{"id":22865,"date":"2026-08-09T20:38:08","date_gmt":"2026-08-09T23:38:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=22865"},"modified":"2026-08-09T20:38:08","modified_gmt":"2026-08-09T23:38:08","slug":"por-que-algumas-empresas-conseguem-crescer-enquanto-outras-fecham-confira-oito-pilares-de-negocios-sustentaveis-e-escalaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/08\/09\/por-que-algumas-empresas-conseguem-crescer-enquanto-outras-fecham-confira-oito-pilares-de-negocios-sustentaveis-e-escalaveis\/","title":{"rendered":"Por que algumas empresas conseguem crescer enquanto outras fecham? Confira oito pilares de neg\u00f3cios sustent\u00e1veis e escal\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>Sobreviv\u00eancia empresarial depende menos de talento e mais da constru\u00e7\u00e3o de um modelo de neg\u00f3cio capaz de gerar margens, previsibilidade, diferencia\u00e7\u00e3o e valor de longo prazo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas empresas nascem com bons produtos, equipes talentosas e mercados promissores. Ainda assim, transformar uma boa ideia em um neg\u00f3cio duradouro continua sendo um dos maiores desafios do empreendedorismo.<\/p>\n<p>No Brasil, 62,7% das empresas encerram suas atividades antes de completar cinco anos de opera\u00e7\u00e3o, segundo dados do IBGE. O desafio, por\u00e9m, est\u00e1 longe de ser uma exclusividade nacional. Levantamento da WorldMetrics, plataforma independente de pesquisas de mercado, mostra que a mortalidade empresarial permanece elevada em diferentes regi\u00f5es do mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 20% das empresas fecham no primeiro ano e aproximadamente metade n\u00e3o chega ao d\u00e9cimo anivers\u00e1rio. No Reino Unido, 25% encerram as atividades j\u00e1 no primeiro ano e 60% fecham em at\u00e9 dez anos. No Jap\u00e3o, 35% dos neg\u00f3cios n\u00e3o sobrevivem aos tr\u00eas primeiros anos de opera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na Europa, cerca de 40% das startups encerram suas atividades antes de completar quatro anos.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros revelam um desafio comum entre empresas de diferentes portes, setores e geografias: crescer \u00e9 dif\u00edcil, mas construir organiza\u00e7\u00f5es capazes de permanecer relevantes, lucrativas e adapt\u00e1veis ao longo do tempo \u00e9 ainda mais complexo.<\/p>\n<p>Embora fatores como lideran\u00e7a, inova\u00e7\u00e3o, acesso a capital e qualidade dos produtos influenciem o desempenho empresarial, especialistas em estrat\u00e9gia defendem que a longevidade dos neg\u00f3cios est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 solidez de seus modelos de neg\u00f3cio. Em outras palavras, n\u00e3o basta vender mais. \u00c9 preciso criar estruturas capazes de gerar margens saud\u00e1veis, receitas previs\u00edveis, diferencia\u00e7\u00e3o competitiva e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o diante das mudan\u00e7as de mercado.<\/p>\n<p>Foi justamente sobre os elementos que sustentam empresas capazes de crescer, inovar e atravessar diferentes ciclos econ\u00f4micos que o especialista em modelos de neg\u00f3cios Filipe Bento desenvolveu sua an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Segundo o fundador e CVO do Atomic Group, aceleradora de neg\u00f3cios com sede em Florian\u00f3polis, organiza\u00e7\u00f5es que conseguem escalar de forma consistente costumam compartilhar fundamentos que v\u00e3o muito al\u00e9m do produto ou da tecnologia utilizada. O diferencial est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o de um modelo capaz de gerar valor de forma sustent\u00e1vel ao longo do tempo.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos empreendedores acreditam que o problema est\u00e1 na execu\u00e7\u00e3o, mas, na maioria das vezes, a dificuldade est\u00e1 na estrutura do neg\u00f3cio. Se o modelo \u00e9 fr\u00e1gil, crescer apenas acelera os problemas&#8221;, afirma Filipe Bento.<\/p>\n<p>Para o especialista, neg\u00f3cios sustent\u00e1veis s\u00e3o constru\u00eddos sobre oito pilares que, juntos, determinam a capacidade de escalar receita, atrair clientes, gerar valor para investidores e permanecer competitivos ao longo de muitos anos em mercados cada vez mais disputados.<\/p>\n<p>Veja quais s\u00e3o eles:<\/p>\n<p>1 . Margens e escalabilidade: crescer sem aumentar custos na mesma propor\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O primeiro pilar est\u00e1 relacionado \u00e0 capacidade de aumentar receita sem que os custos cres\u00e7am no mesmo ritmo. Segundo Filipe Bento, empresas escal\u00e1veis conseguem transformar conhecimento, tecnologia ou processos em produtos replic\u00e1veis, reduzindo a depend\u00eancia de horas trabalhadas para gerar faturamento.<\/p>\n<p>Como exemplo positivo, ele cita empresas de software como servi\u00e7o (SaaS), que frequentemente operam com margens brutas superiores a 80%. No extremo oposto est\u00e3o neg\u00f3cios altamente dependentes de m\u00e3o de obra, como servi\u00e7os personalizados que exigem aumento proporcional de equipe para crescer.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 monitorar constantemente a margem bruta (calculada pela rela\u00e7\u00e3o entre receita e custos vari\u00e1veis), al\u00e9m de revisar precifica\u00e7\u00e3o e transformar entregas recorrentes em produtos padronizados.<\/p>\n<p>&#8220;Escalar n\u00e3o significa trabalhar mais. Significa aumentar receita sem aumentar custos na mesma propor\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que diferencia empresas que crescem de empresas que apenas sobrevivem&#8221;, diz Bento.<\/p>\n<p>2. Recorr\u00eancia e previsibilidade: receita que volta todos os meses<br \/>\nEmpresas dependentes de vendas pontuais costumam enfrentar maior volatilidade financeira. Por isso, a constru\u00e7\u00e3o de receitas recorrentes aparece como um dos pilares centrais da sustentabilidade empresarial.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da OpenAI, que faturava US$2 bilh\u00f5es em 2023 e ultrapassou US$20 bilh\u00f5es em receita recorrente anual em 2025, crescimento de 900%, \u00e9 apresentada por Filipe Bento como exemplo de adapta\u00e7\u00e3o bem-sucedida. A estrat\u00e9gia foi criar assinaturas para consumidores, depois para equipes e empresas, e adicionar pre\u00e7os baseados no uso (cr\u00e9ditos) para que os custos se ajustem ao trabalho real realizado. O modelo saiu do zero para se tornar uma das maiores receitas recorrentes do mundo em menos de tr\u00eas anos. Em contrapartida, neg\u00f3cios excessivamente dependentes de sazonalidade enfrentam maior dificuldade para planejar crescimento e investimentos.<\/p>\n<p>Entre os indicadores sugeridos est\u00e3o o percentual de receita recorrente sobre o faturamento total e a capacidade de prever receitas futuras. A cria\u00e7\u00e3o de assinaturas, contratos cont\u00ednuos e comunidades de clientes aparece entre as estrat\u00e9gias recomendadas para aumentar previsibilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Recorr\u00eancia \u00e9 sobreviv\u00eancia. Quando a empresa sabe quanto vai faturar nos pr\u00f3ximos meses, ela ganha capacidade de investir, contratar e atravessar per\u00edodos de instabilidade com muito mais seguran\u00e7a&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>3. LTV versus CAC: extrair mais valor de cada cliente<br \/>\nOutro fator decisivo para a escalabilidade est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre o valor gerado por cada cliente ao longo do tempo (Lifetime Value) e o custo necess\u00e1rio para conquist\u00e1-lo (Customer Acquisition Cost).<\/p>\n<p>Segundo Filipe Bento, neg\u00f3cios saud\u00e1veis mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o LTV\/CAC superior a tr\u00eas vezes. Isso significa que o cliente precisa gerar valor significativamente maior do que o investimento realizado para sua aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O executivo usa o caso da Apple como exemplo por ela ter constru\u00eddo um ecossistema no qual o cliente entra por um produto e permanece consumindo outros servi\u00e7os e dispositivos ao longo dos anos. J\u00e1 neg\u00f3cios que vendem apenas um produto isolado tendem a enfrentar limita\u00e7\u00f5es de crescimento por n\u00e3o explorarem oportunidades de upsell e reten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre as recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de esteiras de produtos, estrat\u00e9gias de upsell e o monitoramento constante dos custos reais de aquisi\u00e7\u00e3o de clientes.<\/p>\n<p>4. Diferencia\u00e7\u00e3o e Moat: fugir da guerra de pre\u00e7os<br \/>\nEm mercados competitivos, a capacidade de criar barreiras que dificultem a substitui\u00e7\u00e3o por concorrentes \u00e9 um dos principais fatores de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Filipe Bento usa a Starbucks como exemplo de empresa que transformou um produto amplamente dispon\u00edvel \u2014 o caf\u00e9 \u2014 em uma experi\u00eancia diferenciada, capaz de justificar pre\u00e7os superiores e criar fidelidade.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 desenvolver uma proposta \u00fanica de valor, definir claramente o perfil ideal de cliente, criar mecanismos de reten\u00e7\u00e3o e fortalecer o posicionamento da marca. Indicadores como NPS e taxa de renova\u00e7\u00e3o ajudam a medir a for\u00e7a dessa diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Quem compete apenas por pre\u00e7o sempre encontrar\u00e1 algu\u00e9m disposto a cobrar menos. Diferencia\u00e7\u00e3o \u00e9 o que permite proteger margens e construir valor no longo prazo&#8221;, avalia Bento.<\/strong><\/p>\n<p>5. Distribui\u00e7\u00e3o: o pilar que leva o produto ao mercado<br \/>\nUm dos pontos mais importantes de toda essa trajet\u00f3ria \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o. Segundo o especialista, muitos empreendedores concentram esfor\u00e7os em desenvolver produtos melhores, mas negligenciam a constru\u00e7\u00e3o de canais capazes de coloc\u00e1-los diante dos clientes. &#8220;O caso da Amazon \u00e9 um exemplo de empresa que expandiu sua capacidade de distribui\u00e7\u00e3o por meio de uma ampla rede de sellers e parceiros&#8221;, comenta.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 combinar diferentes estrat\u00e9gias de aquisi\u00e7\u00e3o, incluindo programas de indica\u00e7\u00e3o, parcerias comerciais e canais complementares de vendas. M\u00e9tricas como CPL (Custo por Lead) e CPA (Custo por Aquisi\u00e7\u00e3o) ajudam a medir a efici\u00eancia dessas iniciativas.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos empreendedores passam anos aperfei\u00e7oando o produto, mas esquecem de construir os canais que v\u00e3o lev\u00e1-lo at\u00e9 o cliente. Distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 oxig\u00eanio. Sem ela, at\u00e9 bons produtos morrem&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>6. Capital e equity: preparar a empresa para crescer<br \/>\nFilipe Bento tamb\u00e9m destaca que empresas atraentes para investidores normalmente possuem organiza\u00e7\u00e3o financeira, governan\u00e7a e clareza sobre seus indicadores.<\/p>\n<p>Segundo ele, o Nubank, por exemplo, conseguiu transformar governan\u00e7a e estrutura financeira em ativos estrat\u00e9gicos para gera\u00e7\u00e3o de valor.<\/p>\n<p>Entre os indicadores recomendados para isso est\u00e3o margem EBITDA e a chamada Rule of 40, amplamente utilizada em empresas de tecnologia, que combina crescimento e rentabilidade. A organiza\u00e7\u00e3o da DRE, a separa\u00e7\u00e3o adequada das opera\u00e7\u00f5es e a cria\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas b\u00e1sicas de governan\u00e7a aparecem entre as prioridades para empresas que buscam expans\u00e3o ou capta\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>Para Bento, muitas empresas acabam deixando dinheiro sobre a mesa por n\u00e3o estruturarem adequadamente seus processos financeiros e societ\u00e1rios. A consequ\u00eancia \u00e9 a dificuldade para atrair investidores, parceiros estrat\u00e9gicos e oportunidades de crescimento.<\/p>\n<p>7. Narrativa e hist\u00f3ria vend\u00e1vel: quando empresas vendem mais do que produtos<br \/>\nO s\u00e9timo pilar trata da capacidade de transformar produtos em hist\u00f3rias capazes de mobilizar clientes, colaboradores e investidores.<\/p>\n<p>Como exemplo, Filipe Bento cita a SuperCoffee, que n\u00e3o comercializa apenas caf\u00e9, mas uma proposta associada \u00e0 performance, produtividade e estilo de vida.<\/p>\n<p>Segundo ele, empresas que conseguem comunicar uma vis\u00e3o clara de futuro tendem a construir marcas mais fortes, ampliar autoridade e reduzir a depend\u00eancia de disputas exclusivamente baseadas em pre\u00e7o. Nesse contexto, reputa\u00e7\u00e3o, branding e prova social passam a exercer papel estrat\u00e9gico no crescimento dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas n\u00e3o compram apenas produtos. Elas compram transforma\u00e7\u00e3o, pertencimento e vis\u00e3o de futuro. Empresas que conseguem traduzir isso em uma narrativa clara tendem a atrair mais clientes, talentos e investidores&#8221;, diz Bento.<\/p>\n<p>8. Da commodity \u00e0 performance<br \/>\nPara o CVO do Atomic Group, neg\u00f3cios que permanecem relevantes ao longo do tempo conseguem evoluir sua oferta de uma simples commodity para experi\u00eancias diferenciadas e, posteriormente, para a entrega de performance e resultados.<\/p>\n<p>Essa evolu\u00e7\u00e3o permite ampliar margens, aumentar reten\u00e7\u00e3o de clientes e fortalecer o posicionamento competitivo da empresa.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de autoridade tamb\u00e9m \u00e9 apontada como um ativo estrat\u00e9gico. Cases de sucesso, provas sociais e associa\u00e7\u00f5es com profissionais e marcas reconhecidas ajudam a criar reputa\u00e7\u00e3o e abrir portas para novos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><strong>O valor das empresas que pensam e comunicam o futuro<\/strong><\/p>\n<p>Por fim, Filipe Bento destaca que vendas, marketing e crescimento sustent\u00e1vel s\u00e3o consequ\u00eancias de um modelo de neg\u00f3cio bem estruturado. &#8220;Venda s\u00f3 escala se o modelo \u00e9 escal\u00e1vel. Pessoas boas querem trabalhar, investir e comprar de empresas que t\u00eam vis\u00e3o de futuro&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Empresas que permanecem relevantes por d\u00e9cadas n\u00e3o dependem apenas de um bom produto. Elas combinam margens saud\u00e1veis, previsibilidade financeira, diferencia\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o eficiente, governan\u00e7a, autoridade e uma narrativa capaz de sustentar o crescimento ao longo do tempo&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: https:\/\/atomicgroup.com.br\/<\/p>\n<p>Refer\u00eancias: https:\/\/worldmetrics.org\/business-failure-rate-statistics\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobreviv\u00eancia empresarial depende menos de talento e mais da constru\u00e7\u00e3o de um modelo de neg\u00f3cio capaz de gerar margens, previsibilidade, diferencia\u00e7\u00e3o e valor de longo prazo &nbsp; Muitas empresas nascem com bons produtos, equipes talentosas e mercados promissores. 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