{"id":13563,"date":"2023-11-19T23:13:38","date_gmt":"2023-11-20T02:13:38","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=13563"},"modified":"2023-11-19T23:13:38","modified_gmt":"2023-11-20T02:13:38","slug":"economista-apresenta-numeros-que-confirmam-o-racismo-estrutural-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/11\/19\/economista-apresenta-numeros-que-confirmam-o-racismo-estrutural-no-brasil\/","title":{"rendered":"Economista apresenta n\u00fameros que confirmam o racismo estrutural no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"single-the-excerpt\" class=\"column large-12 small-12 \">\n<div class=\"post-excerpt\">\n<p>Vivian Machado mostra marginaliza\u00e7\u00e3o sofrida por negros e negras no mercado de trabalho e eleva\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia contra afrodescendentes<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"post-info\">\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 A mestre em Economia Pol\u00edtica pela PUC-SP e t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos) na Contraf-CUT, Viviam Machado, apresentou dados que confirmam o racismo no mercado de trabalho brasileiro e a desigualdade de cor e ra\u00e7a, que teve por mais de 300 anos o trabalho escravo como um dos pilares do desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds. Estudo sobre esse preconceito enraizado na sociedade brasileira foi mostrado no painel sobre \u201cA participa\u00e7\u00e3o dos negros e negras no mercado de trabalho e na sociedade e a viol\u00eancia racial no Brasil\u201d, dentro do VII F\u00f3rum pela Visibilidade Negra no Ramo Financeiro, realizado ontem (10), em Porto Alegre.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica do Dieese disse que \u201cem rela\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho, a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 maioria nos trabalhos desprotegidos, 36% maior do que na popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o-negra\u201d. \u201cA maioria do pa\u00eds \u00e9 negra, 56,1%, segundo dados da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/sociais\/trabalho\/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html\">Pinad<\/a>\u00a0cont\u00ednua [Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua] do IBGE, com maior participa\u00e7\u00e3o nos estados do Norte e Nordeste e menor participa\u00e7\u00e3o na Regi\u00e3o Sul. O Amap\u00e1, por exemplo, tem 82,1% e Par\u00e1 81,1% de negros e negras. Em Santa Catarina e Rio Grande possuem pouco mais de 22% de afrodescendentes\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento salarial, o abismo social entre as ra\u00e7as \u00e9 ainda maior. O rendimento m\u00e9dio da mulher negra \u00e9 116% menor do que em rela\u00e7\u00e3o aos homens n\u00e3o negros\u201d, relatou. A popula\u00e7\u00e3o negra apresenta ainda maior n\u00famero de desocupa\u00e7\u00e3o, menor acesso \u00e0 Previd\u00eancia Social e maior depend\u00eancia do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mercado formal e informal<\/strong><\/h3>\n<p>A economista disse ainda que trabalhadores negros s\u00e3o maioria no mercado informal, desprotegidos portanto de direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cAs negras sofrem ainda a discrimina\u00e7\u00e3o por g\u00eanero e ra\u00e7a: dados de 2021 mostram que 32,2% dos negros est\u00e3o no mercado formal e apenas 12,4% das mulheres negras t\u00eam carteira assinada\u201d, acrescentou, lembrando que o pa\u00eds tinha em 2021 cerca de 15,7 milh\u00f5es de trabalhadores negros no mercado formal e seis milh\u00f5es de negras cobertas pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista.<\/p>\n<p>Viviam informou que o IBGE vai apresentar n\u00fameros atualizados da presen\u00e7a negra no mercado de trabalho no pr\u00f3ximo dia 20 de novembro, mas antecipou alguns dados do estudo.<\/p>\n<p>\u201cEste dado \u00e9 do segundo trimestre de 2023 em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2022. No ano passado, os negros representavam no per\u00edodo 54% dos ocupados e os n\u00e3o-negros 46%. Em 2023 os negros representam 55% dos ocupados e os n\u00e3o-negros, 45%. E as mulheres negras representam 41,5% dos ocupados e os homens negros, 58,5%. Nos n\u00e3o-negros, as mulheres representam 48,8% do mercado formal e os homens 55,2%\u201d, explicou, mostrando que entre brancos a diferen\u00e7a na presen\u00e7a do mercado formal \u00e9 menor em rela\u00e7\u00e3o aos g\u00eaneros.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trabalhadores desprotegidos<\/strong><\/h3>\n<p>Apesar de serem maioria entre os ocupados, Vivian disse que negros e negras s\u00e3o maioria entre os trabalhos desprotegidos (trabalho sem carteira assinada, por conta pr\u00f3pria ou que n\u00e3o est\u00e3o cobertos pelos direitos previdenci\u00e1rios): nesta situa\u00e7\u00e3o, 46,1% s\u00e3o negros e 34,2% n\u00e3o-negros.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 46,5% das mulheres negras est\u00e3o desprotegidas, enquanto as brancas apresentam um percentual 34,6%. As mulheres negras s\u00e3o as mais penalizadas no mercado de trabalho e essa desigualdade se reflete muito tamb\u00e9m na categoria banc\u00e1ria\u201d, ressaltou.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desocupados por ra\u00e7a e g\u00eanero<\/strong><\/h3>\n<p>Entre os desocupados, o levantamento mostra que em 2023 houve uma redu\u00e7\u00e3o de mulheres negras, que caiu 2,2%.<\/p>\n<p>\u201cEntre os homens negros a queda foi 1,4% e n\u00e3o negros de 1%\u201d, acrescentou, lembrando que, apesar da ligeira melhora, as negras ainda apresentam o maior \u00edndice entre os desocupados: 11,7% em 2023, homem negro 7,8%, mulheres n\u00e3o negras 7% e homens n\u00e3o negros 5,7%\u201d, declarou.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Juros altos e desemprego<\/strong><\/h3>\n<p>Um dado apresentado, destaca a palestrante, que deveria pautar as decis\u00f5es do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o Copom (Conselho de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria) em rela\u00e7\u00e3o aos juros altos no Brasil \u00e9 um estudo da\u00a0<a href=\"http:\/\/xn--discriminao%20sofrida%20por%20negros%20e%20negras%20no%20mercado%20de%20trabalho%20e%20elevao%20de%20violncia%20contra%20afrodescendentes-wfl8e0zvc0x\/\">USP (Universidade de S\u00e3o Paulo)<\/a>\u00a0mostrando que para cada d\u00edgito de alta da Selic, a taxa b\u00e1sica de juros \u2013 que faz elevar o desemprego \u2013 tem entre os mais afetados os homens negros.<\/p>\n<p>As mulheres, sejam brancas ou negras, proporcionalmente s\u00e3o as que mais perdem seus empregos com a alta dos juros porque elas est\u00e3o mais presentes na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, nos cuidados de resid\u00eancias e pessoas e nos servi\u00e7os p\u00fablicos, enquanto os homens est\u00e3o mais em setores privados e financeiros.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Viol\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>A grande maioria das mortes violentas no pa\u00eds, em 2021, vitimaram a popula\u00e7\u00e3o negra: 72% destes homic\u00eddios (408.605 assassinatos). Outro dado estarrecedor apresentado pela palestrante \u00e9 que 84,1% dos homic\u00eddios causados por opera\u00e7\u00f5es policiais foram de negros, muitas crian\u00e7as. E 67,7% dos policiais assassinados em combate tamb\u00e9m era de negros.<\/p>\n<p>Os feminic\u00eddios cresceram 6,1%, n\u00famero bem superior de forma percentual aos homic\u00eddios. As mulheres negras tamb\u00e9m s\u00e3o as maiores v\u00edtimas dos estupros, representando 52,2% do n\u00famero inteiro. Do total de feminic\u00eddios, as negras representam 62%, al\u00e9m de serem 70,7% das demais mortes violentas no Brasil. Elas tamb\u00e9m s\u00e3o as que mais sofrem ass\u00e9dio: mais de 43% enquanto que 30% das brancas foram assediadas no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Cresceu tamb\u00e9m o percentual da popula\u00e7\u00e3o negra encarcerada, 68,2% negros e 95% do sexo masculino.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00fameros na categoria banc\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p>Este ano, segundo o levantamento do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\">IBGE<\/a>, a discrimina\u00e7\u00e3o racial no mercado de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 uma forte e triste realidade. Viviam disse que em 2021, o estudo apontou que existem pouco mais de 442 mil banc\u00e1rios e banc\u00e1rias e deste universo, 110 mil se declararam negros ou negras (25%), sendo que a maioria deste universo se declarou pardos. Mulheres negras somam 50,2 mil, ou seja, apenas 11,4% da categoria.<\/p>\n<p>Como no mercado de trabalho geral, entre as regi\u00f5es brasileiras, a maior presen\u00e7a de negros e negras est\u00e1 no Norte (58,8%) e Nordeste (41,5%), seguindo, respectivamente, o Centro-Oeste (31,9%), Sudeste (20,9%) e Sul (7,4%). O Par\u00e1 apresenta 62% de banc\u00e1rios e banc\u00e1rias negros e o menor percentual p\u00e9 do Rio Grande do Sul (5,2%.).<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Faixa et\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n<p>Surpreendeu os dados sobre a faixa et\u00e1ria, com os mais jovens at\u00e9 29 anos representando apenas 17,8% do total da categoria. Neste universo, a maior faixa et\u00e1ria com a concentra\u00e7\u00e3o dos afrodescendentes \u00e9 de 18 a 24 anos.<\/p>\n<p>\u201cA maior presen\u00e7a negra entre jovens reflete a luta do movimento sindical contra o racismo, mas como podemos ver, \u00e9 preciso avan\u00e7ar muito mais\u201d, destaca Vivian.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Renda m\u00e9dia<\/strong><\/h3>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda m\u00e9dia, a economista mostrou que as mais altas s\u00e3o dos banc\u00e1rios que se identificam como pertencentes das ra\u00e7as amarela (R$ 13.427,81) e branca (R$ 11.831,80). J\u00e1 as menores rendas s\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra: R$ 8.838,97 (pretos) e R$ 9.516,02 (pardos).<\/p>\n<p>\u201cA maior diferen\u00e7a salarial no setor financeiro est\u00e1 entre mulheres pretas, que ganham em m\u00e9dia 46,6% menos do que os banc\u00e1rios brancos do sexo masculino\u201d, afirmou a economista.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ascens\u00e3o profissional<\/strong><\/h3>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos cargos de lideran\u00e7as ocupados, a diferen\u00e7a por ra\u00e7a \u00e9 ainda mais impressionante. Estas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o ocupadas por apenas 20,3% de pretos e pardos e 75,% dessas chefias s\u00e3o brancos.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres negras ocupavam em 2021 apenas 8,8% destes cargos de lideran\u00e7a nos bancos\u201d,\u00a0concluiu.<\/p>\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es do Sindicato dos Banc\u00e1rios do Rio de Janeiro<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivian Machado mostra marginaliza\u00e7\u00e3o sofrida por negros e negras no mercado de trabalho e eleva\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia contra afrodescendentes S\u00e3o Paulo \u2013 A mestre em Economia Pol\u00edtica pela PUC-SP e t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos) na Contraf-CUT, Viviam Machado, apresentou dados que confirmam o racismo no mercado de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":13564,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[51,54,56,57,60],"tags":[8975],"featured_image_src":{"landsacpe":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carteira-6-1140x445.jpg",1140,445,true],"list":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carteira-6-463x348.jpg",463,348,true],"medium":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carteira-6-300x168.jpg",300,168,true],"full":["https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carteira-6.jpg",1600,898,false]},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/carteira-6.jpg","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13563"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13563"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13565,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13563\/revisions\/13565"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}