{"id":16190,"date":"2024-10-03T11:11:14","date_gmt":"2024-10-03T14:11:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=16190"},"modified":"2024-10-03T11:11:14","modified_gmt":"2024-10-03T14:11:14","slug":"como-maes-podem-lidar-com-o-retorno-ao-trabalho-apos-a-licenca-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2024\/10\/03\/como-maes-podem-lidar-com-o-retorno-ao-trabalho-apos-a-licenca-maternidade\/","title":{"rendered":"Como m\u00e3es podem lidar com o retorno ao trabalho ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemBody\">\n<div class=\"itemIntroText\">\n<p>Psic\u00f3loga perinatal orienta m\u00e3es sobre como enfrentar os desafios emocionais ao voltar ao trabalho ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>O retorno ao trabalho ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade costuma ser marcado por desafios emocionais, como a separa\u00e7\u00e3o do beb\u00ea e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 rotina profissional. A psic\u00f3loga perinatal Rafaela Schiavo, do Instituto MaterOnline, explica como as m\u00e3es podem lidar com essa transi\u00e7\u00e3o e ressalta a import\u00e2ncia de pol\u00edticas corporativas que apoiem esse processo.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa da Fawcett Society, realizada em 2023, 84% das m\u00e3es relataram dificuldades emocionais ao retornar ao trabalho, e 40% delas mencionaram a culpa como um sentimento recorrente. Al\u00e9m disso, uma pesquisa recente do Datafolha revelou que 76% dos brasileiros apoiam o aumento da licen\u00e7a-paternidade, e 67% acreditam que pais e m\u00e3es deveriam ter o mesmo per\u00edodo de afastamento.<\/p>\n<p><strong>O impacto emocional no retorno ao trabalho<\/strong><\/p>\n<p>J\u00falia Bozzetto, jornalista e m\u00e3e de um beb\u00ea de sete meses, descreve o retorno ao trabalho como um dos momentos mais desafiadores de sua vida. \u201cDesde que voltei ao trabalho, meu &#8216;castelo de cartas&#8217; desmoronou. Me sinto exausta, sobrecarregada e, muitas vezes, triste. Parece que aquele ambiente de trabalho n\u00e3o se encaixa mais em mim\u201d. J\u00falia conta com a ajuda da sua rede de apoio, formada por familiares, mas a separa\u00e7\u00e3o do beb\u00ea e o cansa\u00e7o emocional ainda pesam.<\/p>\n<p>Outra m\u00e3e, tamb\u00e9m jornalista, que prefere n\u00e3o se identificar, passou por uma situa\u00e7\u00e3o semelhante: \u201cNo meu primeiro dia de volta ao trabalho, cada colega que perguntava sobre meu filho trazia \u00e0 tona uma tristeza imensa. Eu chorava a cada men\u00e7\u00e3o, porque ainda estava muito conectada emocionalmente a ele. A separa\u00e7\u00e3o foi brutal, mesmo sabendo que era a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o no momento\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Schiavo, essas experi\u00eancias s\u00e3o comuns entre m\u00e3es que enfrentam a dif\u00edcil tarefa de equilibrar as demandas profissionais com a preocupa\u00e7\u00e3o constante com seus filhos. \u201cMuitas mulheres sentem que n\u00e3o est\u00e3o sendo suficientemente presentes na vida dos filhos. Esse sentimento \u00e9 uma forma de expressar o amor e a preocupa\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 importante entender que n\u00e3o \u00e9 um sinal de que algo est\u00e1 sendo feito de forma errada\u201d.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia de uma rede de apoio<\/strong><\/p>\n<p>Uma das maneiras de tornar esse processo menos doloroso \u00e9 contar com uma rede de apoio, que pode incluir familiares, amigos ou uma creche de confian\u00e7a. J\u00falia compartilha como a ajuda de sua sogra, cunhada e marido foi importante para conciliar a maternidade e trabalho. \u201cSem o suporte deles, eu n\u00e3o sei como teria conseguido. Mesmo com a ajuda, a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. Na primeira semana em que voltei ao trabalho, meu beb\u00ea ficou doente, e aquilo partiu meu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga enfatiza que, al\u00e9m do apoio pr\u00e1tico, o suporte emocional proporcionado por essa rede \u00e9 fundamental. \u201cTer uma rede de apoio confi\u00e1vel ajuda a diminuir a ansiedade e a sobrecarga emocional. Muitas m\u00e3es que n\u00e3o t\u00eam esse suporte enfrentam mais dificuldades, o que pode levar at\u00e9 a problemas como ansiedade ou depress\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A m\u00e3e an\u00f4nima entrevistada tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia de uma creche equipada com c\u00e2meras, o que permitiu acompanhar seu beb\u00ea em tempo real. \u201cFoi uma forma de estar perto, mesmo estando longe. Saber que ele estava sendo bem cuidado me deu paz, embora a culpa e a saudade estejam sempre presentes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Desafios no ambiente de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>A falta de flexibilidade no ambiente de trabalho \u00e9 outro desafio frequentemente enfrentado pelas m\u00e3es que retornam de licen\u00e7a-maternidade. Schiavo aponta que muitas empresas ainda n\u00e3o est\u00e3o preparadas para lidar com as demandas dessa transi\u00e7\u00e3o. \u201cO retorno ao trabalho deveria ser gradual, com pol\u00edticas que permitam a transi\u00e7\u00e3o de forma mais suave para m\u00e3es e beb\u00eas\u201d. Muitas m\u00e3es relatam que a aus\u00eancia de pol\u00edticas de flexibilidade prejudica o desempenho profissional e emocional. \u201cEssa falta pode aumentar o estresse e a sensa\u00e7\u00e3o de culpa das m\u00e3es, prejudicando n\u00e3o apenas suas oportunidades de promo\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o seu bem-estar emocional\u201d, completa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a falta de empatia por parte de colegas e superiores torna o retorno ainda mais dif\u00edcil. Segundo a J\u00falia, \u201cmuitas pessoas que n\u00e3o t\u00eam filhos n\u00e3o entendem o que \u00e9 ser m\u00e3e e como isso muda tudo na vida da mulher. Falta empatia no ambiente de trabalho, e isso torna o processo de retorno ainda mais dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>Em um cen\u00e1rio ideal, de acordo com Rafaela Schiavo, o ambiente corporativo deveria fornecer suporte, como hor\u00e1rios flex\u00edveis ou a possibilidade de trabalho remoto, para facilitar a transi\u00e7\u00e3o de m\u00e3es que acabam de retornar de licen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Equidade nas licen\u00e7as parentais<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 discuss\u00f5es em andamento sobre a amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-paternidade, como forma de promover uma maior igualdade no cuidado com os filhos. Atualmente, pais e m\u00e3es possuem per\u00edodos de afastamento diferentes, o que gera desafios tanto no ambiente familiar quanto no profissional. Segundo a psic\u00f3loga, \u201cquando pais e m\u00e3es compartilham responsabilidades desde o in\u00edcio, as mulheres enfrentam menos obst\u00e1culos em suas carreiras, enquanto os homens t\u00eam a oportunidade de participar mais ativamente no cuidado com seus filhos\u201d.<\/p>\n<p>Ela destaca ainda que a licen\u00e7a-maternidade de 120 dias oferecida por muitas empresas n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir uma separa\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel entre m\u00e3e e beb\u00ea. \u201cDe acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o ideal \u00e9 que a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva ocorra at\u00e9 os seis meses de vida. Por isso, a licen\u00e7a-maternidade de 120 dias n\u00e3o \u00e9 suficiente para garantir esse cuidado\u201d.<\/p>\n<p><strong>Como passar pelo retorno ao trabalho com mais leveza<\/strong><\/p>\n<p>Para ajudar as m\u00e3es a lidarem com essa fase desafiadora, Schiavo oferece algumas orienta\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&#8211; Antecipe uma separa\u00e7\u00e3o gradual: Deixe o beb\u00ea com outras pessoas por algumas horas antes do retorno ao trabalho, para que ambos se acostumem \u00e0 separa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Construa uma rede de apoio: Ter familiares, amigos ou uma creche de confian\u00e7a \u00e9 fundamental para reduzir a ansiedade.<br \/>\n&#8211; Estabele\u00e7a prioridades e respeite seus limites: N\u00e3o tente ser perfeita em todas as \u00e1reas. Respeitar seus limites \u00e9 essencial.<br \/>\n&#8211; Busque apoio psicol\u00f3gico: Caso a culpa e o estresse se tornem intensos, procurar um profissional pode prevenir problemas mais s\u00e9rios, como a depress\u00e3o p\u00f3s-parto.<br \/>\n&#8211; Conecte-se com seu beb\u00ea no tempo dispon\u00edvel: Aproveite os momentos com seu beb\u00ea de forma plena, sem distra\u00e7\u00f5es, para fortalecer o v\u00ednculo.<\/p>\n<p><strong>Quem \u00e9 Rafaela Schiavo?<\/strong><\/p>\n<p>Prof\u00aa-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo \u00e9 psic\u00f3loga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua forma\u00e7\u00e3o inicial, dedica-se \u00e0 sa\u00fade mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos cient\u00edficos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de altera\u00e7\u00f5es emocionais maternas no Brasil.<\/p>\n<p>Possui gradua\u00e7\u00e3o em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho. Al\u00e9m disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Sa\u00fade Coletiva pela mesma institui\u00e7\u00e3o. Realizou seu p\u00f3s-doutorado na UNESP\/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Psicologia, com \u00eanfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento pr\u00e9-natal e na primeira inf\u00e2ncia; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"e-mailit_toolbox circular  size48\">\n<div class=\"e-mailit_btn_EMAILiT\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psic\u00f3loga perinatal orienta m\u00e3es sobre como enfrentar os desafios emocionais ao voltar ao trabalho ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade O retorno ao trabalho ap\u00f3s a licen\u00e7a-maternidade costuma ser marcado por desafios emocionais, como a separa\u00e7\u00e3o do beb\u00ea e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 rotina profissional. 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