{"id":23270,"date":"2026-10-12T14:23:48","date_gmt":"2026-10-12T17:23:48","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=23270"},"modified":"2026-10-12T14:23:48","modified_gmt":"2026-10-12T17:23:48","slug":"por-que-o-executivo-de-compras-ganhou-status-estrategico-nas-grandes-empresas-por-erick-boano-e-ceo-da-gep-brasil-empresa-global-de-tecnologia-e-consultoria-estrategica-para-procurement-e-supply-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/10\/12\/por-que-o-executivo-de-compras-ganhou-status-estrategico-nas-grandes-empresas-por-erick-boano-e-ceo-da-gep-brasil-empresa-global-de-tecnologia-e-consultoria-estrategica-para-procurement-e-supply-c\/","title":{"rendered":"Por que o executivo de compras ganhou status estrat\u00e9gico nas grandes empresas &#8211; Por: Erick Boano \u00e9 CEO da GEP Brasil, empresa global de tecnologia e consultoria estrat\u00e9gica para procurement e supply chain."},"content":{"rendered":"<div>Houve um tempo em que a \u00e1rea de compras de uma grande corpora\u00e7\u00e3o era vista quase como um departamento cartorial. O foco cl\u00e1ssico estava em &#8220;carimbar pedidos&#8221;, processar requisi\u00e7\u00f5es e, na melhor das hip\u00f3teses, espremer centenas de fornecedores em negocia\u00e7\u00f5es puramente transacionais. Esse modelo r\u00fastico morreu. Diante de um cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico global complexo, monitorado de perto por proje\u00e7\u00f5es de crescimento global do Banco Mundial e persistentes tens\u00f5es geopol\u00edticas afetando custos de energia, testemunhamos o antigo gerente de suprimentos dar lugar ao Chief Procurement Officer (CPO). Esse executivo hoje senta-se \u00e0 mesa do comit\u00ea executivo, desempenhando um papel vital na sobreviv\u00eancia financeira das companhias.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu por acaso ou preciosismo corporativo. Fomos empurrados para o centro das decis\u00f5es. Se olharmos para o balan\u00e7o das grandes ind\u00fastrias e empresas de servi\u00e7os, os custos com fornecedores, log\u00edstica e mat\u00e9ria-prima costumam representar entre 50% e 70% do faturamento bruto. Diante disso, sempre provoco os comit\u00eas executivos com uma reflex\u00e3o simples: qualquer ganho de efici\u00eancia ou mitiga\u00e7\u00e3o de risco que conquistamos em nossa \u00e1rea reverbera imediatamente, e na mesma propor\u00e7\u00e3o, na margem de lucro l\u00edquida (bottom line) da companhia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Minha convic\u00e7\u00e3o, endossada pelo que vivemos diariamente no mercado, \u00e9 clara: a \u00e1rea de compras est\u00e1 deixando de ser apenas um centro de custo para se tornar uma \u00e1rea de intelig\u00eancia de neg\u00f3cios. Quem conseguir utilizar dados de forma estrat\u00e9gica ter\u00e1 uma vantagem competitiva muito relevante no mercado atual. O foco exclusivo no menor pre\u00e7o cedeu espa\u00e7o ao conceito de Custo Total de Propriedade (TCO), que calcula o impacto financeiro de ponta a ponta, avaliando riscos de conformidade, fretes e pegada de carbono.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O grande catalisador dessa virada de chave tem nome: tecnologia e a chegada definitiva da Intelig\u00eancia Artificial preditiva e ag\u00eantica. No passado, o maior desafio do comprador era a escassez de dados confi\u00e1veis; hoje, o obst\u00e1culo \u00e9 filtrar o excesso de informa\u00e7\u00f5es. De acordo com os levantamentos de mercado do Grand View Research, o setor global de softwares de procurement ultrapassou a marca dos US$ 11 bilh\u00f5es nos \u00faltimos anos, impulsionado justamente pela necessidade corporativa de visibilidade de gastos em tempo real e automa\u00e7\u00e3o de ponta a ponta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica nos permite abandonar uma postura puramente reativa para adotar um modelo estritamente preditivo. Antes, as empresas negociavam olhando apenas para o hist\u00f3rico de transa\u00e7\u00f5es. Hoje, a IA permite tomar decis\u00f5es antecipando o que provavelmente vai acontecer nos pr\u00f3ximos meses. Isso muda completamente o poder de barganha e a governan\u00e7a das negocia\u00e7\u00f5es. Historicamente, an\u00e1lises setoriais mostram que solu\u00e7\u00f5es de sourcing automatizadas e integradas (Source-to-Pay) trazem um incremento substancial de efici\u00eancia, registrando uma m\u00e9dia de 25% a 40% de aumento na captura de economias (savings) reais p\u00f3s-ado\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m da efici\u00eancia financeira, o novo CPO assumiu o papel de gestor de riscos geopol\u00edticos e reputacionais. Dados atualizados do nosso \u00edndice global de volatilidade na GEP, o GEP Supply Chain Volatility Index, t\u00eam apontado um cen\u00e1rio de forte cautela para os bens manufaturados globalmente, com ind\u00fastrias operando com estoques de seguran\u00e7a reduzidos e cortando compras preventivas. Em contrapartida, press\u00f5es de capacidade geradas por apag\u00f5es de m\u00e3o de obra qualificada trazem um desafio extra de resili\u00eancia para os gestores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesse tabuleiro, o CPO atua desenhando estrat\u00e9gias de diversifica\u00e7\u00e3o de fornecedores e monitorando os crit\u00e9rios socioambientais (ESG) de toda a base de parceiros. Afinal, a reputa\u00e7\u00e3o de uma marca n\u00e3o pode ser arranhada pelo elo mais fraco de sua cadeia produtiva.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para acompanhar esse novo patamar de relev\u00e2ncia, o perfil do profissional da \u00e1rea tamb\u00e9m precisou mudar drasticamente. Habilidades puras de barganha comercial j\u00e1 n\u00e3o bastam para liderar. O mercado hoje exige l\u00edderes com cultura data-driven, vis\u00e3o macroecon\u00f4mica ampla e uma forte capacidade de Gest\u00e3o de Relacionamento com Fornecedores (SRM), transformando fornecedores em parceiros de inova\u00e7\u00e3o conjunta, e n\u00e3o em meros prestadores de servi\u00e7o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O status estrat\u00e9gico alcan\u00e7ado pelo CPO nas grandes corpora\u00e7\u00f5es reflete a maturidade do mercado brasileiro e global. Em um cen\u00e1rio econ\u00f4mico em que as margens de lucro est\u00e3o cada vez mais pressionadas e a previsibilidade se tornou um luxo, a intelig\u00eancia de compras consolidou-se como a ferramenta mais eficaz para garantir resili\u00eancia, rentabilidade e perenidade para os neg\u00f3cios no longo prazo.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que a \u00e1rea de compras de uma grande corpora\u00e7\u00e3o era vista quase como um departamento cartorial. 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