{"id":6322,"date":"2023-01-26T15:36:26","date_gmt":"2023-01-26T18:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=6322"},"modified":"2023-01-26T15:36:26","modified_gmt":"2023-01-26T18:36:26","slug":"gestao-sem-chefe-por-matheus-bombig-e-cofundador-da-invenis-startup-que-tem-o-proposito-de-ajudar-a-resolver-os-litigios-do-brasil-tambem-e-cofundador-e-conselheiro-da-associacao-brasileira-de-la","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/01\/26\/gestao-sem-chefe-por-matheus-bombig-e-cofundador-da-invenis-startup-que-tem-o-proposito-de-ajudar-a-resolver-os-litigios-do-brasil-tambem-e-cofundador-e-conselheiro-da-associacao-brasileira-de-la\/","title":{"rendered":"Gest\u00e3o sem chefe &#8211; Por: Matheus Bombig \u00e9 cofundador da Invenis, startup que tem o prop\u00f3sito de ajudar a resolver os lit\u00edgios do Brasil. Tamb\u00e9m \u00e9 cofundador e conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) e cofundador do Surf Junkie Club."},"content":{"rendered":"<p class=\"fst-italic text-center\">Gest\u00e3o sem chefe ganha for\u00e7a no mercado corporativo<\/p>\n<div>\n<p>No imagin\u00e1rio corporativo apresentado em filmes e s\u00e9ries, os chefes muitas vezes s\u00e3o caracterizados por aspectos negativos, sendo figuras autorit\u00e1rias e desagrad\u00e1veis. Infelizmente, n\u00e3o raro esse clich\u00ea acaba se repetindo tamb\u00e9m no mundo real, em que essas lideran\u00e7as exercem um papel negativo e improdutivo junto aos colaboradores. Pouco a pouco, por\u00e9m, essa realidade vem passando por algumas transforma\u00e7\u00f5es \u00e0 medida em que cresce o conceito do \u201cmodelo Unbossing\u201d (sem chefe, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Por mais que a gest\u00e3o vertical, baseada numa rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica clara entre l\u00edderes e liderados siga ainda sendo a mais comum, o interesse global por uma alternativa mais adaptada \u00e0 complexidade das rela\u00e7\u00f5es atuais em que os funcion\u00e1rios s\u00e3o dotados de maior autonomia e fluidez de trabalho tamb\u00e9m aumenta consideravelmente. Hoje, por exemplo, algumas das principais corpora\u00e7\u00f5es do planeta, como Google, Netflix e Uber, j\u00e1 utilizam parte desse conceito em seus modelos organizacionais.<\/p>\n<p>Isso acontece tamb\u00e9m porque j\u00e1 existe a comprova\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de que a estrutura hier\u00e1rquica piramidal traz preju\u00edzos financeiros \u00e0s companhias. Estudo produzido em 2016 por Gary Hamel e Michele Zanini, autores do livro \u201cHumanocracia: Criando Organiza\u00e7\u00f5es t\u00e3o incr\u00edveis quanto as pessoas que as formam\u201d, aponta que a centraliza\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es gera um preju\u00edzo aproximado de US$ 3 trilh\u00f5es ao ano somente em corpora\u00e7\u00f5es dos EUA.<\/p>\n<p>As perdas econ\u00f4micas do modelo tradicional de trabalho, baseado em comando e controle, \u00e9 motivada principalmente pelo fato das poucas pessoas no topo, por mais inteligentes e competentes que possam ser, n\u00e3o conseguirem dar a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mais variadas ideias de melhorias ou at\u00e9 mesmo tomar as decis\u00f5es no\u00a0<em>timing<\/em>\u00a0correto. Imagine, por exemplo, quantas propostas n\u00e3o s\u00e3o apresentadas por falta de espa\u00e7o na agenda dos CEOs e outros c-levels? Ou ent\u00e3o, quantas delas n\u00e3o v\u00e3o adiante, mesmo ap\u00f3s a sua apresenta\u00e7\u00e3o, porque o l\u00edder n\u00e3o teve tempo e nem viv\u00eancia suficiente para entender a fundo os benef\u00edcios e impactos daquele movimento.<\/p>\n<p>J\u00e1 no sentido contr\u00e1rio, em uma gest\u00e3o horizontal, o princ\u00edpio \u00e9 de que qualquer trabalhador pode assumir um papel decisivo e contribuir para a tomada de decis\u00f5es, seja desde em rela\u00e7\u00e3o ao dinheiro gasto pela organiza\u00e7\u00e3o com investimentos pontuais, ou at\u00e9 mesmo contrata\u00e7\u00f5es, promo\u00e7\u00f5es, aumento, entre outros. No entanto, antes de qualquer decis\u00e3o se transformar em a\u00e7\u00e3o, existe um processo de aconselhamento, em que o colaborador colhe a opini\u00e3o daqueles que ser\u00e3o impactados pela decis\u00e3o e de funcion\u00e1rios experientes que vivenciaram situa\u00e7\u00f5es parecidas.<\/p>\n<p>Depois, essa pessoa ir\u00e1 considerar todos os conselhos recebidos e, se julgar que sua decis\u00e3o realmente faz sentido, poder\u00e1 lev\u00e1-la adiante. Caso fique em d\u00favida, ela pode reajustar o que decidiu e trazer novamente para sess\u00f5es de aconselhamento at\u00e9 que se sinta confort\u00e1vel em agir. No final, a decis\u00e3o do aconselhado \u00e9 soberana e ningu\u00e9m tem o poder de glos\u00e1-la. Dessa forma, toda estrat\u00e9gia \u00e9 sempre influenciada por uma intelig\u00eancia coletiva e engajada. Ou seja, todos acabam levando os pareceres recebidos muito a s\u00e9rio, pois do mesmo modo que um funcion\u00e1rio gostaria que o outro prezasse pela sua opini\u00e3o, ele tamb\u00e9m dar\u00e1 cr\u00e9dito a outras vis\u00f5es.<\/p>\n<p>Por conta de todos esses pontos positivos, n\u00e3o \u00e9 de se espantar os resultados trazidos por um estudo da Harvard Business Review. Nele, 66% dos trabalhadores revelaram preferir abrir m\u00e3o do cargo de chefia em troca de oportunidades que tragam uma maior liberdade e flexibilidade a suas fun\u00e7\u00f5es. Este dado comprova que assumir um cargo de lideran\u00e7a j\u00e1 deixou de ser um desejo profissional e, atualmente, a maioria \u00e9 atra\u00edda por vagas que proporcionem a possibilidade de construir, fazer parte de algo, deixar um legado.<\/p>\n<p>Agora, por mais evidente que a gest\u00e3o descentralizada traga a autonomia para os profissionais e, consequentemente, um maior engajamento deles junto \u00e0 empresa, \u00e9 preciso ressaltar \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es de que n\u00e3o existe uma receita de bolo para a implementa\u00e7\u00e3o do modelo organizacional. Cada empresa precisa entender o seu contexto e avaliar se realmente \u00e9 fact\u00edvel de ser implementado. Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 fato: o primeiro passo rumo \u00e0 ado\u00e7\u00e3o do conceito passa justamente por uma decis\u00e3o de quem lidera esse ambiente hoje.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o \u201cmodelo Unbossing\u201d est\u00e1 caminhando a passos largos no mercado corporativo. Obviamente, ainda existem pontos envolta da gest\u00e3o descentralizada que devem ser melhor avaliados nos pr\u00f3ximos anos, por\u00e9m j\u00e1 \u00e9 inevit\u00e1vel imaginar que o conceito baseado em profissionais mais motivados e engajados n\u00e3o pare de ganhar relev\u00e2ncia. At\u00e9 porque j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel observar sinais de que \u00e9 a maneira mais eficaz de\u00a0fortalecer estrat\u00e9gias e atrair profissionais qualificados e engajados com as causas das empresas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gest\u00e3o sem chefe ganha for\u00e7a no mercado corporativo No imagin\u00e1rio corporativo apresentado em filmes e s\u00e9ries, os chefes muitas vezes s\u00e3o caracterizados por aspectos negativos, sendo figuras autorit\u00e1rias e desagrad\u00e1veis. Infelizmente, n\u00e3o raro esse clich\u00ea acaba se repetindo tamb\u00e9m no mundo real, em que essas lideran\u00e7as exercem um papel negativo e improdutivo junto aos colaboradores. 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