{"id":22166,"date":"2026-06-15T20:47:14","date_gmt":"2026-06-15T23:47:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=22166"},"modified":"2026-06-15T20:47:14","modified_gmt":"2026-06-15T23:47:14","slug":"financiamento-para-renovaveis-cresce-106-em-2025-mas-segue-22-abaixo-do-pico-historico-de-2022-aponta-cela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/06\/15\/financiamento-para-renovaveis-cresce-106-em-2025-mas-segue-22-abaixo-do-pico-historico-de-2022-aponta-cela\/","title":{"rendered":"Financiamento para renov\u00e1veis cresce 10,6% em 2025, mas segue 22% abaixo do pico hist\u00f3rico de 2022, aponta CELA"},"content":{"rendered":"<div>\n<p align=\"center\"><em>Curtailment sem ressarcimento e modula\u00e7\u00e3o travam novos projetos solares; e\u00f3lica avan\u00e7a 40% e consolida papel estrat\u00e9gico na composi\u00e7\u00e3o de portf\u00f3lios renov\u00e1veis; volume total em 2025 foi de R$ 36,3 bilh\u00f5es, ante R$ 46,3 bilh\u00f5es em 2022<\/em>\n<\/p>\n<\/div>\n<div>O volume de financiamento para projetos de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel no Brasil somou R$ 36,3 bilh\u00f5es em 2025, resultado ainda 22% abaixo do pico hist\u00f3rico de R$ 46,3 bilh\u00f5es registrado em 2022, segundo levantamento da CELA (Clean Energy Latin America), especializada em assessoria financeira e consultoria estrat\u00e9gica para o setor de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. O dado revela que, apesar da alta de 10,6% sobre 2024, que tamb\u00e9m ficou abaixo do patamar de 2022, o setor de renov\u00e1veis ainda n\u00e3o recuperou o patamar anterior \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de juros altos, modula\u00e7\u00e3o e curtailment que vem pesando sobre novos investimentos desde 2023.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/encrypted-tbn0.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQOQPnkHIq4zNuQS3Kh9_zylTBvjsmzx6sUow&amp;s\" \/>A queda em rela\u00e7\u00e3o ao pico n\u00e3o \u00e9 uniforme: reflete din\u00e2micas distintas em cada tecnologia, com a gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda solar mostrando maior resili\u00eancia, a gera\u00e7\u00e3o centralizada solar sob press\u00e3o crescente, a e\u00f3lica em recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s m\u00ednimo hist\u00f3rico em 2024, e o armazenamento em fase de estrutura\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda: resili\u00eancia ap\u00f3s a corrida do ouro<\/strong><\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda solar manteve-se na faixa de R$ 13 a 14,7 bilh\u00f5es entre 2023 e 2025, patamar inferior ao pico de R$ 21,8 bilh\u00f5es de 2022, mas consistentemente superior \u00e0 gera\u00e7\u00e3o centralizada solar em todos os anos recentes. O pico de 2022 foi resultado direto da corrida pelo direito adquirido da Lei 14.300, que instituiu o marco legal da micro e minigera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda: quem protocolasse conex\u00e3o at\u00e9 janeiro de 2023 mantinha as regras antigas de compensa\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria at\u00e9 2045. Encerrado o prazo, o volume naturalmente recuou.<\/p>\n<p>A resili\u00eancia do segmento ap\u00f3s esse ajuste tem duas explica\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 estrutural: ao contr\u00e1rio da gera\u00e7\u00e3o centralizada, o retorno da GD local \u00e9 pouco impactado pela nova regula\u00e7\u00e3o devido \u00e0 simultaneidade entre gera\u00e7\u00e3o e consumo, o que reduz o impacto da perda de compensa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, mantendo o payback atrativo para o consumidor. A segunda \u00e9 a carteira remanescente de projetos remotos com direito adquirido: usinas de gera\u00e7\u00e3o compartilhada e autoconsumo remoto protocoladas antes de janeiro de 2023 que continuaram sendo financiadas nos anos seguintes.<\/p>\n<p>Vale destacar ainda que o volume de GD solar provavelmente subestima o crescimento do armazenamento: sistemas de baterias contratados junto com pain\u00e9is solares acabam sendo classificados pelos bancos dentro da linha de financiamento fotovoltaico, tornando parte da expans\u00e3o do BESS invis\u00edvel nas estat\u00edsticas.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o centralizada solar: modula\u00e7\u00e3o e curtailment sem ressarcimento travam novos projetos<\/strong><\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o centralizada solar recuou de R$ 15,1 bilh\u00f5es em 2022 para R$ 9,0 bilh\u00f5es em 2025, pressionada por dois vetores simult\u00e2neos. O primeiro s\u00e3o os juros: com a Selic oscilando entre 13,75% e 14,25% nos \u00faltimos anos, o maior patamar desde 2016, o custo de capital dos projetos subiu significativamente. O segundo \u00e9 a modula\u00e7\u00e3o, caracter\u00edstica intr\u00ednseca do perfil de gera\u00e7\u00e3o solar: a produ\u00e7\u00e3o se concentra no per\u00edodo diurno, o que, em um sistema com participa\u00e7\u00e3o crescente da fonte, gera excesso de oferta nesse hor\u00e1rio e pressiona os pre\u00e7os de energia justamente quando as usinas est\u00e3o operando. Trata-se de um desafio t\u00e9cnico-operacional que outras tecnologias e formas de opera\u00e7\u00e3o do sistema, como a e\u00f3lica e o armazenamento, est\u00e3o sendo chamadas a resolver.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 agravado pelo perfil de contrata\u00e7\u00e3o do mercado livre: grandes consumidores exigem entrega flat de energia ao longo de todo o dia, o que exige que usinas solares recorram a instrumentos de mercado nos hor\u00e1rios de pico, corroendo margens e dificultando o fechamento financeiro dos projetos. O curtailment atingiu em m\u00e9dia 17,1% das usinas entre abril de 2024 e mar\u00e7o de 2025, e a aus\u00eancia de mecanismo de ressarcimento pelos cortes for\u00e7ados \u00e9 hoje uma das principais travas regulat\u00f3rias para novos investimentos: sem previsibilidade de receita, bancos e investidores elevam a percep\u00e7\u00e3o de risco e tornam-se mais conservadores na concess\u00e3o de cr\u00e9dito ao segmento.<\/p>\n<p><strong>E\u00f3lica: recupera\u00e7\u00e3o ancorada no mercado livre e na demanda por portf\u00f3lios equilibrados<\/strong><\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica registrou R$ 12,5 bilh\u00f5es em financiamentos em 2025, alta de 40% sobre 2024, recupera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o m\u00ednimo da s\u00e9rie hist\u00f3rica, quando o segmento tamb\u00e9m foi afetado por juros altos e curtailment. Se no passado o crescimento da e\u00f3lica era sustentado principalmente por leil\u00f5es regulados e linhas de financiamento de longo prazo dos bancos de desenvolvimento, hoje o motor s\u00e3o o mercado livre de energia e a autoprodu\u00e7\u00e3o, que ampliaram significativamente a base de projetos vi\u00e1veis fora do ambiente regulado.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a solar pressiona os pre\u00e7os no per\u00edodo diurno, geradores e grandes consumidores passaram a buscar a e\u00f3lica para compor portf\u00f3lios capazes de entregar energia flat ao longo do dia. Com perfil de gera\u00e7\u00e3o mais distribu\u00eddo e maior produ\u00e7\u00e3o em per\u00edodos de baixa irradia\u00e7\u00e3o, a e\u00f3lica passou a desempenhar papel estrat\u00e9gico na composi\u00e7\u00e3o de contratos do mercado livre, e essa demanda estrutural sustenta os novos financiamentos.<\/p>\n<p><strong>Baterias: mercado em forma\u00e7\u00e3o, n\u00fameros subestimados<\/strong><\/p>\n<p>Os R$ 126 milh\u00f5es registrados em financiamentos BESS em 2025 marcam crescimento frente o ano de 2024, mas n\u00e3o refletem a real expans\u00e3o da tecnologia no pa\u00eds, ainda distantes do pico de R$ 280 milh\u00f5es registrado em 2023, quando emiss\u00f5es de deb\u00eantures e FIPs relevantes impulsionaram o segmento. A oscila\u00e7\u00e3o ao longo da s\u00e9rie reflete menos o ritmo real de ado\u00e7\u00e3o da tecnologia e mais a irregularidade dos instrumentos de capta\u00e7\u00e3o utilizados, que variam entre bancos dom\u00e9sticos, mercado de capitais e financiadores multilaterais, nem todos capturados de forma uniforme pela metodologia do estudo.<\/p>\n<p>A isso se soma a queda expressiva de capex: os custos dos sistemas de armazenamento recuaram 90% desde 2010, com alguns modelos caindo pela metade s\u00f3 em 2024, reduzindo o valor financiado por unidade instalada mesmo com crescimento f\u00edsico do mercado. Adicionalmente, parte relevante dos sistemas de baterias contratados junto a projetos de gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda segue sendo classificada pelos bancos dentro da linha de financiamento fotovoltaico, o que torna uma parcela da expans\u00e3o do BESS invis\u00edvel nas estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que os primeiros leil\u00f5es dedicados exclusivamente ao armazenamento, previstos para 2026, marquem uma nova fase de escala para o segmento, com impacto direto nos volumes de financiamento dos pr\u00f3ximos estudos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/portalsolar-images.s3.us-east-2.amazonaws.com\/institucional-and-info-production\/images\/6151f83f-c23f-4fd9-bff5-6664a170b721\/CELA-anuncia-Camila-Ramos-para-o-Conselho-de-Administra%C3%A7%C3%A3o-da-Brazilian-Rare-Earths-THUMB.jpg\" alt=\"Camila Ramos, CEO da CELA\" \/>&#8220;O setor renov\u00e1vel brasileiro vive um momento de transi\u00e7\u00e3o complexa. O financiamento ainda n\u00e3o retornou ao patamar de 2022 e os desafios s\u00e3o reais: juros altos, curtailment sem mecanismo de ressarcimento e um mercado que ainda busca os instrumentos adequados para precificar e contratar a complementaridade entre fontes. A boa not\u00edcia \u00e9 que e\u00f3lica e armazenamento est\u00e3o ganhando papel estrat\u00e9gico exatamente por oferecerem as solu\u00e7\u00f5es que o sistema el\u00e9trico precisa, e isso deve se refletir nos volumes de financiamento dos pr\u00f3ximos anos&#8221;, afirma Camila Ramos, CEO da CELA.<\/p>\n<p>Os dados consideram os desembolsos realizados pelas principais institui\u00e7\u00f5es financeiras que atuam no financiamento da gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel no Brasil, incluindo bancos p\u00fablicos, privados, cooperativas de cr\u00e9dito, fintechs e opera\u00e7\u00f5es estruturadas via mercado de capitais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/totumcom.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Imagem1.png\" \/><\/div>\n<div><strong><em>Fonte: CELA \u2013 Clean Energy Latin America (junho 2026)<\/em><\/strong><\/div>\n<div>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o estudo completo:\u00a0<\/strong><a href=\"mailto:info@cela.com.br\" rel=\"noreferrer\">info@cela.com.br<\/a><\/p>\n<p><strong>Sobre a CELA<\/strong><\/p>\n<p>A CELA \u2013 Clean Energy Latin America \u00e9 uma butique de investimentos que presta assessoria financeira e consultoria estrat\u00e9gica a empresas e investidores do setor de energia renov\u00e1vel na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 especializada nos setores de energia e\u00f3lica, solar fotovoltaica, armazenamento de energia e hidrog\u00eanio verde. Atua com planos de neg\u00f3cios, an\u00e1lise de viabilidade de projetos, capta\u00e7\u00e3o de recursos, M&amp;A, project finance e estrutura\u00e7\u00e3o financeira de contratos de energia nos mercados livre e regulado.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curtailment sem ressarcimento e modula\u00e7\u00e3o travam novos projetos solares; e\u00f3lica avan\u00e7a 40% e consolida papel estrat\u00e9gico na composi\u00e7\u00e3o de portf\u00f3lios renov\u00e1veis; volume total em 2025 foi de R$ 36,3 bilh\u00f5es, ante R$ 46,3 bilh\u00f5es em 2022 O volume de financiamento para projetos de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel no Brasil somou R$ 36,3 bilh\u00f5es em 2025, resultado ainda [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22168,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[51,54,60],"tags":[12400,12402,12399,12401],"featured_image_src":{"landsacpe":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/download-21-1.jpg",246,164,false],"list":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/download-21-1.jpg",246,164,false],"medium":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/download-21-1.jpg",246,164,false],"full":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/download-21-1.jpg",246,164,false]},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/download-21-1.jpg","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22166"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22166"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22166\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22169,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22166\/revisions\/22169"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22168"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}