{"id":22633,"date":"2026-07-21T18:53:08","date_gmt":"2026-07-21T21:53:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=22633"},"modified":"2026-07-21T18:53:08","modified_gmt":"2026-07-21T21:53:08","slug":"de-executivo-de-multinacionais-a-empreendedor-na-gastronomia-o-que-aprendi-sobre-gestao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/07\/21\/de-executivo-de-multinacionais-a-empreendedor-na-gastronomia-o-que-aprendi-sobre-gestao\/","title":{"rendered":"De executivo de multinacionais a empreendedor na gastronomia: o que aprendi sobre gest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><i>Por Caio Fontenelle, empreendedor que deixou a carreira executiva para se tornar chef de cozinha e fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack, em Blumenau (SC)<\/i><\/p>\n<div>\n<p>Passei muitos anos da minha carreira trabalhando em grandes empresas. Tive a oportunidade de atuar em organiza\u00e7\u00f5es como Nestl\u00e9, Ambev, Unilever, Marisol, Hering e Portobello, sempre nas \u00e1reas de comercial, marketing e gest\u00e3o. Ao longo dessa trajet\u00f3ria, investi bastante na minha forma\u00e7\u00e3o. Fiz gradua\u00e7\u00e3o, MBAs em Log\u00edstica e Gest\u00e3o de Qualidade e, mais tarde, um mestrado em Empreendedorismo.<\/p>\n<p>Quando j\u00e1 tinha uns 40 anos, decidi mudar totalmente a rota, que j\u00e1 me garantia estabilidade e certezas, para ir atr\u00e1s de um sonho antigo. Deixei as multinacionais e parti para um desafio completamente diferente: abrir meu primeiro restaurante. Um desejo que cultivei por anos, nutrido pela minha paix\u00e3o pela gastronomia. A rea\u00e7\u00e3o de amigos e familiares foi previs\u00edvel, afinal, poucos entendiam por que algu\u00e9m deixaria uma carreira consolidada para empreender em um ramo t\u00e3o distinto. Muita gente imaginou que eu estava come\u00e7ando do zero. No entanto, a verdade \u00e9 que levei comigo praticamente tudo o que aprendi nas grandes empresas e salas de aula.<\/p>\n<p>Costumo dizer que administrar uma multinacional e um restaurante \u00e9 exatamente a mesma coisa. O que muda \u00e9 o tamanho da opera\u00e7\u00e3o, obviamente. Contudo, os princ\u00edpios da gest\u00e3o continuam iguais. Planejamento, processos, indicadores, controle financeiro, estrat\u00e9gia comercial e posicionamento de mercado n\u00e3o pertencem a um segmento espec\u00edfico, eles s\u00e3o partes comuns e essenciais de qualquer neg\u00f3cio cujo objetivo seja crescer de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos no mercado, ouvi muitos termos novos surgirem. Hoje falamos em KPIs, m\u00eddias sociais, transforma\u00e7\u00e3o digital e tantas outras express\u00f5es que parecem revolucion\u00e1rias. Mas, na ess\u00eancia, os objetivos e ferramentas para atingi-los continuam sendo os mesmos. Seguimos precisando entender os desejos e expectativas do p\u00fablico, identificar oportunidades, construir um plano de neg\u00f3cios consistente e acompanhar indicadores para tomar decis\u00f5es. A tecnologia mudou a velocidade e a forma como fazemos isso, mas n\u00e3o substituiu os fundamentos, a base que precisamos sedimentar para sustentar a nossa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez a maior diferen\u00e7a seja que um restaurante re\u00fane desafios que normalmente est\u00e3o separados em outros setores. Afinal, um restaurante \u00e9, ao mesmo tempo, uma ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e uma empresa de servi\u00e7os. Compramos mat\u00e9ria-prima, transmutamos ingredientes em um produto final e, poucos minutos depois, recebemos a avalia\u00e7\u00e3o do cliente. Em outros mercados, essa percep\u00e7\u00e3o pode levar dias ou semanas, j\u00e1 na gastronomia, ela acontece praticamente em tempo real, podendo ser observada pela express\u00e3o do cliente ao provar o prato.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que acredito tanto em processos. Uma frase que gosto de repetir \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o gerenciamos pessoas; gerenciamos processos. S\u00e3o eles que ajudam as pessoas a entregar resultados consistentes em todas as etapas, seja qual for a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Nos meus restaurantes, utilizamos fichas t\u00e9cnicas para praticamente tudo. Muita gente imagina que isso seja uma exclusividade da ind\u00fastria, mas eu trouxe esse conceito das empresas onde trabalhei. A l\u00f3gica \u00e9 simples: se existe um padr\u00e3o bem definido, existe qualidade, previsibilidade, controle de custos e redu\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcios. \u00c9 exatamente o mesmo princ\u00edpio utilizado para fabricar uma camiseta, um chocolate ou qualquer outro produto industrial. Sem padroniza\u00e7\u00e3o, fica muito mais dif\u00edcil crescer.<\/p>\n<p>Outro aprendizado importante foi entender que empreender n\u00e3o \u00e9 apenas ter coragem para abrir um neg\u00f3cio, mas construir uma opera\u00e7\u00e3o capaz de atravessar os momentos bons e os momentos dif\u00edceis. Vejo muitos empreendedores investirem todo o capital dispon\u00edvel na abertura da empresa e acreditarem que o sucesso dos primeiros meses vai durar para sempre. Infelizmente, nem sempre acontece assim. Todo neg\u00f3cio passa por um per\u00edodo de matura\u00e7\u00e3o. Existem sazonalidades, oscila\u00e7\u00f5es de mercado e despesas que nem sempre aparecem no planejamento inicial. Ter uma reserva financeira e acompanhar constantemente os indicadores faz toda a diferen\u00e7a. Persist\u00eancia n\u00e3o significa apenas continuar trabalhando, mas tamb\u00e9m \u00e9 ajustar a rota quando necess\u00e1rio, rever estrat\u00e9gias, negociar com fornecedores, controlar perdas e entender o que os n\u00fameros est\u00e3o dizendo.<\/p>\n<p>Por fim, existe algo que considero fundamental em qualquer empresa: nunca perder de vista a expectativa do cliente. Na gastronomia, costumo dizer que as pessoas n\u00e3o saem de casa apenas para comer. Elas querem celebrar um momento, encontrar amigos, comemorar uma data importante ou simplesmente se presentear depois de uma semana de trabalho. A comida precisa ser boa, mas para al\u00e9m dela, a experi\u00eancia inteira precisa ser satisfat\u00f3ria. A recep\u00e7\u00e3o, o atendimento, o ambiente, o tempo de espera, a limpeza e organiza\u00e7\u00e3o e outras dezenas de pequenos detalhes que o cliente talvez nem perceba conscientemente, mas que influenciam completamente a percep\u00e7\u00e3o dele. \u00c9 aqui que precisa morar o seu diferencial. Afinal, quando conseguimos entregar mais do que o cliente esperava, criamos algo que nenhuma planilha consegue medir completamente: a vontade de voltar. E \u00e9 justamente essa fidelidade do p\u00fablico que sustenta um neg\u00f3cio no longo prazo, seja ele uma multinacional ou um restaurante.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Caio Fontenelle, empreendedor que deixou a carreira executiva para se tornar chef de cozinha e fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack, em Blumenau (SC) Passei muitos anos da minha carreira trabalhando em grandes empresas. 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