uma m\u00e3e, mas, principalmente, de uma mulher. Com tudo isso, acredito que tiveram uma educa\u00e7\u00e3o diferenciada onde a presen\u00e7a do feminino forte n\u00e3o era a exce\u00e7\u00e3o e onde quest\u00f5es como simples sobre divis\u00e3o de tarefas dom\u00e9sticas e a igualdade de g\u00eanero era uma coisa clara e consumada. Mas, como se diz hoje em dia&#8230; #soquenao e voc\u00eas entenderam o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Agora vamos ao fato em si. Trabalho com consultoria para o agroneg\u00f3cio e com a pandemia fechei meu escrit\u00f3rio e passei a trabalhar home office e estou assim at\u00e9 hoje. Tento manter a minha rotina de trabalho dentro do hor\u00e1rio comercial, igual quando tinha o escrit\u00f3rio. Entretanto, estou em casa, isso significa que, quando tenho tempo, ainda cozinho e, quando estou disposta, organizo a casa, coloco roupas para lavar etc. Recentemente meu filho mais velho come\u00e7ou a trabalhar e hoje ele me enviou uma mensagem pelo WhatsApp me pedindo que eu \u201carrumasse\u201d as roupas dele que ainda estavam no varal (dos modelos m\u00f3veis), pois ele iria usar umas das camisas que estava l\u00e1. Como eu j\u00e1 tinha tirado da m\u00e1quina de lavar e colocado para secar, simplesmente peguei o varal e levei para o quarto dele. Quando ele chegou na hora do almo\u00e7o, foi at\u00e9 o quarto e viu aquilo, ficou incr\u00e9dulo. S\u00f3 escutei ele gritando no quarto \u201cn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea n\u00e3o teve a coragem de dobrar a minha roupa e colocar no arm\u00e1rio\u201d, como se fosse a coisa mais absurda do mundo. E a\u00ed eu \u00e9 que fiquei completamente chocada!<\/p>\n<p>N\u00e3o vou descrever toda a cena, que at\u00e9 seria c\u00f4mica se n\u00e3o fosse a revela\u00e7\u00e3o de uma verdade crua e dura para n\u00f3s mulheres sobre a quest\u00e3o de empoderamento e igualdade\/ equidade de g\u00eanero: ainda temos s\u00e9culos pela frente para que estes conceitos de fato se concretizem.<\/p>\n<p>Pois se o machismo surgiu nas a\u00e7\u00f5es de um homem criado por uma mulher dentro daquele contexto, e os homens em geral? Aqueles que ainda foram educados \u00e0 \u201cmoda antiga\u201d e que hoje em dia s\u00e3o nossos pais, nossos esposos, nossos chefes? O quanto este \u201cempoderamento feminino\u201d que, por sinal, s\u00f3 fazendo um adendo, est\u00e1 totalmente banalizado e virou um produto para empresas e pessoas venderem a imagem de socialmente justas &#8211; tem se transformado em igualdade, qui\u00e7\u00e1 equidade de g\u00eanero?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que a educa\u00e7\u00e3o que ele recebeu foi falha? N\u00e3o acho isso. O que percebo \u00e9 que as mulheres est\u00e3o cada vez mais empoderadas, com certeza. Est\u00e3o cheias de atitudes de valoriza\u00e7\u00e3o, de autorreconhecimento e de poder. \u00c9 tanto que muitas vezes parece que mulheres e homens est\u00e3o num cabo de guerra. Mas, quando refletimos sobre onde queremos chegar com isso, trago dados que comprovam meu ponto de vista de que ainda temos s\u00e9culos de jornada pela frente. De acordo com o relat\u00f3rio do Global Gender Gap Report de 2002 elaborado pelo World Economic Forum, com o ritmo atual do progresso, em \u00e2mbito global, levaremos 136 anos para alcan\u00e7armos paridade entre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>Neste contexto, me parece ser urgente refletirmos sobre isso, talvez tirar o foco na quest\u00e3o do \u201cempoderamento feminino\u201d e sim pensarmos uma maneira de alcan\u00e7ar os homens de maneira concreta sobre a quest\u00e3o de equidade de g\u00eanero. Vejo cada vez mais mulheres confundirem o \u201cempoderamento\u201d com a \u201cs\u00edndrome da mulher maravilha\u201d, ou seja, para se sentirem empoderadas assumem m\u00faltiplas tarefas, cuidam da casa, dos filhos, precisam ser exemplares no trabalho, realizar a\u00e7\u00f5es para ajudar a comunidade etc. Ou seja, a mulher est\u00e1 sendo sobrecarregada cada vez mais e talvez nem perceba que isto est\u00e1 longe de ser uma luta por igualdade, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 um progresso real do lado do sexo masculino e os dados comprovam isso. O mesmo relat\u00f3rio do Global Gender Gap aponta que na quest\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos n\u00e3o remunerados somente 19% dos homens que trabalham ajudam nas tarefas di\u00e1rias enquanto este dado sobe para 55% no caso das mulheres e o estudo ainda menciona que, com aumento dos custos de cuidados infantis, existe um alto risco de que o trabalho de cuidado com a casa e filhos continuar\u00e1 a ser imposta \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p>Outro dado que revela que o \u201ccomportamento\u201d masculino n\u00e3o avan\u00e7a, inclusive piora, \u00e9 na quest\u00e3o relacionada ao ass\u00e9dio e microagress\u00f5es. Segundo dados da pesquisa mundial realizada pela Deloite, \u201cWomen @ Work 2022\u201d realizada em 2021, 44% das mulheres brasileiras passaram situa\u00e7\u00f5es desse tipo; em 2022, o n\u00famero subiu para 60%. No caso das mulheres em grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior e elas est\u00e3o mais propensas do que a m\u00e9dia global, e que a m\u00e9dia geral do Brasil, a vivenciar essas viol\u00eancias.<\/p>\n<p>Com este cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que um grande grupo de mulheres (44% das brasileiras) se sente esgotada e, muitas vezes, fiz parte deste grupo.<\/p>\n<p>Voltando para a situa\u00e7\u00e3o vivenciada com meu filho, como uma mulher conhecedora do seu valor enquanto ser humano, capaz de fazer qualquer coisa que um homem faz, mas querer fazer do mesmo jeito que um homem faria e sem nenhuma culpa (algumas mulheres que s\u00e3o m\u00e3es se sentem culpadas com rela\u00e7\u00e3o aos filhos e vice-versa), simplesmente trouxe ele para a realidade do modus operandi da nossa casa, onde homens e mulheres fazem o que tem que ser feito na mesma medida.<\/p>\n<p>E como reflex\u00e3o final, na mesma medida que as mulheres est\u00e3o se empoderando, precisamos sensibilizar os homens para esta nova realidade, digo sensibilizar porque ele j\u00e1 \u00e9 conhecedor deste novo cen\u00e1rio, mas ele age como que se tivesse simplesmente observando do lado de fora e isto demonstra que, talvez, ele acredite que a quest\u00e3o do empoderamento feminino n\u00e3o tenha nada a ver com ele.<\/p>\n<p>E a quest\u00e3o \u00e9: como podemos fazer isso? Talvez mudando o foco podemos diminuir o tempo em 10, 30 ou 50 anos? Para alcan\u00e7ar a paridade entre os g\u00eaneros. Eu j\u00e1 tenho algumas ideias, mas deixo aberto para que voc\u00eas, leitoras e leitores, tamb\u00e9m pensem sobre isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como sempre, os dias que precedem o Dia Internacional da Mulher sempre me s\u00e3o cheios de trabalho. 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