{"id":16040,"date":"2024-09-25T18:05:40","date_gmt":"2024-09-25T21:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=16040"},"modified":"2024-09-25T18:05:40","modified_gmt":"2024-09-25T21:05:40","slug":"o-que-aprendi-atuando-em-uma-grande-multinacional-para-ser-ceo-de-uma-startup-por-jorge-ramos-ceo-da-idea-maker","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2024\/09\/25\/o-que-aprendi-atuando-em-uma-grande-multinacional-para-ser-ceo-de-uma-startup-por-jorge-ramos-ceo-da-idea-maker\/","title":{"rendered":"O que aprendi atuando em uma grande multinacional para ser CEO de uma startup &#8211; Por Jorge Ramos, CEO da Idea Maker*"},"content":{"rendered":"<div class=\"itemBody\">\n<div class=\"itemFullText\">\n<p>Frequentemente sou indagado por estudantes e rec\u00e9m-formados sobre como planejei minha carreira para atingir as posi\u00e7\u00f5es que j\u00e1 ocupei. H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel planejar 20-30 anos para obter-se sucesso profissional. E eu sempre digo que n\u00e3o acredito em planejamento de longo prazo, mas em planejamento estrat\u00e9gico e gest\u00e3o de risco. Como assim? O futuro \u00e9 por natureza incerto e com grande frequ\u00eancia somos expostos \u00e0 mudan\u00e7a dr\u00e1stica de curso. Eu considero que planejar prazos longos para uma carreira s\u00f3 traz uma certeza: a frustra\u00e7\u00e3o. E para exemplificar eu sempre cito minha experi\u00eancia de in\u00edcio de carreira.<\/p>\n<p><strong>A primeira jornada profissional<\/strong><\/p>\n<p>Quando jovem, era fascinado pela eletr\u00f4nica. Uma \u201centidade\u201d invis\u00edvel que juntando pe\u00e7as diminutas conseguia criar funcionalidades incr\u00edveis. Decidi ent\u00e3o fazer um curso t\u00e9cnico e na sequ\u00eancia o de engenharia eletr\u00f4nica. Foram 9 anos no total. Mas ao me formar percebi que n\u00e3o haveria, naquela \u00e9poca, muito espa\u00e7o para trabalhar com projetos e concep\u00e7\u00e3o de equipamentos no Brasil, o que era o meu desejo para me realizar profissionalmente. Poderia obviamente partir para pesquisa aplicada ou ent\u00e3o trabalhar em \u00e1reas correlatas, mas resolvi mudar para a \u00e1rea de software, a qual poderia me trazer uma realiza\u00e7\u00e3o semelhante e com um mercado bem mais amplo no Brasil. Entrei no INPE para desenvolver parte do software de comunica\u00e7\u00e3o com o sat\u00e9lite da MECB que seria lan\u00e7ado em alguns anos, e iniciei um mestrado na \u00e1rea de sistemas digitais, com \u00eanfase em software para aprimorar meu conhecimento adquirido durante o curso de engenharia. Meu desejo era permanecer na \u00e1rea de pesquisa at\u00e9 que, no in\u00edcio de minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, surgiu uma oportunidade de participar do desenvolvimento do software embarcado do avi\u00e3o AMX e eu decidi ir para a Embraer. Era um desafio fascinante dada as limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas da \u00e9poca e o conjunto de funcionalidades que se desejava obter. Abandonar o mestrado n\u00e3o foi uma decis\u00e3o simples, mas eu entendi que era o momento para me aventurar no ambiente empresarial, afinal n\u00e3o \u00e9 sempre que surge a oportunidade de trabalhar numa ind\u00fastria de alta intensidade tecnol\u00f3gica e tecnologia de ponta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 6 anos, em meio \u00e0 crise da Embraer do final dos anos 80, surgiu a primeira oportunidade na \u00e1rea de gest\u00e3o. Era para gerenciar um grupo pequeno de engenheiros na \u00e1rea de sistemas aerot\u00e1ticos. Abandonar a carreira t\u00e9cnica n\u00e3o foi uma decis\u00e3o simples, mas eu pensei: se der errado, eu volto para tr\u00e1s. Foram 17 anos at\u00e9 este ponto, desde quando decidi fazer a escola t\u00e9cnica. Havia planejado estes 17 anos para iniciar minha carreira de gest\u00e3o? N\u00e3o. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o tinha feito outro planejamento que inevitavelmente teria me deixado frustrado.<\/p>\n<p><strong>A gest\u00e3o de risco<\/strong><\/p>\n<p>Intuitivamente eu fui desenvolvendo o h\u00e1bito de sempre avaliar poss\u00edveis alternativas de futuro pr\u00f3ximo e me preparar para poder explorar bem as oportunidades que poderiam surgir. Como? Fazendo cursos, lendo peri\u00f3dicos sobre tecnologia em algumas \u00e1reas de minha prefer\u00eancia (na \u00e9poca ainda n\u00e3o havia a WWW). Isto nada mais \u00e9 que gerir riscos. Muitas vezes associamos risco a algo ruim que pode acontecer, mas na verdade \u00e9 apenas a probabilidade de algum acontecimento trazer uma mudan\u00e7a de curso. Cabe a n\u00f3s mesmos tornar o novo rumo bom ou ruim. O futuro \u00e9 o que n\u00f3s constru\u00edmos!<\/p>\n<p>H\u00e1 uma frase do Steve Jobs que \u00e9 um grande ensinamento: \u201cO trabalho vai preencher uma grande parte da sua vida. A \u00fanica maneira de ser realmente feliz \u00e9 fazer o que voc\u00ea acredita ser um \u00f3timo trabalho. E o \u00fanico jeito de fazer um \u00f3timo trabalho \u00e9 amar o que voc\u00ea faz\u201d.<\/p>\n<p><strong>Foco em explorar o que h\u00e1 de bom em cada oportunidade<\/strong><\/p>\n<p>E eu sempre digo \u00e0s pessoas: \u201cMais importante do que procurar fazer o que voc\u00ea gosta \u00e9 aprender a gostar do que voc\u00ea faz\u201d. N\u00e3o sei quem disse isso, mas \u00e9 algo que eu sempre procurei seguir. Isto te ajuda a aproveitar oportunidades que em um primeiro momento parecia n\u00e3o ter nada a ver com o que voc\u00ea gosta de fazer, mas que depois de um tempo voc\u00ea descobre que est\u00e1 adorando e pensa: \u201cSe soubesse que era t\u00e3o bom, teria come\u00e7ado mais cedo\u201d. Quando fui para a \u00e1rea de gest\u00e3o pensei que n\u00e3o iria mais me realizar tecnicamente, mas descobri que podia me realizar tecnicamente de uma forma ainda mais abrangente: atrav\u00e9s de meu time. E foi assim que fui construindo minha carreira.<\/p>\n<p><strong>A segunda jornada profissional<\/strong><\/p>\n<p>A Embraer foi uma grande escola para mim. N\u00e3o apenas pelos in\u00fameros cursos que me propiciaram, tanto na \u00e1rea de gest\u00e3o, quanto na \u00e1rea t\u00e9cnica, mas principalmente pelas excelentes oportunidades que surgiram. Em m\u00e9dia a cada 5 anos eu embarquei em uma nova oportunidade, um novo desafio. Passei por gest\u00f5es de desenvolvimento de produtos de v\u00e1rias dimens\u00f5es, gest\u00e3o de programas, liderei a \u00e1rea de desenvolvimento de tecnologias por 7 anos e quando completava 30 anos de minha gradua\u00e7\u00e3o me foi oferecido ser CEO da Atech, uma empresa m\u00e9dia voltada ao desenvolvimento de sistemas para a gest\u00e3o do tr\u00e1fego a\u00e9reo, rec\u00e9m adquirida pelo grupo.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que consolidei minha forma\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o e governan\u00e7a, gerindo um neg\u00f3cio por completo, com autonomia, e pude finalmente sentir o prazer de cada conquista de contrato, de cada entrega para clientes, de fazer o faturamento crescer e garantir uma margem l\u00edquida de dois d\u00edgitos, o prazer da constru\u00e7\u00e3o de um relacionamento com os clientes, e de montar um planejamento estrat\u00e9gico com toda a equipe para um horizonte de 15 anos. Foi uma realiza\u00e7\u00e3o e tanto.Mas tamb\u00e9m tive que aprender a fazer uma gest\u00e3o operacional de caixa quase que semanal, visando cumprir com os compromissos com fornecedores e empregados.<\/p>\n<p>Tive que alinhar a cultura da empresa com a do grupo e garantir a ades\u00e3o \u00e0 governan\u00e7a, tudo isso sem comprometer a agilidade e a efici\u00eancia de uma empresa m\u00e9dia. Foram 2 anos e meio de muito trabalho, muito aprendizado e de descoberta do prazer de novos tipos de realiza\u00e7\u00e3o. Uma jornada nada mon\u00f3tona, n\u00e3o \u00e9? Mas n\u00e3o parou por a\u00ed. A Embraer necessitava de um novo \u201cCountry President\u201d para a regi\u00e3o da Europa, Oriente M\u00e9dio e \u00c1frica. Uma posi\u00e7\u00e3o institucional e de gest\u00e3o corporativa para esta regi\u00e3o com cerca de 120 pa\u00edses. Desafios inimagin\u00e1veis e que jamais teria colocado como meta de um planejamento de longo prazo feito no in\u00edcio de minha carreira.<\/p>\n<p><strong>A jornada em uma startup<\/strong><\/p>\n<p>A esta altura me aproximava dos 60 anos e certamente as pr\u00f3ximas oportunidades poderiam seguir rumos bem diferentes. Decidi aprimorar minha forma\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o corporativa para poder contribuir cada vez melhor nas posi\u00e7\u00f5es em conselhos das empresas do grupo e em conselhos consultivos do setor.<\/p>\n<p>Realizei alguns cursos e me certifiquei como conselheiro independente pela INSEAD em 2018, uma institui\u00e7\u00e3o renomada na \u00e1rea de gest\u00e3o e governan\u00e7a corporativa. Em 2020 o grupo precisou passar por uma grande reestrutura\u00e7\u00e3o e a pandemia emplacou. Eu decidi voltar ao Brasil e iniciar uma consultoria na \u00e1rea de governan\u00e7a corporativa para empresas familiares. Tive meu primeiro contrato para estabelecer a governan\u00e7a em uma startup e lan\u00e7ar seu banco digital. Um trabalho que acabou se expandindo com a cria\u00e7\u00e3o por completo de toda a estrutura corporativa, o estabelecimento da governan\u00e7a e da cultura visando a sustentabilidade da empresa, a Idea Maker. Os acionistas me convidaram ent\u00e3o para a posi\u00e7\u00e3o de Presidente do Conselho e CEO, na qual eu me encontro hoje. Aplicar todo o conhecimento adquirido em uma multinacional \u00e0 realidade de uma startup \u00e9 um desafio incr\u00edvel e muito gratificante. Talvez esta sim teria sido uma meta profissional que eu poderia ter estabelecido ao me formar, mas certamente teria seguido um caminho diferente.<\/p>\n<p>*Jorge Ramos \u00e9 CEO da Idea Maker, empresa de tecnologia que idealiza solu\u00e7\u00f5es digitais e desenvolve produtos voltados para meios de pagamento e filantropia premi\u00e1vel, desde 2020. Trabalhou por mais de 35 anos na Embraer, chegando ao cargo de vice-presidente de desenvolvimento de tecnologias, tendo passagem tamb\u00e9m como Presidente e CEO na Atech S.A, que \u00e9 uma empresa do grupo Embraer, al\u00e9m de ser membro do conselho administrativo da empresa na Holanda. Ainda atuou no conselho administrativo da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Francesa e Holandesa no Brasil. Jorge \u00e9 formado em Engenharia Eletr\u00f4nica pelo Instituto Tecnol\u00f3gico de Aeron\u00e1utica (ITA), possui especializa\u00e7\u00e3o em sistemas digitais pelo INPE &#8211; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e possui certifica\u00e7\u00f5es de finan\u00e7as e governan\u00e7a pela The Business School for the World &#8211; INSEAD.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"e-mailit_toolbox circular  size48\">\n<div class=\"e-mailit_btn_EMAILiT\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frequentemente sou indagado por estudantes e rec\u00e9m-formados sobre como planejei minha carreira para atingir as posi\u00e7\u00f5es que j\u00e1 ocupei. H\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel planejar 20-30 anos para obter-se sucesso profissional. E eu sempre digo que n\u00e3o acredito em planejamento de longo prazo, mas em planejamento estrat\u00e9gico e gest\u00e3o de risco. Como assim? 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