{"id":23055,"date":"2026-08-26T19:53:45","date_gmt":"2026-08-26T22:53:45","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=23055"},"modified":"2026-08-26T19:53:45","modified_gmt":"2026-08-26T22:53:45","slug":"como-uma-empresa-de-50-anos-deixou-a-gestao-intuitiva-para-crescer-com-inteligencia-operacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/08\/26\/como-uma-empresa-de-50-anos-deixou-a-gestao-intuitiva-para-crescer-com-inteligencia-operacional\/","title":{"rendered":"Como uma empresa de 50 anos deixou a gest\u00e3o intuitiva para crescer com intelig\u00eancia operacional"},"content":{"rendered":"<p>Tecnologia muda a forma como empresas familiares atravessam gera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Existe um padr\u00e3o que se repete na hist\u00f3ria dos neg\u00f3cios. Empresas l\u00edderes durante d\u00e9cadas deixam de existir n\u00e3o porque perderam clientes de um dia para o outro, mas porque demoraram a perceber que o mercado havia mudado. A prova est\u00e1 em marcas que j\u00e1 dominaram seus segmentos e acabaram atropeladas pelas mudan\u00e7as. A Blockbuster ignorou o streaming. A Livraria Saraiva n\u00e3o conseguiu acompanhar a transforma\u00e7\u00e3o do varejo. Kodak, Nokia e tantas outras seguiram o mesmo roteiro, pois tinham marca, tradi\u00e7\u00e3o e mercado, mas n\u00e3o conseguiram transformar a pr\u00f3pria forma de operar.<\/p>\n<p>No mercado imobili\u00e1rio, onde muitas empresas nasceram como neg\u00f3cios familiares, perfil que representa mais de 90% das empresas brasileiras (Sebrae), e s\u00f3 30% chegam \u00e0 segunda gera\u00e7\u00e3o (PwC), esse desafio come\u00e7a a ganhar for\u00e7a. Mais do que encontrar novos clientes, a sucess\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es passou a depender da capacidade de modernizar processos, adotar tecnologia e profissionalizar a gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia acontece em um momento particularmente desafiador para o setor, pois, mesmo em um cen\u00e1rio de juros elevados, o mercado imobili\u00e1rio brasileiro vendeu 102.485 im\u00f3veis residenciais novos no primeiro trimestre de 2025, um crescimento de 15,7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. No mesmo intervalo, foram lan\u00e7adas 84.924 unidades, alta de 15,1%, segundo levantamento da C\u00e2mara Brasileira da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (CBIC); foram lan\u00e7adas 97,8 mil unidades residenciais apenas no primeiro trimestre de 2026. Em S\u00e3o Paulo, principal mercado do pa\u00eds, as vendas acumuladas em 12 meses chegaram a 114,8 mil im\u00f3veis, movimentando R$ 59,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para Renata Paula Armellini, diretora do Grupo Edmur, empresa que atua h\u00e1 mais de 50 anos nos segmentos de compra, venda, loca\u00e7\u00e3o, incorpora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento imobili\u00e1rio, a troca de comando entre gera\u00e7\u00f5es passou a ser, cada vez mais, uma disputa entre dois modelos de gest\u00e3o: o baseado na experi\u00eancia acumulada e o orientado por dados. &#8220;Crescer deixou de depender apenas de bons corretores ou de uma carteira consolidada de clientes. Efici\u00eancia operacional, velocidade de decis\u00e3o e intelig\u00eancia sobre o pr\u00f3prio neg\u00f3cio passaram a pesar tanto quanto localiza\u00e7\u00e3o e portf\u00f3lio&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Foi justamente essa leitura que levou o Grupo Edmur, imobili\u00e1ria que fica em Santo Andr\u00e9 (SP), a transformar o processo de sucess\u00e3o em um projeto de moderniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas organiza\u00e7\u00f5es acumulam d\u00e9cadas de experi\u00eancia, mas precisam transformar esse conhecimento em processos, indicadores e uma gest\u00e3o preparada para os pr\u00f3ximos ciclos de crescimento. A tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta operacional e passou a ser um fator de sobreviv\u00eancia&#8221;, explica Renata Paula Armellini.<\/p>\n<p>Quando a segunda gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia assumiu a gest\u00e3o, hoje comandada pelos irm\u00e3os Renata Paula Armellini e Sandro Armellini, a prioridade n\u00e3o foi expandir a opera\u00e7\u00e3o nem abrir novas unidades. O primeiro passo foi entender como a empresa funcionava por dentro. &#8220;A gente percebeu que conhecia muito o mercado, mas conhecia pouco os nossos pr\u00f3prios processos. Muitas decis\u00f5es dependiam da experi\u00eancia das pessoas e quase nada era medido&#8221;, afirma Renata.<\/p>\n<p>A partir desse diagn\u00f3stico, a empresa iniciou uma reorganiza\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o. O Grupo Edmur passou a integrar \u00e1reas antes isoladas por meio de ferramentas de automa\u00e7\u00e3o, adotar indicadores para orientar a tomada de decis\u00f5es e documentar processos que, at\u00e9 ent\u00e3o, dependiam do conhecimento individual dos colaboradores.<\/p>\n<p>&#8220;O maior ganho n\u00e3o foi simplesmente adotar tecnologia, foi conseguir enxergar a empresa. Quando come\u00e7amos a acompanhar indicadores, ficou muito mais claro onde est\u00e1vamos perdendo tempo, onde havia oportunidades de crescimento e quais decis\u00f5es precisavam ser tomadas&#8221;, conta a diretora do Grupo Edmur.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a alterou tamb\u00e9m a estrat\u00e9gia do neg\u00f3cio. Em vez de atuar apenas na compra, venda e loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis, a empresa reorganizou diferentes atividades que j\u00e1 desenvolvia ao longo dos anos e criou o Grupo Edmur, reunindo opera\u00e7\u00f5es de incorpora\u00e7\u00e3o, reformas, im\u00f3veis de alto padr\u00e3o e estudos de viabilidade imobili\u00e1ria. A estrutura permitiu diversificar receitas e reduzir a depend\u00eancia de um \u00fanico segmento.<\/p>\n<p>Para Filipe Bento, fundador do Atomic Group, e do AGC (Atomic Growth Club) consultoria especializada em estrat\u00e9gia, gest\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o de empresas, que acompanhou esse processo, esse tipo de transforma\u00e7\u00e3o deve se tornar cada vez mais comum entre empresas familiares. &#8220;Existe um equ\u00edvoco muito frequente de associar sucess\u00e3o apenas \u00e0 transfer\u00eancia do comando. O verdadeiro desafio \u00e9 preparar a empresa para competir em um mercado completamente diferente daquele em que ela nasceu. Isso passa por tecnologia, governan\u00e7a, indicadores e uma gest\u00e3o menos intuitiva.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, a experi\u00eancia constru\u00edda pelos fundadores continua sendo um ativo importante, mas deixou de ser suficiente para sustentar o crescimento. &#8220;A segunda gera\u00e7\u00e3o tem uma vantagem importante: ela consegue enxergar a empresa sem o apego de quem a construiu. Quando esse olhar se combina com a experi\u00eancia dos fundadores, surgem mudan\u00e7as que dificilmente aconteceriam de outra forma. A sucess\u00e3o deixa de ser apenas uma troca de comando e se torna uma oportunidade de reinventar o neg\u00f3cio para os pr\u00f3ximos anos.&#8221;<\/p>\n<p>Esse movimento j\u00e1 pode ser observado em diversos setores da economia. Da ind\u00fastria ao varejo, passando por servi\u00e7os e constru\u00e7\u00e3o civil, empresas tradicionais v\u00eam substituindo estruturas baseadas exclusivamente na experi\u00eancia por modelos apoiados em dados, automa\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia operacional.<\/p>\n<p>No caso do Grupo Edmur, a sucess\u00e3o acabou funcionando como um catalisador dessa transforma\u00e7\u00e3o. Com os fundadores atuando de forma mais estrat\u00e9gica e a segunda gera\u00e7\u00e3o liderando a opera\u00e7\u00e3o, a empresa passou a tomar decis\u00f5es menos baseadas em percep\u00e7\u00e3o e mais em informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A principal li\u00e7\u00e3o talvez seja a mesma deixada por tantas empresas que ficaram pelo caminho \u00e9 que o maior risco para um neg\u00f3cio consolidado raramente est\u00e1 na chegada de um novo concorrente. Est\u00e1 na cren\u00e7a de que aquilo que funcionou durante quarenta anos continuar\u00e1 funcionando pelos pr\u00f3ximos quarenta&#8221;, diz a diretora.<\/p>\n<p>Com os fundadores hoje mais pr\u00f3ximos do conselho e a segunda gera\u00e7\u00e3o liderando a opera\u00e7\u00e3o, o Grupo Edmur representa um movimento que come\u00e7a a se repetir em diferentes setores da economia, e empresas tradicionais descobrem que preservar um legado n\u00e3o significa manter tudo igual, mas adaptar o neg\u00f3cio para continuar relevante nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><strong>MAIS INFORMA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o Grupo Edmur: https:\/\/atomicgroup.com.br\/<br \/>\nSobre o AGC: https:\/\/club.atomicgrowth.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tecnologia muda a forma como empresas familiares atravessam gera\u00e7\u00f5es Existe um padr\u00e3o que se repete na hist\u00f3ria dos neg\u00f3cios. 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