{"id":22186,"date":"2026-06-15T22:39:26","date_gmt":"2026-06-16T01:39:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=22186"},"modified":"2026-06-15T22:39:26","modified_gmt":"2026-06-16T01:39:26","slug":"o-escritorio-nao-acabou-ele-mudou-de-funcao-por-marcos-alves-ceo-da-realtycorp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/06\/15\/o-escritorio-nao-acabou-ele-mudou-de-funcao-por-marcos-alves-ceo-da-realtycorp\/","title":{"rendered":"O escrit\u00f3rio n\u00e3o acabou: ele mudou de fun\u00e7\u00e3o &#8211; Por: Marcos Alves, CEO da RealtyCorp"},"content":{"rendered":"<p>Durante a Expo InfraFM 2026, realizada neste m\u00eas em S\u00e3o Paulo, participei de discuss\u00f5es sobre infraestrutura, desenvolvimento urbano e mercado imobili\u00e1rio. Entre os temas que mais despertaram interesse, esteve uma quest\u00e3o que parecia definida h\u00e1 poucos anos: afinal, o home office decretou o fim dos escrit\u00f3rios? Os dados mostram que n\u00e3o.<\/p>\n<p><center>Quando a pandemia acelerou a ado\u00e7\u00e3o do trabalho remoto, muitas previs\u00f5es apontavam para uma transforma\u00e7\u00e3o permanente das rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Propriet\u00e1rios de edif\u00edcios corporativos temiam uma perda estrutural de demanda e, por consequ\u00eancia, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o de seus ativos. O cen\u00e1rio era cercado de incertezas. Ningu\u00e9m sabia ao certo qual seria o destino dos escrit\u00f3rios em um mundo cada vez mais digital.<\/p>\n<p><\/center>Seis anos depois, o mercado oferece respostas mais concretas. O trabalho remoto n\u00e3o eliminou os escrit\u00f3rios. O que ocorreu foi uma redefini\u00e7\u00e3o de seu papel.<\/p>\n<p>Hoje, a maior parte das empresas opera em modelos h\u00edbridos, enquanto algumas j\u00e1 retomaram a presen\u00e7a integral. Mais importante do que isso, as organiza\u00e7\u00f5es compreenderam que o escrit\u00f3rio vai muito al\u00e9m de um espa\u00e7o f\u00edsico destinado \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de tarefas. Ele funciona como um ambiente de troca cultural, integra\u00e7\u00e3o de equipes, forma\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as e constru\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As melhores ideias raramente surgem em reuni\u00f5es agendadas. Muitas vezes, elas acontecem em conversas informais, durante um caf\u00e9 ou em intera\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas entre profissionais de diferentes \u00e1reas. O escrit\u00f3rio voltou a ser visto como um centro de conviv\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o de valor coletivo.<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o aparece claramente nos n\u00fameros do mercado paulistano. No primeiro trimestre de 2026, o estoque total de escrit\u00f3rios da cidade alcan\u00e7ou 12,4 milh\u00f5es de metros quadrados, dos quais 10,5 milh\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o ocupados. A taxa de vac\u00e2ncia caiu para 15,28%, abaixo dos 15,94% registrados no trimestre anterior, enquanto a absor\u00e7\u00e3o l\u00edquida positiva chegou a 107 mil metros quadrados.<\/p>\n<p>O movimento \u00e9 ainda mais evidente nos edif\u00edcios de alto padr\u00e3o. Os ativos classe A+ registraram vac\u00e2ncia de 12,87%, enquanto os empreendimentos classe A ficaram em 14,12%. Trata-se de uma recupera\u00e7\u00e3o firme e consistente, especialmente quando observamos os principais polos corporativos da cidade.<\/p>\n<p>Na Nova Faria Lima e na regi\u00e3o da Avenida Juscelino Kubitschek, a escassez de espa\u00e7os dispon\u00edveis se tornou um fator determinante. Nos edif\u00edcios corporativos A e A+, a vac\u00e2ncia est\u00e1 em apenas 6,56%, \u00edndice considerado extremamente baixo para o mercado. Como consequ\u00eancia, os pre\u00e7os de loca\u00e7\u00e3o avan\u00e7aram de forma significativa.<\/p>\n<p>Em 2020, o pre\u00e7o m\u00e9dio de loca\u00e7\u00e3o do metro quadrado na Nova Faria Lima era de R$ 150. Atualmente, esse n\u00famero alcan\u00e7a R$ 310. Enquanto a infla\u00e7\u00e3o acumulada pelo IPCA no per\u00edodo foi de aproximadamente 43%, a valoriza\u00e7\u00e3o nominal dos alugu\u00e9is ultrapassou 100%. O mercado, portanto, n\u00e3o apenas acompanhou a infla\u00e7\u00e3o: superou-a com ampla margem.<\/p>\n<p>Entretanto, essa valoriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m gera novos desafios. Muitas empresas encontram dificuldades para localizar grandes lajes corporativas nas regi\u00f5es mais disputadas da cidade. O resultado \u00e9 uma busca crescente por alternativas capazes de combinar localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, qualidade construtiva e custos mais competitivos.<\/p>\n<p>Nesse contexto, regi\u00f5es como a Chucri Zaidan ganham protagonismo. Com estoque corporativo robusto, disponibilidade de grandes \u00e1reas e infraestrutura cada vez mais consolidada, a regi\u00e3o se posiciona como uma alternativa natural para empresas que desejam manter padr\u00f5es elevados de ocupa\u00e7\u00e3o sem absorver os custos da Nova Faria Lima.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros ajudam a explicar esse movimento. Enquanto o metro quadrado para loca\u00e7\u00e3o na Chucri Zaidan custa, em m\u00e9dia, R$ 110, na Nova Faria Lima ele j\u00e1 alcan\u00e7a R$ 310. Trata-se de uma diferen\u00e7a pr\u00f3xima de 65%. Al\u00e9m disso, empreendimentos como o Alto das Na\u00e7\u00f5es e outros projetos em desenvolvimento refor\u00e7am o potencial de expans\u00e3o da regi\u00e3o e ampliam as op\u00e7\u00f5es para ocupantes corporativos.<\/p>\n<p>O mercado corporativo caminha, portanto, para um cen\u00e1rio mais competitivo e altamente seletivo. Empresas seguem valorizando localiza\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia do colaborador e capacidade de atra\u00e7\u00e3o de talentos, mas tamb\u00e9m buscam efici\u00eancia econ\u00f4mica e flexibilidade.<\/p>\n<p>O grande aprendizado dos \u00faltimos anos \u00e9 que o escrit\u00f3rio n\u00e3o perdeu relev\u00e2ncia. Pelo contr\u00e1rio. Em um mundo cada vez mais digital, os encontros presenciais se tornaram ainda mais valiosos. O futuro do trabalho n\u00e3o eliminou os escrit\u00f3rios. Apenas transformou sua fun\u00e7\u00e3o e sua import\u00e2ncia estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p><strong>Sobre a RealtyCorp:<\/strong><\/p>\n<p>A RealtyCorp \u00e9 uma consultoria imobili\u00e1ria, dedicada a atender \u00e0s necessidades de propriet\u00e1rios e investidores imobili\u00e1rios profissionais em todo o Brasil. Com sede em S\u00e3o Paulo e presen\u00e7a no Rio de Janeiro, a empresa tem como filosofia a busca constante dos interesses comerciais de clientes, tanto na flexibilidade dos contratos como nos valores transacionados. A RealtyCorp fornece servi\u00e7os abrangentes, que incluem a an\u00e1lise, recomenda\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o do processo de comercializa\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis corporativos, log\u00edsticos e industriais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a Expo InfraFM 2026, realizada neste m\u00eas em S\u00e3o Paulo, participei de discuss\u00f5es sobre infraestrutura, desenvolvimento urbano e mercado imobili\u00e1rio. Entre os temas que mais despertaram interesse, esteve uma quest\u00e3o que parecia definida h\u00e1 poucos anos: afinal, o home office decretou o fim dos escrit\u00f3rios? Os dados mostram que n\u00e3o. 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