{"id":6663,"date":"2023-02-14T15:25:28","date_gmt":"2023-02-14T18:25:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=6663"},"modified":"2023-02-14T15:25:28","modified_gmt":"2023-02-14T18:25:28","slug":"lideres-que-contratam-pessoas-inteligentes-e-dizem-a-elas-o-que-devem-fazer-porjoana-garoupa-e-autora-do-livro-manual-de-sobrevivencia-para-o-mundo-corporativo-lancado-no-brasil-pela-primavera-edi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/02\/14\/lideres-que-contratam-pessoas-inteligentes-e-dizem-a-elas-o-que-devem-fazer-porjoana-garoupa-e-autora-do-livro-manual-de-sobrevivencia-para-o-mundo-corporativo-lancado-no-brasil-pela-primavera-edi\/","title":{"rendered":"L\u00edderes que contratam pessoas inteligentes e dizem a elas o que devem fazer &#8211; Por:Joana Garoupa \u00e9 autora do livro Manual de Sobreviv\u00eancia para o Mundo Corporativo, lan\u00e7ado no Brasil pela Primavera Editorial. Aos 47 anos, a portuguesa de alma alentejana \u2013 mais propriamente de Estremoz \u2013 \u00e9 apaixonada por marcas e come\u00e7ou o percurso profissional em ag\u00eancias de publicidade e de rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas, tais como a McCann, Publicis ou DDB."},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz sentido contratar pessoas inteligentes e, depois, dizer a elas o que devem ou n\u00e3o fazer. Essa elabora\u00e7\u00e3o, em livre tradu\u00e7\u00e3o, \u00e9 de Steve Jobs; mas, a despeito de todo o sucesso e prest\u00edgio dele, essa frase n\u00e3o ressoa entre muitos dos l\u00edderes empresariais do nosso tempo. Em Portugal, eu tenho pedido inputs sobre temas do universo de mercado de trabalho e de gest\u00e3o de talentos para desenvolver artigos; e, sempre que toco nessa quest\u00e3o, um interlocutor fala sobre a aus\u00eancia do sentimento de valoriza\u00e7\u00e3o dos profissionais. Minha caixa de mensagens no LinkedIn est\u00e1 repleta de relatos com os contextos mais variados que comprovam a tend\u00eancia de contratar especialistas e n\u00e3o os deixar exercerem, livremente, a expertise que possuem.<\/p>\n<p>Uma pessoa passa anos estudando determinada disciplina para se tornar um especialista, depois dedica mais anos para aplicar o que aprendeu em diversas empresas, organiza\u00e7\u00f5es e diversos escrit\u00f3rios \u2013 ultrapassando desafios e gerindo pol\u00edticas empresariais. Em seguida, investe horas em forma\u00e7\u00f5es e confer\u00eancias para se atualizar e continuar a ser relevante dentro do contexto profissional. E, tudo isso, muitas vezes, \u00e9 colocado de lado pelos l\u00edderes. Um pensamento comum \u00e9: \u201cAt\u00e9 que me parece interessante, mas ningu\u00e9m usa isso aqui. \u00c9 melhor procurar outra solu\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Acontece que, algumas vezes, vemos a opini\u00e3o pessoal (muitas vezes infundada) sobrepor-se a todo o conhecimento adquirido ao longo de anos de experi\u00eancias. E, isso, sem qualquer cerim\u00f4nia! Confesso que, por meu background ser na \u00e1rea de Marketing, fiquei arrepiada quando esse assunto aflorou. A minha experi\u00eancia diz que de futebol e de comunica\u00e7\u00e3o\/marketing todas as pessoas acham que entendem; todos t\u00eam uma opini\u00e3o \u201cdoutoral\u201d sobre o assunto.<\/p>\n<p>O fato de o cargo de Chief Marketing Officer, nos \u00faltimos anos, ter mudado de sem\u00e2ntica v\u00e1rias vezes, n\u00e3o ajuda a tornar tang\u00edvel a import\u00e2ncia da disciplina. Muitas organiza\u00e7\u00f5es adotaram novas denomina\u00e7\u00f5es para a fun\u00e7\u00e3o \u2013 Chief Growth Officer, Chief Customer Officer, Chief Purpose Officer, Chief Commercial Officer, Chief Brand Officer \u2013, demonstrando a falta de confian\u00e7a no verdadeiro sentido do Marketing. Ou seja, ao mudar o nome do cargo corre-se o risco de retirar as compet\u00eancias de Marketing em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a, exatamente em um momento crucial para os neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O que parece ser um problema da \u00e1rea de Marketing \u00e9, na verdade, uma quest\u00e3o de respeito a v\u00e1rias outras \u00e1reas das empresas. Ou seja, a sensa\u00e7\u00e3o de desrespeito pelo conhecimento adquirido \u00e9 transversal a v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es e v\u00e1rios cargos. As pessoas est\u00e3o insatisfeitas, nem sempre com o trabalho ou com a empresa em si, mas por se sentirem pouco respeitadas ou valorizadas. Outro aspecto \u00e9 a incompatibilidade com os valores e as vis\u00f5es dos chefes. Sinto que, tal como em um carrossel, andamos em c\u00edrculo, chegando sempre ao mesmo local: a quest\u00e3o da lideran\u00e7a de pessoas (ou a falta dela).<\/p>\n<p>Em uma perspectiva propositiva, gostaria de lembrar aos l\u00edderes que os profissionais precisam se sentir admirados ou percebidos. Sem uma dessas duas vari\u00e1veis pelo menos, nunca essa pessoa poder\u00e1 ser realizada no que faz. E como conseguir isso? A minha regra pessoal \u00e9, todos os dias, tentar ser uma l\u00edder melhor; fazer melhor, sem dramas. Se hoje n\u00e3o fui perfeito, amanh\u00e3 tentarei novamente. Como dicas, elenco quatro atitudes b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>#1 | Ouvir o outro, em vez de darmos logo a nossa opini\u00e3o.<\/p>\n<p>#2 | Em vez de apontar o erro rapidamente e dizer como \u00e9 que se deve fazer, procuro levantar quest\u00f5es, dando espa\u00e7o para que o profissional possa explicar as suas escolhas. Dessa forma, busco fazer com que seja ele, por meio das minhas perguntas e da reflex\u00e3o dele, a chegar \u00e0 conclus\u00e3o a que se pretende.<\/p>\n<p>#3 | Pensar sempre que aquele profissional faz o que acha que \u00e9 melhor, por alguma raz\u00e3o.<\/p>\n<p>#4 | Dar o feedback n\u00e3o sobre a pessoa em si, mas sobre um determinado comportamento ou trabalho. \u00c9 muito diferente dizer \u201co que \u00e9 que se passa com voc\u00ea?\u201d de \u201cvoc\u00ea n\u00e3o consegue cumprir prazos nos \u00faltimos tempos; a sua performance n\u00e3o est\u00e1 no mesmo n\u00edvel costumeiro\u201d. Embora a mensagem seja a mesma, ela muda por conta da forma como o profissional vai ouvir o que \u00e9 dito.<\/p>\n<p>Gerir pessoas d\u00e1 um enorme trabalho, mas \u00e9 a base de tudo! Isso porque n\u00e3o se faz nada sem as pessoas certas ao nosso lado. E para serem as certas, temos que deix\u00e1-las ser elas mesmas. Ou seja, devemos garantir que esse profissional tenha espa\u00e7o para aplicar seus conhecimentos e, com isso, estaremos valorizando a experi\u00eancia e compet\u00eancia dele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz sentido contratar pessoas inteligentes e, depois, dizer a elas o que devem ou n\u00e3o fazer. Essa elabora\u00e7\u00e3o, em livre tradu\u00e7\u00e3o, \u00e9 de Steve Jobs; mas, a despeito de todo o sucesso e prest\u00edgio dele, essa frase n\u00e3o ressoa entre muitos dos l\u00edderes empresariais do nosso tempo. 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