{"id":18428,"date":"2025-05-29T11:42:30","date_gmt":"2025-05-29T14:42:30","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=18428"},"modified":"2025-05-29T11:42:30","modified_gmt":"2025-05-29T14:42:30","slug":"como-a-inadimplencia-e-os-juros-altos-impactam-a-precificacao-dos-seguros-por-sergio-luiz-bernardelli-junior-e-advogado-do-escritorio-ernesto-borges-advogados-com-enfase-em-direito-securitario-for","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2025\/05\/29\/como-a-inadimplencia-e-os-juros-altos-impactam-a-precificacao-dos-seguros-por-sergio-luiz-bernardelli-junior-e-advogado-do-escritorio-ernesto-borges-advogados-com-enfase-em-direito-securitario-for\/","title":{"rendered":"Como a inadimpl\u00eancia e os juros altos impactam a precifica\u00e7\u00e3o dos seguros &#8211; Por: S\u00e9rgio Luiz Bernardelli Junior \u00e9 advogado do escrit\u00f3rio Ernesto Borges Advogados com \u00eanfase em Direito Securit\u00e1rio. Formado em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas pela UFMS, Mestrando em Direito pelo IDP Bras\u00edlia e P\u00f3s-graduado em Direito Constituciona"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemIntroText\">\n<p>Com a economia inst\u00e1vel e o endividamento em alta, ajustar a precifica\u00e7\u00e3o das ap\u00f3lices pode ser a chave para garantir a sustentabilidade das seguradoras sem comprometer a ades\u00e3o dos clientes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>Em 2024, o endividamento atingiu n\u00edveis preocupantes em todas as faixas de renda. Dados da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) apontam que 81% das fam\u00edlias que ganham at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos estavam endividadas, enquanto 66% das que possuem renda superior a dez sal\u00e1rios m\u00ednimos tamb\u00e9m acumulavam preocupa\u00e7\u00f5es financeiras. O percentual de inadimplentes h\u00e1 mais de 90 dias alcan\u00e7ou 49%, o que coloca em evid\u00eancia a instabilidade econ\u00f4mica e dificulta a concess\u00e3o de cr\u00e9dito. Em outras palavras, o cen\u00e1rio \u00e9 desafiador para o setor segurador.<\/p>\n<p>Basta ir ao supermercado para perceber como a infla\u00e7\u00e3o segue a corroer o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o. Cinco anos ap\u00f3s o auge da pandemia, a economia brasileira ainda n\u00e3o conseguiu se recuperar plenamente da press\u00e3o inflacion\u00e1ria. Em mar\u00e7o de 2020, a infla\u00e7\u00e3o estava em 4,5% e a taxa Selic operava abaixo de 7%. J\u00e1 em mar\u00e7o de 2025, a Selic atingiu 14,25% ao ano, enquanto o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta acumulada de 4,87% em 12 meses, ultrapassando o teto da meta estipulada para o per\u00edodo.<\/p>\n<p>Com o encarecimento do cr\u00e9dito, o consumo de bens e servi\u00e7os desacelera \u2013 e, naturalmente, o setor de seguros sente os impactos dessa retra\u00e7\u00e3o. Sabe-se, historicamente, que penetra\u00e7\u00e3o dos produtos securit\u00e1rios no Brasil \u00e9 limitada: apenas um ter\u00e7o da frota de ve\u00edculos est\u00e1 segurada, menos de 20% das resid\u00eancias contam com prote\u00e7\u00e3o e planos de previd\u00eancia privada alcan\u00e7am menos de 10% da popula\u00e7\u00e3o\u2013 sendo que muitos deles est\u00e3o restritos a planos coletivos. No segmento de seguros de vida, apenas 17% dos brasileiros possuem alguma cobertura, concentrados nas classes A e B, que menos sofrem com os impactos da volatilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A volatilidade econ\u00f4mica afeta, sobretudo, a capacidade de consumo das fam\u00edlias de baixa renda (classes C, D e E), que priorizam necessidades essenciais \u00e0 medida que o custo de vida se eleva.<\/p>\n<p>Uma pesquisa[1] de 2022 revelou que quase 60% dos brasileiros que n\u00e3o possuem seguro admitem n\u00e3o estarem tranquilos sem essa prote\u00e7\u00e3o. Portanto, a principal barreira nem sempre \u00e9 a falta de percep\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do seguro, mas sim a restri\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria.<\/p>\n<p>A maior penetra\u00e7\u00e3o dos seguros n\u00e3o beneficia apenas as seguradoras, mas tamb\u00e9m o consumidor e a economia como um todo. Quanto maior o volume de ap\u00f3lices em determinada regi\u00e3o, mais pulverizado \u00e9 o risco, mais equilibrado torna-se o \u00edndice de sinistralidade e maior a capacidade das seguradoras de ajustar seus pre\u00e7os de forma competitiva.<\/p>\n<p>Mitigar riscos e garantir a sustentabilidade financeira, essas devem ser as palavras de ordem para as seguradoras em rela\u00e7\u00e3o ao planejamento estrat\u00e9gico. Diferentemente de outros segmentos que estruturam a precifica\u00e7\u00e3o com base em custos fixos adicionando as margens de lucro, o mercado securit\u00e1rio exige uma abordagem altamente t\u00e9cnica e multifatorial. A precifica\u00e7\u00e3o de ap\u00f3lices envolve vari\u00e1veis como o perfil do segurado, modelos preditivos de comportamento, condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas, tend\u00eancias clim\u00e1ticas e riscos espec\u00edficos de cada mercado. Quando os dados apontam para um ambiente de instabilidade econ\u00f4mica, essa realidade precisa ser incorporada aos c\u00e1lculos \u2013 especialmente em produtos diretamente impactados pela inadimpl\u00eancia, como o seguro prestamista.<\/p>\n<p>Para enfrentar o desafio da precifica\u00e7\u00e3o em tempos vol\u00e1teis, \u00e9 essencial investir em modelos preditivos robustos, monitoramento cont\u00ednuo de risco e at\u00e9 a revis\u00e3o de cl\u00e1usulas contratuais. A possibilidade de renegocia\u00e7\u00e3o de pr\u00eamios deve ser avaliada sem comprometer a solv\u00eancia das seguradoras, garantindo a manuten\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a dos segurados.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de bases qualificadas de informa\u00e7\u00f5es permite \u00e0 seguradora desenvolver an\u00e1lises mais precisas e tomar decis\u00f5es \u00e1geis, especialmente em quando \u00e9 necess\u00e1rio avaliar a propens\u00e3o \u00e0 compra, a probabilidade de cancelamento, o risco de sinistros, a necessidade de cr\u00e9dito e a identifica\u00e7\u00e3o de fraudes.<\/p>\n<p>Em um ambiente econ\u00f4mico sob a chancela da incerteza, a precifica\u00e7\u00e3o das ap\u00f3lices precisa ser sofisticada, garantindo a acessibilidade ao consumidor sem comprometer a seguran\u00e7a financeira das seguradoras \u2013 uma gangorra delicada, mas poss\u00edvel, com as estrat\u00e9gias e ferramentas adequadas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a economia inst\u00e1vel e o endividamento em alta, ajustar a precifica\u00e7\u00e3o das ap\u00f3lices pode ser a chave para garantir a sustentabilidade das seguradoras sem comprometer a ades\u00e3o dos clientes. 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