{"id":16483,"date":"2024-11-06T18:07:24","date_gmt":"2024-11-06T21:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=16483"},"modified":"2024-11-06T18:07:24","modified_gmt":"2024-11-06T21:07:24","slug":"por-que-marcas-falham-a-arrogancia-e-falta-de-proposito-que-leva-grandes-empresas-ao-esquecimento-por-alexandre-poseddon-e-o-estrategista-por-tras-de-campanhas-que-alavancaram-diversas-personalidad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2024\/11\/06\/por-que-marcas-falham-a-arrogancia-e-falta-de-proposito-que-leva-grandes-empresas-ao-esquecimento-por-alexandre-poseddon-e-o-estrategista-por-tras-de-campanhas-que-alavancaram-diversas-personalidad\/","title":{"rendered":"Por que marcas falham? A arrog\u00e2ncia e falta de prop\u00f3sito que leva grandes empresas ao esquecimento- Por: Alexandre Poseddon \u00e9 o estrategista por tr\u00e1s de campanhas que alavancaram diversas personalidades p\u00fablicas, desde influenciadores com mais de 10 milh\u00f5es de seguidores at\u00e9 pol\u00edticos eleitos entre os mais votados do pa\u00eds. Com mais de 15 anos de experi\u00eancia, Alexandre possui uma trajet\u00f3ria premiada no marketing. Atualmente, \u00e9 diretor de marketing da P1LED, onde aplica sua vis\u00e3o estrat\u00e9gica para transformar empresas, elevando seu posicionamento no mercado com uma abordagem que combina autenticidade e conex\u00e3o real com o p\u00fablico."},"content":{"rendered":"<p>A era do marketing de prop\u00f3sito trouxe uma nova regra: seja aut\u00eantico ou prepare-se para o fracasso. Quando o prop\u00f3sito n\u00e3o passa de uma promessa vazia, o pre\u00e7o de ignorar a autenticidade e a conex\u00e3o com o p\u00fablico \u00e9 o fracasso!<\/p>\n<p>Quando falamos sobre o fracasso de marcas, \u00e9 tentador apontar raz\u00f5es \u00f3bvias: m\u00e1 gest\u00e3o, falta de inova\u00e7\u00e3o, desaten\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as do mercado. No entanto, se formos a fundo, percebemos que o buraco \u00e9 mais embaixo \u2013 e talvez at\u00e9 mais humano. Marcas n\u00e3o falham apenas por fatores isolados, mas por uma combina\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es que ignoram as complexidades do mercado, subestimam o cliente e, muitas vezes, traem os pr\u00f3prios valores. Ao explorar esses temas, fica claro que os motivos v\u00e3o al\u00e9m das estat\u00edsticas: o fracasso revela a desconex\u00e3o entre o prop\u00f3sito da marca e a realidade.<\/p>\n<p>A promessa vazia: por que prop\u00f3sito \u00e9 mais do que uma moda passageira<\/p>\n<p>Hoje, muitos CEOs insistem em prop\u00f3sitos de marca, mas poucos realmente entendem o que isso significa. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ter um \u201cprop\u00f3sito\u201d \u2013 \u00e9 como ele \u00e9 executado e vivido no dia a dia da empresa. Um prop\u00f3sito bem fundamentado vai al\u00e9m de slogans e campanhas publicit\u00e1rias: ele exige autenticidade. Um exemplo cl\u00e1ssico do que n\u00e3o fazer \u00e9 a campanha da Pepsi de 2017, protagonizada por Kendall Jenner. A marca tentou se apropriar de um movimento social, mas o fez de maneira superficial e desrespeitosa, resultando em uma avalanche de cr\u00edticas. Aqui, a empresa revelou um equ\u00edvoco perigoso: ao tentar se conectar com um p\u00fablico engajado, n\u00e3o foi aut\u00eantica e acabou por alienar seus pr\u00f3prios consumidores. Se o prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 genu\u00edno, ele n\u00e3o apenas fracassa \u2013 ele se torna motivo de vergonha p\u00fablica.<\/p>\n<p>O estudo da Accenture de 2019 traz dados relevantes: 63% dos consumidores preferem marcas com posicionamento claro e alinhado a causas sociais. Mas n\u00e3o se engane: eles tamb\u00e9m detectam quando essa conex\u00e3o \u00e9 for\u00e7ada. Prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 algo que se finge, e as empresas que tentam \u201ccomprar\u201d essa autenticidade encontram um p\u00fablico cada vez mais cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Falta de vis\u00e3o: a paralisia frente \u00e0 mudan\u00e7a<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o que Blockbuster deixou para o mundo \u00e9 a import\u00e2ncia de enxergar al\u00e9m do \u201cagora\u201d. Ao ignorar o crescimento do streaming, a empresa perdeu a chance de se reinventar. E, pior, assumiu que a necessidade dos consumidores de visitar uma loja f\u00edsica nunca mudaria. Blockbuster n\u00e3o falhou por uma simples falta de inova\u00e7\u00e3o; falhou porque seus l\u00edderes estavam presos a um modelo que, para eles, parecia inabal\u00e1vel. Nesse caso, o fracasso \u00e9 uma mistura de miopia e teimosia.<\/p>\n<p>Harvard Business Review abordou esse fen\u00f4meno em um artigo sobre \u201cA Ilus\u00e3o da Estabilidade do Mercado\u201d (2006), que aponta que empresas que confiam na estabilidade do mercado s\u00e3o as mais vulner\u00e1veis ao fracasso. Blockbuster exemplifica perfeitamente esse ponto: ao n\u00e3o ver a iminente transforma\u00e7\u00e3o digital, abriu caminho para que a Netflix dominasse o mercado de entretenimento. E aqui a ironia \u00e9 quase amarga \u2013 a empresa teve a oportunidade de comprar a Netflix e recusou, numa combina\u00e7\u00e3o fatal de arrog\u00e2ncia e falta de vis\u00e3o.<\/p>\n<p>A cultura da arrog\u00e2ncia: quando a confian\u00e7a se torna cegueira<\/p>\n<p>Muitas empresas de sucesso se tornam v\u00edtimas de sua pr\u00f3pria arrog\u00e2ncia. Quando uma marca acredita que sua popularidade \u00e9 invenc\u00edvel, come\u00e7a a desconectar-se do p\u00fablico que a fez crescer. A Abercrombie &#038; Fitch, por exemplo, construiu uma imagem elitista, que acabou se virando contra ela. Em 2013, o ent\u00e3o CEO Mike Jeffries afirmou que a marca era \u201cpara pessoas populares e atraentes\u201d, alienando uma gera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou a valorizar diversidade e inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse excesso de confian\u00e7a \u00e9 perigoso porque mascara uma desconex\u00e3o fundamental com o consumidor. O estudo \u201cBrand Relevance Index\u201d, da consultoria Prophet, demonstra que marcas conectadas aos clientes s\u00e3o mais valorizadas e t\u00eam melhor desempenho. Contudo, empresas como a Abercrombie ignoram esse sinal, acreditando que um p\u00fablico fiel n\u00e3o se cansar\u00e1. E, muitas vezes, a queda s\u00f3 se torna percept\u00edvel quando o estrago j\u00e1 foi feito.<\/p>\n<p>Quando a estrutura organizacional vira \u00e2ncora<\/p>\n<p>Um dos grandes dilemas corporativos \u00e9 que, \u00e0 medida que uma empresa cresce, suas estruturas se tornam mais r\u00edgidas. O que deveria ser um suporte se transforma em um peso. A Kodak \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico desse problema. Mesmo tendo desenvolvido a tecnologia de c\u00e2meras digitais, a empresa se recusou a adotar o digital, temendo que isso comprometesse seu lucrativo neg\u00f3cio de filmes fotogr\u00e1ficos. A ironia? Enquanto ela hesitava, Canon e Sony avan\u00e7avam com c\u00e2meras digitais e dominaram o mercado.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do Boston Consulting Group de 2021 aponta que empresas com estruturas organizacionais flex\u00edveis s\u00e3o mais capazes de se adaptar e inovar. No entanto, a Kodak mostrou que estruturas pesadas e falta de vis\u00e3o podem comprometer at\u00e9 mesmo as melhores inova\u00e7\u00f5es. A empresa literalmente tinha a chave para o futuro, mas decidiu guard\u00e1-la em um cofre.<\/p>\n<p>Promessas vagas e a falta de clareza no valor entregue<\/p>\n<p>Um erro que pode parecer menos evidente, mas \u00e9 fatal, \u00e9 a falta de clareza na proposta de valor. Marcas que n\u00e3o comunicam seu diferencial ou se perdem em promessas vagas acabam falhando em construir uma base s\u00f3lida de clientes. A rede J.C. Penney, por exemplo, viveu isso. Em 2011, a empresa tentou mudar sua estrat\u00e9gia, eliminando descontos e promo\u00e7\u00f5es, um movimento que confundiu clientes fi\u00e9is e afastou consumidores. O resultado foi uma queda nas vendas e uma imagem de marca desgastada.<\/p>\n<p>A McKinsey destaca em sua pesquisa que 75% dos consumidores preferem marcas que t\u00eam uma proposta de valor clara. Quando uma marca falha em demonstrar seu diferencial, ela se torna irrelevante. No caso da J.C. Penney, a mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve uma mensagem clara e, pior ainda, parecia uma trai\u00e7\u00e3o aos clientes habituais.<\/p>\n<p>Em busca de uma conex\u00e3o genu\u00edna com o p\u00fablico<\n\nAs falhas de marcas que j\u00e1 foram \u00edcones no mercado trazem uma li\u00e7\u00e3o importante: sucesso n\u00e3o \u00e9 uma linha reta. Uma marca precisa ser adapt\u00e1vel, transparente e, acima de tudo, aut\u00eantica. O que esses casos nos mostram \u00e9 que o fracasso n\u00e3o acontece apenas por uma falta de inova\u00e7\u00e3o ou de vis\u00e3o. Ele \u00e9, na verdade, um reflexo de uma desconex\u00e3o fundamental com o consumidor.\n\nEmpresas que entendem e respeitam o consumidor, que n\u00e3o t\u00eam medo de inovar e que trabalham para entregar valor verdadeiro, t\u00eam mais chances de sobreviver em um mercado competitivo. N\u00e3o se trata apenas de reagir \u00e0s mudan\u00e7as, mas de se conectar com as pessoas que comp\u00f5em seu p\u00fablico e de n\u00e3o subestimar o poder das decis\u00f5es estrat\u00e9gicas. Afinal, como diria o ditado, o verdadeiro sucesso de uma marca n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ado ao pisar no topo \u2013 \u00e9 sustentado ao permanecer conectada a quem a colocou l\u00e1.\n\n\n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A era do marketing de prop\u00f3sito trouxe uma nova regra: seja aut\u00eantico ou prepare-se para o fracasso. 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