{"id":4886,"date":"2022-11-02T11:50:57","date_gmt":"2022-11-02T14:50:57","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=4886"},"modified":"2022-11-02T11:53:32","modified_gmt":"2022-11-02T14:53:32","slug":"falta-mao-de-obra-onde-sobram-empregos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2022\/11\/02\/falta-mao-de-obra-onde-sobram-empregos\/","title":{"rendered":"Falta m\u00e3o de obra onde sobram empregos"},"content":{"rendered":"<p>Embora 10 milh\u00f5es de brasileiros ainda estejam desempregados, dados da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) apontam que o Brasil precisar\u00e1 formar 4,2 milh\u00f5es de trabalhadores para a economia digital at\u00e9 2025. Levantamento do Senai mostra que os oito setores mais necessitados s\u00e3o: minera\u00e7\u00e3o e metalmec\u00e2nica, log\u00edstica e transporte, infraestrutura e urbanismo, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, eletroeletr\u00f4nica, automotivo, telecomunica\u00e7\u00f5es e energia.<\/p>\n<p>Diante do desafio, especialistas em educa\u00e7\u00e3o ouvidos pelo Valor apontam que o pa\u00eds precisa aprimorar um modelo de ensino que prepare os jovens para o mundo do trabalho desde o ensino fundamental e m\u00e9dio, preferencialmente com a parceria de empresas durante o processo. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o deve vir em detrimento do ensino superior, que bem ou mal se apresenta como a op\u00e7\u00e3o real de profissionaliza\u00e7\u00e3o existente no pa\u00eds atualmente.<\/p>\n<p>\u201cApesar da Constitui\u00e7\u00e3o, no artigo 205, dizer que \u00e9 responsabilidade da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica formar para o mundo do trabalho, o pa\u00eds nunca se preocupou devidamente com a profissionaliza\u00e7\u00e3o dos nossos jovens\u201d, diz Ana Inoue, superintendente do Ita\u00fa Educa\u00e7\u00e3o e Trabalho.<\/p>\n<p>A entidade defende a amplia\u00e7\u00e3o e o fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o profissional e tecnol\u00f3gica. \u201cA grande avenida de profissionaliza\u00e7\u00e3o realmente constitu\u00edda no Brasil \u00e9 a universidade, e os cursos t\u00e9cnicos existem como se fossem uma coisa de segunda categoria por erros do passado. Mas a gente precisa repensar todo sistema educacional.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Inoue, os cursos t\u00e9cnicos do passado para profiss\u00f5es muito espec\u00edficas da ind\u00fastria deixaram a impress\u00e3o equivocada de que o ensino profissionalizante \u00e9 voltado para fun\u00e7\u00f5es que oferecem poucas perspectivas de carreira para o futuro e sal\u00e1rios mais baixos. Contudo, a transforma\u00e7\u00e3o da economia para profiss\u00f5es cada vez mais tecnol\u00f3gicas e digitais exige que o sistema educacional se modernize justamente para aumentar a possibilidade de os jovens encontrarem suas voca\u00e7\u00f5es ainda na escola e melhorarem as suas perspectivas.<\/p>\n<p>Ela avalia que o Novo Ensino M\u00e9dio, que prop\u00f5e rotas em que os estudantes podem priorizar disciplinas nas \u00e1reas em que t\u00eam mais interesse, abre uma oportunidade, mas existe um grande desafio at\u00e9 que gere resultados.<\/p>\n<p>\u201cA lei em si n\u00e3o faz nada. Ela abre a possibilidade das redes estaduais, que t\u00eam a maior parte das matr\u00edculas, se organizarem para oferecer educa\u00e7\u00e3o profissional\u201d, afirma Inoue. \u201cIsso \u00e9 bom, mas temos que saber, na educa\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o de pessoas, isso leva tempo. \u00c9 necess\u00e1rio reorganizar todo o sistema e saber bem como vamos colocar os jovens para pensar, se relacionar e ocupar espa\u00e7os no mundo do trabalho.\u201d<\/p>\n<p>A especialista explica que o ideal \u00e9 incentivar, desde a educa\u00e7\u00e3o infantil, a forma\u00e7\u00e3o de pessoas acostumadas a articular conhecimentos, lidar com atividades pr\u00e1ticas e com resolu\u00e7\u00e3o de problemas que v\u00e3o gradualmente ser apresentados de maneira mais complexa ao longo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>\u201cIsso vai servir para todo o tipo de profissional depois, seja da \u00e1rea de humanas, seja de exatas\u201d, defende Inoue. \u201cSaber que existe um mundo do trabalho \u00e9 algo natural inclusive para as crian\u00e7as, pois elas brincam disso. O objetivo \u00e9 construir um caminho que entendam desde sempre e aproxim\u00e1-las da pr\u00e1tica do fazer.\u201d Segundo ela, todo o cuidado \u00e9 v\u00e1lido para que isso n\u00e3o seja interpretado como incentivo ao trabalho infantil, um \u201cfantasma que realmente est\u00e1 presente em pa\u00edses como o Brasil\u201d e que exige aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO que estou falando \u00e9 formar e falar sobre o trabalho de forma a fazer os jovens entenderem que n\u00e3o \u00e9 uma coisa menor do que o estudo e a vida acad\u00eamica. E que tampouco ser\u00e1 um obst\u00e1culo para quem desejar ocupar profiss\u00f5es acad\u00eamicas e intelectuais\u201d, explica Inoue.<\/p>\n<p>Essa ideia de educa\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem ganhado mais ader\u00eancia entre os jovens. Segundo uma pesquisa da plataforma Atlas das Juventudes, 5 a cada 10 jovens consideram que os conte\u00fados mais importantes para a escola est\u00e3o relacionados a prepara\u00e7\u00e3o ao mundo do trabalho e atividades que exercitam a intelig\u00eancia emocional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, embora seja natural pensar na juventude quando se fala em uma reorganiza\u00e7\u00e3o educacional, existe um contingente grande de brasileiros que j\u00e1 sa\u00edram das escolas e precisar\u00e3o se requalificar para ganharem espa\u00e7o no mercado de trabalho nas fun\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo demandadas. Esse p\u00fablico precisar\u00e1 ser assistido por iniciativas da sociedade civil em parceria direta com as empresas que enfrentam dificuldades para preencher vagas.<\/p>\n<p>A edtech SoulCode Academy atua nessa linha com a miss\u00e3o autodeclarada de transformar desempregados em profissionais de tecnologia. \u201cDe um lado a gente tem mais de 30 milh\u00f5es de invis\u00edveis e do outro h\u00e1 milhares de oportunidades em startups e empresas que demandam um tipo de qualifica\u00e7\u00e3o diferente hoje\u201d, observa a CEO, Carmela Borst.<\/p>\n<p>Ela explica que os cursos chegam a ter carga hor\u00e1ria de 800 horas e s\u00e3o oferecidos on-line de forma gratuita para os interessados de qualquer idade. Muitos deles s\u00e3o planejados previamente em parceria com empresas, que financiam os cursos, o que contribui para que 90% dos alunos saiam empregos ao fim dos estudos.<\/p>\n<p>Patricia Alves, de 39 anos, \u00e9 uma das alunas da SoulCode que usou o curso t\u00e9cnico da edtech como oportunidade para encontrar a sua trajet\u00f3ria profissional. Ela terminou o ensino m\u00e9dio em 2001 e chegou a ingressar em uma faculdade de desenvolvimento de sistemas em 2008, mas n\u00e3o conseguiu concluir o ensino superior. Passou uma d\u00e9cada se virando em diversas ocupa\u00e7\u00f5es. \u201cQuando ia preencher um formul\u00e1rio, nunca sabia o que colocar no campo profiss\u00e3o. Isso me dava um desconforto\u201d, diz. \u201cHoje posso dizer com orgulho que sou engenheira de dados.\u201d<\/p>\n<p>M\u00e3e de tr\u00eas filhos e com a experi\u00eancia de quem se formou em magist\u00e9rio e chegou a dar aulas para crian\u00e7as, Patricia sugere que um modelo de ensino b\u00e1sico mais voltado a encontrar as voca\u00e7\u00f5es de cada aluno, em vez de exigir excel\u00eancia em todas as disciplinas, poderia t\u00ea-la ajudado a planejar melhor a sua vida profissional. \u201cUma das filhas se cobra demais para ser nota 10 em tudo e estou tentando ajud\u00e1-la a identificar o que ela mais tem afinidade para que tenha um desenvolvimento mais natural que o meu\u201d, revela.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora 10 milh\u00f5es de brasileiros ainda estejam desempregados, dados da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) apontam que o Brasil precisar\u00e1 formar 4,2 milh\u00f5es de trabalhadores para a economia digital at\u00e9 2025. 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