{"id":23179,"date":"2026-09-17T22:48:43","date_gmt":"2026-09-18T01:48:43","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=23179"},"modified":"2026-09-17T22:48:43","modified_gmt":"2026-09-18T01:48:43","slug":"16o-concred-quando-crescer-nao-basta-e-o-desafio-e-nao-perder-a-essencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/09\/17\/16o-concred-quando-crescer-nao-basta-e-o-desafio-e-nao-perder-a-essencia\/","title":{"rendered":"16\u00ba Concred &#8211;  Quando crescer n\u00e3o basta e o desafio \u00e9 n\u00e3o perder a ess\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Realizado em Goi\u00e2nia, no Centro de Conven\u00e7\u00f5es da PUC Goi\u00e1s, o 16\u00ba Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Cr\u00e9dito reuniu cerca de 5 mil participantes, entre presenciais e virtuais, e mobilizou outros 3 mil jovens no Integra\u00e7\u00e3o Juventude, no final do m\u00eas de agosto, em uma programa\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o financeira, ao empreendedorismo, \u00e0 intelig\u00eancia artificial e ao futuro do trabalho. O evento mostrou um setor em expans\u00e3o, diante da transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da necessidade de renovar sua lideran\u00e7a. Ao mesmo tempo, o Pr\u00eamio ProsperaCoop revelou iniciativas que mostram como sustentabilidade, impacto social e governan\u00e7a podem deixar de ser discurso para se transformar em pr\u00e1tica.<\/strong><\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o come\u00e7a antes mesmo de chegar ao congresso. No aeroporto de Goi\u00e2nia j\u00e1 era poss\u00edvel perceber que alguma coisa diferente acontecia. Pessoas chegavam e partiam carregando malas, crach\u00e1s, expectativas e uma mesma identifica\u00e7\u00e3o. Concred.<\/p>\n<p>Ao longo do caminho at\u00e9 o Centro de Conven\u00e7\u00f5es da PUC Goi\u00e1s, a sensa\u00e7\u00e3o se confirmava. Eram milhares de pessoas vindas de diferentes regi\u00f5es do Brasil para participar de um dos principais encontros do cooperativismo financeiro do mundo. Havia dirigentes, conselheiros, gestores, especialistas, profissionais de diferentes \u00e1reas, jovens, muitos jovens, e representantes de diversos sistemas cooperativos. Uma diversidade que, mais do que compor o p\u00fablico do evento, revelava a dimens\u00e3o que o cooperativismo de cr\u00e9dito alcan\u00e7ou no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Estar dentro de um congresso com milhares de pessoas \u00e9 diferente de ler seus n\u00fameros. \u00c9 perceber que, por tr\u00e1s de cada estat\u00edstica, existem pessoas, hist\u00f3rias, escolhas, territ\u00f3rios e rela\u00e7\u00f5es que d\u00e3o sentido ao crescimento de um setor que deixou de ocupar um espa\u00e7o perif\u00e9rico no sistema financeiro brasileiro.<\/p>\n<p>Mais do que um congresso do setor financeiro, o 16\u00ba Concred parece ter marcado uma mudan\u00e7a de maturidade do cooperativismo brasileiro. A pergunta, portanto, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas como crescer. \u00c9 como crescer sem perder a identidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-23181\" src=\"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/21fe1e62-5ae5-4d9d-ac79-017c819b1c4f-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o esteve presente em toda a programa\u00e7\u00e3o do evento: mais de 60 especialistas e palestrantes distribu\u00eddos em cinco eixos tem\u00e1ticos que colocaram lado a lado tecnologia, sustentabilidade, governan\u00e7a, intercoopera\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gia e humanidade. A pr\u00f3pria proposta do congresso foi constru\u00edda para equilibrar a ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias com a ess\u00eancia colaborativa que caracteriza o modelo cooperativista.<\/p>\n<h3><strong>Cooperativismo de Cr\u00e9dito<\/strong><\/h3>\n<p>Os n\u00fameros ajudam a compreender a dimens\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2025, o cooperativismo de cr\u00e9dito brasileiro alcan\u00e7ou <strong>21,2 milh\u00f5es de cooperados e R$ 1,036 trilh\u00e3o em ativos<\/strong>, com crescimento do cr\u00e9dito e das capta\u00e7\u00f5es acima do restante do Sistema Financeiro Nacional. Sua presen\u00e7a tamb\u00e9m se expandiu territorialmente: as cooperativas atuam em <strong>3.287 munic\u00edpios<\/strong>, sendo a \u00fanica presen\u00e7a financeira em <strong>1.072 deles<\/strong>, fortalecendo produtores, pequenos neg\u00f3cios, empresas e comunidades.<\/p>\n<h5>Esse crescimento amplia sua <strong>responsabilidade sobre o desenvolvimento dos territ\u00f3rios<\/strong>. Assim, crescimento, sustentabilidade, governan\u00e7a, tecnologia e reputa\u00e7\u00e3o passam a integrar uma mesma agenda e uma das discuss\u00f5es que ajudou a ampliar essa compreens\u00e3o apareceu no lan\u00e7amento da terceira edi\u00e7\u00e3o da cartilha <strong>\u201cReten\u00e7\u00e3o de Riqueza nos Munic\u00edpios: Rela\u00e7\u00e3o entre Cooperativas de Cr\u00e9dito e Entes P\u00fablicos Municipais\u201d<\/strong>.<\/h5>\n<p><strong>Construindo conhecimento<\/strong><\/p>\n<p>Na abertura do evento, o <strong>presidente da Confebras, Luiz Lesse Moura Santos<\/strong>, destacou que os grandes desafios do cooperativismo financeiro exigem reflex\u00e3o coletiva. Para ele, o Concred \u00e9 um espa\u00e7o de converg\u00eancia em que especialistas, lideran\u00e7as e profissionais podem <strong>construir conhecimento para todo o setor<\/strong>. Na mesma dire\u00e7\u00e3o <strong>Lu\u00eds Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB\/GO<\/strong>-Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia da moderniza\u00e7\u00e3o e da<strong> inova\u00e7\u00e3o sem que o cooperativismo perca sua identidade<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo os presidentes, a preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas acompanhar a transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. \u00c9 preparar pessoas e organiza\u00e7\u00f5es para uma nova realidade <strong>sem abrir m\u00e3o daquilo que diferencia o cooperativismo financeiro: a proximidade<\/strong> e essa discuss\u00e3o ganhou ainda mais for\u00e7a quando a intelig\u00eancia artificial entrou em cena.<\/p>\n<p>Na palestra <strong>\u201cCooperativismo na Era da Intelig\u00eancia Artificial: como liderar a transforma\u00e7\u00e3o sem perder a ess\u00eancia\u201d<\/strong>, o cientista-chefe da TDS Company, <strong>Silvio Meira<\/strong>, chamou aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de uma nova compreens\u00e3o do trabalho. Segundo o especialista, a intelig\u00eancia artificial modifica radicalmente o papel das pessoas e exige uma nova \u201cgram\u00e1tica do trabalho\u201d, na qual o ser humano precisa continuar sendo prioridade.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que surge uma das quest\u00f5es centrais observadas durante o Concred: Se a tecnologia pode automatizar processos, analisar dados e ampliar a capacidade de decis\u00e3o, o que n\u00e3o pode ser automatizado quando o que est\u00e1 em jogo \u00e9 confian\u00e7a? Em texto preparat\u00f3rio do congresso, Luiz Lesse resumiu essa preocupa\u00e7\u00e3o ao afirmar e confirmar que o cooperativismo nasceu da proximidade e sobrevive dela. Para o presidente da Confebras, portanto, a tecnologia deve qualificar essa proximidade e nunca substitu\u00ed-la.<\/p>\n<h3><strong>Quando o maior capital s\u00e3o as pessoas<\/strong><\/h3>\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m encontra eco na trajet\u00f3ria de <strong>Moacir Krambeck<\/strong>, ex-presidente da Confebras. Em di\u00e1logo com ele e o palestrante\u00a0 <strong>Marcelo C\u00e1rfora<\/strong>, autor de <em>Filoscoopia<\/em>, conversamos sobre a humaniza\u00e7\u00e3o como um dos princ\u00edpios que d\u00e3o sentido ao cooperativismo e sobre o livro <em>Cora\u00e7\u00e3o-A hist\u00f3ria de Moacir Krambeck, um l\u00edder cooperativista guiado pelo cora\u00e7\u00e3o<\/em>, de Roberta Caldas, que registra uma trajet\u00f3ria marcada por escolhas em que as rela\u00e7\u00f5es humanas ocupam lugar central. Krambeck sintetiza, em uma frase, em nosso di\u00e1logo o que registrou em sua trajet\u00f3ria sobre o cooperativismo: <strong>\u201cO maior capital nas cooperativas s\u00e3o as pessoas.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o ganha ainda mais significado quando observada diante dos desafios apresentados no congresso. Se as pessoas s\u00e3o o maior capital, como preserv\u00e1-lo em um ambiente de transforma\u00e7\u00e3o acelerada, intelig\u00eancia artificial, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e diferentes formas de lideran\u00e7a? Talvez por tudo isso a pergunta que atravessou o 16\u00ba Concred n\u00e3o tenha sido apenas sobre crescimento, mas tamb\u00e9m sobre identidade.<\/p>\n<h5><strong>Quando o futuro exige que as organiza\u00e7\u00f5es\u00a0<\/strong><strong>voltem a olhar para as pessoas<\/strong><\/h5>\n<p>Se o maior capital das cooperativas s\u00e3o as pessoas, como lembrou Krambeck, algumas das palestras que pude conferir no 16\u00ba Concred parecem ter respondido, cada uma a seu modo, a uma mesma quest\u00e3o: <strong>como preparar organiza\u00e7\u00f5es e pessoas para um futuro que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo sem perder aquilo que nos torna humanos?<\/strong><\/p>\n<p>O psic\u00f3logo e especialista em Inova\u00e7\u00e3o e futuro do trabalho<strong>, Genesson Honorato<\/strong> trouxe essa quest\u00e3o para o cotidiano do trabalho ao discutir os efeitos da tecnologia, da hiperconectividade e da intelig\u00eancia artificial sobre a aten\u00e7\u00e3o humana. Se a aten\u00e7\u00e3o se tornou um recurso escasso, preservar a capacidade de escutar, concentrar-se e estabelecer rela\u00e7\u00f5es passa a ser tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 a psicanalista, escritora e pesquisadora das rela\u00e7\u00f5es humanas, <strong>Maria Homem<\/strong> ampliou essa reflex\u00e3o ao propor uma nova compreens\u00e3o da lideran\u00e7a diante das mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, da tecnologia e das formas de conviv\u00eancia. Liderar, nesse novo cen\u00e1rio, deixa de significar apenas conduzir pessoas para resultados e passa a exigir escuta, compreens\u00e3o e capacidade de construir rela\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Lisiane Lemos<\/strong>, executiva de tecnologia e ent\u00e3o secret\u00e1ria de Inclus\u00e3o Digital e Apoio \u00e0s Pol\u00edticas de Equidade do Rio Grande do Sul, \u00a0acrescentou outra dimens\u00e3o ao apresentar a diversidade como estrat\u00e9gia de neg\u00f3cio. Diferentes experi\u00eancias, origens e perspectivas n\u00e3o deveriam ocupar apenas um espa\u00e7o simb\u00f3lico nas organiza\u00e7\u00f5es, mas participar efetivamente da constru\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es. A diversidade, nesse sentido, deixa de ser apenas uma quest\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o e passa a ser tamb\u00e9m uma condi\u00e7\u00e3o para ampliar a capacidade de compreender problemas, inovar e responder a uma sociedade cada vez mais complexa.<\/p>\n<p>A executiva e especialista em sustentabilidade e finan\u00e7as sustent\u00e1veis <strong>Denise Hills<\/strong> levou essa mesma discuss\u00e3o para uma escala ainda maior. Ao falar sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, sustentabilidade e decis\u00f5es econ\u00f4micas, mostrou que as escolhas financeiras produzem consequ\u00eancias sobre pessoas, trabalhadores, fornecedores, comunidades e territ\u00f3rios. O risco clim\u00e1tico, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas ambiental. \u00c9 econ\u00f4mico, social e humano.<\/p>\n<p>E <strong>Denise Fraga<\/strong>, atriz, escritora e cronista, ao abordar as <strong>\u201cConex\u00f5es humanas em tempos digitais\u201d<\/strong>, parece fechar esse percurso retomando aquilo que est\u00e1 na origem de todas essas transforma\u00e7\u00f5es: <strong>as rela\u00e7\u00f5es<\/strong>. Em uma realidade marcada pela comunica\u00e7\u00e3o digital e pelo avan\u00e7o das tecnologias, a reflex\u00e3o sobre v\u00ednculos, empatia e escuta recoloca o ser humano no centro da discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o cinco olhares diferentes para uma mesma quest\u00e3o. <strong>Genesson fala da aten\u00e7\u00e3o. Maria Homem, da lideran\u00e7a. Lisiane, da diversidade. Denise Hills, da responsabilidade das decis\u00f5es. Denise Fraga, das rela\u00e7\u00f5es. <\/strong>Juntos, eles ajudam a compreender que <strong>o grande desafio das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 apenas em acompanhar a velocidade das mudan\u00e7as, mas em n\u00e3o perder as pessoas de vista enquanto mudam.<\/strong><\/p>\n<h3><strong>O que fica quando os n\u00fameros terminam<\/strong><\/h3>\n<p>Foi observando esse conjunto de discuss\u00f5es que uma percep\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a se formar para mim durante o congresso. Falava-se de intelig\u00eancia artificial, sustentabilidade, governan\u00e7a, diversidade, lideran\u00e7a, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, cr\u00e9dito e desenvolvimento. Temas aparentemente diferentes, mas que tinham um ponto de encontro: <strong>todos dependiam, de alguma maneira, das escolhas humanas.<\/strong><\/p>\n<p>A tecnologia pode transformar processos. A intelig\u00eancia artificial pode ampliar capacidades. Dados podem qualificar decis\u00f5es. A sustentabilidade pode orientar investimentos. A diversidade pode ampliar perspectivas, mas nada disso elimina a necessidade de confian\u00e7a. E confian\u00e7a n\u00e3o nasce de um algoritmo, de um relat\u00f3rio ou de uma campanha de comunica\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 constru\u00edda nas rela\u00e7\u00f5es, nas experi\u00eancias e na percep\u00e7\u00e3o que as pessoas formam a partir daquilo que uma organiza\u00e7\u00e3o efetivamente faz.<\/p>\n<p>Foi nesse momento que o Concred cumpriu seu papel e me levou a uma reflex\u00e3o que ultrapassa o pr\u00f3prio cooperativismo. <strong>A reputa\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o talvez seja menos determinada pelo que ela afirma ser e mais pela experi\u00eancia humana que consegue produzir.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 o que tenho chamado de \u201c<strong>dimens\u00e3o humana da reputa\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong>. N\u00e3o como uma f\u00f3rmula pronta, mas como uma perspectiva de an\u00e1lise: olhar para aquilo que existe entre o discurso e a pr\u00e1tica, entre a promessa e a experi\u00eancia, entre a passagem e a viv\u00eancia, entre aquilo que uma organiza\u00e7\u00e3o comunica e aquilo que as pessoas efetivamente sentem e percebem.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a frase de Krambeck ganha uma nova dimens\u00e3o. Se <strong>\u201co maior capital nas cooperativas s\u00e3o as pessoas\u201d<\/strong>, talvez cuidar desse capital n\u00e3o seja apenas uma quest\u00e3o de gest\u00e3o de pessoas. \u00c9 tamb\u00e9m cuidar das rela\u00e7\u00f5es que sustentam a confian\u00e7a e, consequentemente, a pr\u00f3pria reputa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cooperativismo, essa rela\u00e7\u00e3o parece ainda mais evidente porque sua identidade nasceu justamente da ideia de que pessoas podem se unir para construir algo que individualmente seria mais dif\u00edcil realizar. Talvez seja essa a verdadeira pergunta que ficou de Goi\u00e2nia: <strong>quando uma organiza\u00e7\u00e3o cresce, o que precisa fazer para que seu tamanho n\u00e3o seja maior do que sua capacidade de continuar sendo reconhecida pelas pessoas como aquilo que diz ser?<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Pr\u00eamio ProsperaCoop 2026<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Quando ESG deixa de ser discurso<\/strong><\/h3>\n<p>Criado pela <strong>Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira das Cooperativas de Cr\u00e9dito (Confebras)<\/strong>, o pr\u00eamio reconhece pr\u00e1ticas de sustentabilidade desenvolvidas pelas cooperativas de cr\u00e9dito brasileiras. A iniciativa integra o <strong>Programa ProsperaCoop<\/strong>, que tem como refer\u00eancias os valores do cooperativismo, a agenda ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Em sua segunda edi\u00e7\u00e3o o pr\u00eamio trabalhou com tr\u00eas categorias: <strong>Meio Ambiente, Social e Governan\u00e7a.<\/strong> Poderiam participar projetos de impacto socioambiental que tenham sido iniciados at\u00e9 janeiro de 2024. Essa exig\u00eancia \u00e9 relevante porque desloca a avalia\u00e7\u00e3o da promessa para a pr\u00e1tica, ou seja, n\u00e3o se tratava de apresentar uma ideia para o futuro, mas de demonstrar a exist\u00eancia de uma iniciativa em desenvolvimento e seus resultados, comenta a <strong>idealizadora do premio Telma Galletti, superintendente da Confebras.<\/strong><\/p>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi realizada em etapas e ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, <strong>foram selecionados 60 projetos<\/strong>,<strong> sendo 20 de cada categoria.<\/strong> Os finalistas, avaliados por uma equipe altamente qualificada e em suas \u00e1reas, foram comunicados em junho e a classifica\u00e7\u00e3o final foi revelada no 16\u00ba Concred. \u201cO que torna o ProsperaCoop particularmente importante \u00e9 justamente a possibilidade de transformar ESG em pr\u00e1tica, diz <strong>Cl\u00e1udia Leite, especialista em ESG e curadora do pr\u00eamio<\/strong>. Al\u00e9m disso, para as organizadoras, o pr\u00eamio \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de criar refer\u00eancias dentro do pr\u00f3prio setor, pois uma cooperativa passa a olhar para outra e perceber que uma pr\u00e1tica pode ser adaptada, aperfei\u00e7oada e reproduzida em outro territ\u00f3rio. \u201cE para n\u00f3s, isso \u00e9 gratificante\u201d, acrescentam Telma e Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, para as respons\u00e1veis, o pr\u00eamio d\u00e1 visibilidade a iniciativas que muitas vezes permaneceriam restritas \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o que as desenvolveu e, ao mesmo tempo, aproxima sustentabilidade a reputa\u00e7\u00e3o. Uma organiza\u00e7\u00e3o pode comunicar que tem prop\u00f3sito. Mas \u00e9 a pr\u00e1tica que d\u00e1 consist\u00eancia ao discurso. O ProsperaCoop, portanto, funciona, nesse sentido, como uma esp\u00e9cie de vitrine dessa coer\u00eancia.<\/p>\n<h3><strong>Os projetos que se tornaram vitrine<\/strong><\/h3>\n<h3><strong>Meio Ambiente: 1\u00ba lugar \u2014 Unicred Premium Capital<br \/>\nProjeto: \u201cBatalh\u00e3o do Bem! O Cooperativismo em A\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Criado em Santa Maria (RS), o projeto combina reutiliza\u00e7\u00e3o de res\u00edduos t\u00eaxteis, qualifica\u00e7\u00e3o profissional, gera\u00e7\u00e3o de renda e empreendedorismo. A iniciativa j\u00e1 atuou em munic\u00edpios como Santa Maria, Santiago, Uruguaiana e Cachoeira do Sul e, em 2026, ampliou sua atua\u00e7\u00e3o para Santa Cruz do Sul. O projeto j\u00e1 reaproveitou mais de tr\u00eas toneladas de res\u00edduos, realizou a certifica\u00e7\u00e3o de mais de 200 pessoas e mais de mil horas de capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Social<\/strong>: <strong>1\u00ba lugar \u2014 Unicred Uni\u00e3o<br \/>\nProjeto: \u201cVila Cooperar\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Realizado em Joinville (SC), o projeto levou m\u00fasica, cultura, educa\u00e7\u00e3o financeira e princ\u00edpios do cooperativismo a aproximadamente 2 mil alunos de 17 escolas municipais, utilizando o teatro musical como instrumento de aprendizagem e inclus\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Governan\u00e7a: 1\u00ba lugar \u2014 Sicoob Sarom<br \/>\nProjeto: Movimento CoopEduca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Criado em 2013, em S\u00e3o Roque de Minas (MG), o programa trabalha educa\u00e7\u00e3o cooperativista, empreendedora, financeira e sustent\u00e1vel e se expandiu para outros 17 munic\u00edpios com mais de 120 escolas parceiras, alcan\u00e7ando mais de 60 mil alunos e capacitando mais de 2.200 professores.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas projetos revelam algo importante: sustentabilidade n\u00e3o tem uma \u00fanica forma. Ela pode estar na redu\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e na gera\u00e7\u00e3o de renda. Pode estar na educa\u00e7\u00e3o e na cultura. Pode estar na forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens para a continuidade do pr\u00f3prio modelo cooperativista e \u00e9 nessa diversidade que o conceito de ESG ganha concretude. (Conhe\u00e7a os projetos: https:\/\/premioprospera.coop.br\/)<\/p>\n<h4><strong>Mulheres: maioria no trabalho, minoria no poder<\/strong><\/h4>\n<p>Um dos dados que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o durante o congresso veio justamente da discuss\u00e3o sobre lideran\u00e7a feminina. No cooperativismo financeiro, <strong>59% da for\u00e7a de trabalho \u00e9 formada por mulheres<\/strong>. Elas ocupam <strong>49% dos cargos gerenciais<\/strong>, praticamente metade das posi\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o. Mas quando se chega aos espa\u00e7os de maior poder decis\u00f3rio, a propor\u00e7\u00e3o cai para <strong>26% na presid\u00eancia e nos conselhos<\/strong>.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros revelam uma transforma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m exp\u00f5em uma quest\u00e3o: Se as mulheres j\u00e1 s\u00e3o maioria entre os profissionais do setor e est\u00e3o pr\u00f3ximas da metade dos cargos gerenciais, <strong>por que ainda n\u00e3o ocupam uma parcela equivalente dos espa\u00e7os m\u00e1ximos de decis\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta ganhou visibilidade com o lan\u00e7amento do livro <strong>\u201cVozes que Ecoam \u2013 Lideran\u00e7a com prop\u00f3sito\u201d<\/strong>, organizado pela idealizadora do ProsperaCoop, Telma Galletti.<\/p>\n<p>A obra re\u00fane hist\u00f3rias de <strong>40 lideran\u00e7as femininas do cooperativismo em atividade e duas homenageadas<\/strong>. A proposta da obra, segundo Telma, \u00e9 justamente <strong>dar visibilidade a trajet\u00f3rias que muitas vezes permanecem invis\u00edveis e incentivar mulheres a ocupar espa\u00e7os de decis\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<h3><strong>Um olhar particular<\/strong><\/h3>\n<p>Minha presen\u00e7a no 16\u00ba Concred teve ainda uma dimens\u00e3o particular. Venho acompanhando o movimento de sustentabilidade das cooperativas de cr\u00e9dito tamb\u00e9m como <strong>avaliadora do <\/strong><strong>Pr\u00eamio ProsperaCoop<\/strong>, experi\u00eancia que se estende \u00e0s duas edi\u00e7\u00f5es da premia\u00e7\u00e3o e essa participa\u00e7\u00e3o muda tamb\u00e9m o lugar de onde observo o congresso.<\/p>\n<p>Ao circular pelo evento, n\u00e3o olhei apenas para o tamanho da estrutura, para a for\u00e7a econ\u00f4mica do cooperativismo ou para a quantidade de participantes. Procurei observar o que existe por tr\u00e1s dos n\u00fameros: as pessoas, as escolhas, as pr\u00e1ticas e a coer\u00eancia entre aquilo que as pessoas e organiza\u00e7\u00f5es dizem defender e aquilo que efetivamente realizam.<\/p>\n<p>Foi nesse percurso que uma percep\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a, ou seja, por tr\u00e1s da atividade financeira existe uma dimens\u00e3o que os n\u00fameros n\u00e3o conseguem revelar completamente: <strong>A dimens\u00e3o humana.<\/strong> Ela aparece na rela\u00e7\u00e3o com o cooperado. Na confian\u00e7a constru\u00edda ao longo do tempo. Na escolha de onde investir. Na decis\u00e3o sobre quem ter\u00e1 acesso ao cr\u00e9dito. Na preocupa\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio. Na forma\u00e7\u00e3o de uma nova lideran\u00e7a. Na participa\u00e7\u00e3o das mulheres. Na prepara\u00e7\u00e3o dos jovens. Na maneira como uma organiza\u00e7\u00e3o responde \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Na forma como utiliza uma tecnologia que pode ser cada vez mais poderosa sem deixar que ela substitua aquilo que d\u00e1 sentido \u00e0 pr\u00f3pria coopera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a suavidade em revelar a\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da poesia&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente nesse espa\u00e7o entre discurso, pr\u00e1tica e a suavidade de ecoar e cooperar que a reputa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a ser constru\u00edda.<\/p>\n<p><strong>Em 2026 reverberamos. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Em 2028 ouviremos seus ecos<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 observado<strong>, <\/strong>o que se viu em Goi\u00e2nia indica que<strong> o cooperativismo financeiro j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 discutindo apenas crescimento<\/strong>. <strong>Est\u00e1 discutindo identidade<\/strong> e nesse debate, a tecnologia, a sustentabilidade, a governan\u00e7a, a diversidade e o desenvolvimento territorial parecem apontar para uma mesma dire\u00e7\u00e3o: <strong>a necessidade de recolocar as pessoas no centro<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, em 2028, <strong>em S\u00e3o Paulo<\/strong>, muitas perguntas e respostas estar\u00e3o mais maduras e outras d\u00favidas e novos questionamentos encontrar\u00e3o seus ecos.<\/p>\n<p>At\u00e9 Breve!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realizado em Goi\u00e2nia, no Centro de Conven\u00e7\u00f5es da PUC Goi\u00e1s, o 16\u00ba Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Cr\u00e9dito reuniu cerca de 5 mil participantes, entre presenciais e virtuais, e mobilizou outros 3 mil jovens no Integra\u00e7\u00e3o Juventude, no final do m\u00eas de agosto, em uma programa\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o financeira, ao empreendedorismo, \u00e0 intelig\u00eancia artificial [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23180,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[51,58,60],"tags":[12818],"featured_image_src":{"landsacpe":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9412dac2-4a2d-48e4-9c0a-77f4bc656802-1140x445.jpg",1140,445,true],"list":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9412dac2-4a2d-48e4-9c0a-77f4bc656802-463x348.jpg",463,348,true],"medium":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9412dac2-4a2d-48e4-9c0a-77f4bc656802-300x225.jpg",300,225,true],"full":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9412dac2-4a2d-48e4-9c0a-77f4bc656802.jpg",1600,1200,false]},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/9412dac2-4a2d-48e4-9c0a-77f4bc656802.jpg","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23179"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23179"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23179\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23182,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23179\/revisions\/23182"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}