{"id":20706,"date":"2026-01-05T20:51:12","date_gmt":"2026-01-05T23:51:12","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=20706"},"modified":"2026-01-05T20:51:12","modified_gmt":"2026-01-05T23:51:12","slug":"2026-nao-sera-um-ano-de-crescimento-real-mas-de-adiamento-por-por-marcos-gouvea-de-souza-ceo-da-gouvea-ecosystem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2026\/01\/05\/2026-nao-sera-um-ano-de-crescimento-real-mas-de-adiamento-por-por-marcos-gouvea-de-souza-ceo-da-gouvea-ecosystem\/","title":{"rendered":"2026 n\u00e3o ser\u00e1 um ano de crescimento real, mas de adiamento &#8211; Por  Por Marcos Gouv\u00eaa de Souza, CEO da Gouv\u00eaa Ecosystem"},"content":{"rendered":"<p>2026 dever\u00e1 ser um ano de normalidade econ\u00f4mica com algum crescimento e mais um ciclo de posterga\u00e7\u00e3o com foco priorit\u00e1rio na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1, na pr\u00e1tica, mais um ano de adiamento de decis\u00f5es, de ajustes e de responsabilidades.<\/p>\n<p>As previs\u00f5es mostram um crescimento inferior ao do ano anterior \u2013 apesar de todos os est\u00edmulos j\u00e1 anunciados e implantados. Alguns indicadores ir\u00e3o sustentar essa narrativa mas, por tr\u00e1s dela, o pa\u00eds aprofunda desequil\u00edbrios, posterga ajustes e transfere custos para os pr\u00f3ximos ciclos.<\/p>\n<p>Em anos pr\u00e9-eleitorais, a economia costuma contar hist\u00f3rias melhores do que aquelas que os fundamentos conseguem sustentar. Indicadores escolhidos melhoram, a atividade se mant\u00e9m em movimento e o discurso da evolu\u00e7\u00e3o ganha tra\u00e7\u00e3o. Mas, por tr\u00e1s dessa vis\u00e3o mais favor\u00e1vel, acumulam-se tens\u00f5es que n\u00e3o desaparecem e apenas s\u00e3o adiadas.<\/p>\n<p>Este ano tende a ser marcado por um baixo crescimento econ\u00f4mico e, ainda assim, artificialmente sustentado. A combina\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos fiscais, expans\u00e3o do cr\u00e9dito direcionado, pol\u00edticas de renda, programas de aux\u00edlio e investimentos p\u00fablicos com forte vi\u00e9s eleitoral devem manter a atividade em funcionamento, ainda que com baixo crescimento nominal, ou mesmo desempenho real negativo, quando deflacionados nos segmentos de varejo e consumo, como aconteceu em 2025.<\/p>\n<p>Os dados recentes de desempenho do final do ano envolvendo shoppings centers, foodservice e varejo das lojas f\u00edsicas apontam que a maioria dos segmentos de com\u00e9rcio, quando deflacionados pela infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das categorias envolvidas, mostra desempenho real negativo com exce\u00e7\u00e3o do setor de e-commerce e de algumas poucas categorias, o que deve se repetir em 2026.<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7a estrutural no consumo e no varejo<\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de uma economia \u201cbombada\u201d por est\u00edmulos artificiais de toda ordem, capaz de preservar indicadores no curto prazo, mas que aprofunda as desigualdades, amplia a inseguran\u00e7a econ\u00f4mica e social e posterga ajustes estruturais inevit\u00e1veis. O resultado \u00e9 um crescimento inst\u00e1vel e artificial apesar de um momento global altamente favor\u00e1vel ao pa\u00eds por conta de todas as quest\u00f5es que envolvem seus diferenciais na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, energia e recursos minerais estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio implica numa reconfigura\u00e7\u00e3o estrutural do consumo e do varejo. De um lado, cresce de forma consistente a participa\u00e7\u00e3o do varejo de valor, aquele do mais por menos, impulsionado por consumidores mais sens\u00edveis a pre\u00e7o e prazo de pagamento, mais endividados e com menor margem de erro no or\u00e7amento dom\u00e9stico. De outro, o segmento de luxo se mant\u00e9m, e tende a ampliar seu ritmo de crescimento, sustentado por rendas menos dependentes do ciclo econ\u00f4mico e elevadas remunera\u00e7\u00f5es ligadas a aplica\u00e7\u00f5es financeiras e por uma demanda estruturalmente mais resiliente.<\/p>\n<p><strong>Nunca convivemos com um consumo t\u00e3o pressionado na base e t\u00e3o euf\u00f3rico no topo.<\/strong><\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, avan\u00e7a a participa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e solu\u00e7\u00f5es associados a produtos como sa\u00fade, manuten\u00e7\u00e3o, cuidados pessoais, assinaturas, financiamento, seguros e outras modalidades. O consumidor compra menos itens, mais baratos, mas exige mais funcionalidade, conveni\u00eancia e parcelamento dos pagamentos ao longo do tempo, mesmo que com taxas de juros das mais altas no mundo.<\/p>\n<p>Observa-se tamb\u00e9m um aumento da participa\u00e7\u00e3o direta da ind\u00fastria de bens de consumo no varejo, seja por canais pr\u00f3prios, marketplaces e modelos h\u00edbridos, mas sempre com maior envolvimento na rela\u00e7\u00e3o direta com o consumidor final. Esse movimento intensifica a disputa por margem, dados e fidelidade, elevando de forma estrutural a press\u00e3o competitiva sobre o varejo tradicional.<\/p>\n<p>Paralelamente continua a crescer a destina\u00e7\u00e3o de renda para apostas online (bets), aprofundando a desconex\u00e3o entre aumento da massa salarial e consumo produtivo. Esse fen\u00f4meno contribui para o avan\u00e7o do endividamento das fam\u00edlias e para n\u00edveis elevados de inadimpl\u00eancia com impactos diretos sobre a qualidade, a previsibilidade e a sustentabilidade do consumo.<\/p>\n<p>As bets deixaram de ser um desvio marginal e passaram a competir diretamente com categorias essenciais do consumo.<\/p>\n<p><strong>Press\u00e3o competitiva exponenciada<\/strong><\/p>\n<p>O resultado desse conjunto de for\u00e7as \u00e9 um ambiente de competi\u00e7\u00e3o mais intensa e rentabilidade pressionada na maior parte do varejo e dos servi\u00e7os, com exce\u00e7\u00e3o do segmento de luxo e de algumas categorias que preservam maior poder de precifica\u00e7\u00e3o, diferencia\u00e7\u00e3o e fideliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>No final, 2026 se apresentar\u00e1 menos como um ano de consolida\u00e7\u00e3o e mais como um tempo de adiamento.<\/strong><\/p>\n<p>A aparente normalidade econ\u00f4mica mascara fragilidades que tendem a emergir no ciclo seguinte, quando os est\u00edmulos perderem for\u00e7a e a necessidade de corre\u00e7\u00e3o se tornar inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 fundamental a integra\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as empresariais dos setores de varejo, consumo e servi\u00e7os pessoais. Ela deixa de ser desej\u00e1vel para se tornar imperativa, para muito al\u00e9m de quest\u00f5es pol\u00edtico-partid\u00e1rias. Em um ambiente no qual os tr\u00eas Poderes da Rep\u00fablica mostram-se de forma majorit\u00e1ria mais comprometidos com o curto prazo, com agendas pr\u00f3prias e interesses imediatos e, cada vez mais afastados da constru\u00e7\u00e3o de um Projeto de Na\u00e7\u00e3o de longo prazo, cabe ao setor produtivo assumir um papel mais ativo e respons\u00e1vel.<\/p>\n<p>Se os setores privado e produtivo n\u00e3o ocuparem o espa\u00e7o do longo prazo, ele ser\u00e1 ocupado pelo improviso e pela vis\u00e3o estreita da pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. E o custo, como sempre, ser\u00e1 transferido para a Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pela capilaridade, capacidade de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda, proximidade di\u00e1ria com o consumidor e peso econ\u00f4mico, esses setores deveriam se integrar, se posicionar e atuar de forma coordenada para construir alternativas ao que hoje parece inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Isso pode ser feito por meio de agendas comuns e integradas, inova\u00e7\u00e3o colaborativa, autorregula\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o do consumidor ou propostas concretas para o debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>O quadro futuro n\u00e3o pode estar dado. Ele pode ser moldado pela capacidade coletiva de agir com vis\u00e3o de longo prazo, senso de urg\u00eancia e compromisso real com a Na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais do que a reflex\u00e3o, \u00e9 preciso a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2026 dever\u00e1 ser um ano de normalidade econ\u00f4mica com algum crescimento e mais um ciclo de posterga\u00e7\u00e3o com foco priorit\u00e1rio na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1, na pr\u00e1tica, mais um ano de adiamento de decis\u00f5es, de ajustes e de responsabilidades. 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