{"id":23223,"date":"2026-09-18T00:09:56","date_gmt":"2026-09-18T03:09:56","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=23223"},"modified":"2026-09-18T00:09:56","modified_gmt":"2026-09-18T03:09:56","slug":"programas-de-voluntariado-corporativo-por-que-empresas-que-se-envolvem-de-verdade-constroem-ambientes-melhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/09\/18\/programas-de-voluntariado-corporativo-por-que-empresas-que-se-envolvem-de-verdade-constroem-ambientes-melhores\/","title":{"rendered":"Programas de voluntariado corporativo: por que empresas, que se envolvem de verdade, constroem ambientes melhores*"},"content":{"rendered":"<p>Empresas est\u00e3o tentando resolver um problema estrutural com ferramentas operacionais e isso n\u00e3o est\u00e1 funcionando. Benef\u00edcios, metas mais claras e rituais de gest\u00e3o s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o suficientes para endere\u00e7ar o principal desafio das organiza\u00e7\u00f5es hoje: o engajamento real das pessoas.<\/p>\n<p>Profissionais n\u00e3o se conectam apenas com o que fazem. Eles se conectam com o que aquilo que os representa em valores e, nas suas preocupa\u00e7\u00f5es mais amplas. E \u00e9 justamente nesse ponto que muitas empresas falham ao transformar prop\u00f3sito em discurso, mas n\u00e3o em experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo a Gallup, apenas 23% dos trabalhadores no mundo est\u00e3o engajados, e no Brasil esse \u00edndice historicamente fica abaixo da m\u00e9dia global. Ao mesmo tempo, estudos da Deloitte mostram que organiza\u00e7\u00f5es percebidas como orientadas por prop\u00f3sito apresentam n\u00edveis significativamente maiores de reten\u00e7\u00e3o e lealdade. Ainda assim, praticamente todas as empresas afirmam ter um prop\u00f3sito claro, o que evidencia uma desconex\u00e3o persistente entre o que se diz e o que se vive no dia a dia corporativo. Minha experi\u00eancia tem me mostrado que \u00e9 crescente uma nova onda de descr\u00e9dito sobre os prop\u00f3sitos t\u00e3o cuidadosamente descritos, de algumas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa dist\u00e2ncia se torna ainda mais cr\u00edtica quando a empresa ignora os problemas concretos que fazem parte da vida de seus colaboradores. Quest\u00f5es como dificuldade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es da estrutura f\u00edsica das escolas p\u00fablicas, problemas cr\u00f4nicos de mobilidade urbana, dificuldade de acesso \u00e0 moradia digna e seguran\u00e7a, apenas para citar alguns, n\u00e3o desaparecem quando o profissional entra no escrit\u00f3rio. Ao desconsiderar esse contexto, a organiza\u00e7\u00e3o cria uma cultura artificial, distante da realidade de quem sustenta o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse cen\u00e1rio que o voluntariado corporativo bem estruturado ganha relev\u00e2ncia. De acordo com o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), cerca de 34% dos brasileiros j\u00e1 realizaram algum tipo de atividade volunt\u00e1ria, e o interesse por participa\u00e7\u00e3o social cresceu nos \u00faltimos anos. Ou seja, o desejo de contribuir j\u00e1 existe, o que falta, muitas vezes, \u00e9 a estrutura para canalizar esse engajamento de forma consistente.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso separar o que gera impacto do que apenas gera visibilidade. Existe uma diferen\u00e7a clara entre voluntariado estrat\u00e9gico e iniciativas pontuais, muitas vezes desconectadas da realidade da empresa. O primeiro se sustenta em continuidade, governan\u00e7a, crit\u00e9rios de impacto e envolvimento real da lideran\u00e7a. O segundo tende a produzir baixo efeito e, em alguns casos, at\u00e9 ceticismo interno, especialmente em um contexto em que colaboradores est\u00e3o cada vez mais atentos \u00e0 coer\u00eancia entre discurso e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Quando bem estruturado, o impacto do voluntariado corporativo vai al\u00e9m da dimens\u00e3o social. Estudos publicados pela Harvard Business Review mostram que profissionais envolvidos nessas iniciativas desenvolvem compet\u00eancias cr\u00edticas para o neg\u00f3cio, como lideran\u00e7a, adaptabilidade e capacidade de lidar com problemas complexos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um efeito organizacional relevante: a aproxima\u00e7\u00e3o entre lideran\u00e7a e equipe. Ao participar ativamente dessas a\u00e7\u00f5es, executivos deixam de ser percebidos como desconectados da realidade da base da pr\u00f3pria pir\u00e2mide econ\u00f4mica da empresa e passam a compartilhar experi\u00eancias concretas com seus times, fortalecendo a confian\u00e7a e o senso de pertencimento, mais do que tudo, identidade por compartilhar preocupa\u00e7\u00f5es e construir solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para o C-level, a discuss\u00e3o n\u00e3o deveria ser se vale a pena investir nesse tipo de iniciativa, mas como utiliz\u00e1-la de forma estrat\u00e9gica. Em um ambiente de neg\u00f3cios cada vez mais pressionado por produtividade, inova\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de talentos, a cultura deixou de ser um tema abstrato. Ela impacta diretamente a capacidade de execu\u00e7\u00e3o das empresas.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es que conseguem construir uma conex\u00e3o genu\u00edna com seus colaboradores, o que passa, necessariamente, por reconhecer o contexto social em que est\u00e3o inseridos, criam ambientes mais est\u00e1veis, engajados e preparados para crescer. As demais seguem tentando resolver um problema estrutural com solu\u00e7\u00f5es superficiais.<\/p>\n<p>No fim, voluntariado corporativo n\u00e3o \u00e9 sobre responsabilidade social no sentido tradicional. \u00c9 sobre reduzir a dist\u00e2ncia entre a empresa e a realidade das pessoas que a constroem todos os dias. E, cada vez mais, \u00e9 essa dist\u00e2ncia que separa empresas que podem genuinamente contar com o compromisso de seus profissionais para construir o futuro.<\/p>\n<p>*por Jo\u00e3o Roncati, CEO da People+Strategy &#8211; consultoria brasileira reconhecida e respeitada por seu trabalho estrat\u00e9gico com a alta lideran\u00e7a de grandes companhias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas est\u00e3o tentando resolver um problema estrutural com ferramentas operacionais e isso n\u00e3o est\u00e1 funcionando. Benef\u00edcios, metas mais claras e rituais de gest\u00e3o s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o suficientes para endere\u00e7ar o principal desafio das organiza\u00e7\u00f5es hoje: o engajamento real das pessoas. Profissionais n\u00e3o se conectam apenas com o que fazem. 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