{"id":13081,"date":"2023-10-23T18:53:35","date_gmt":"2023-10-23T21:53:35","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=13081"},"modified":"2023-10-23T19:39:44","modified_gmt":"2023-10-23T22:39:44","slug":"a-consciencia-esg-como-um-metodo-de-sustentabilidade-para-o-futuro-dos-negocios-por-ernesto-haberkorn-co-fundador-totvs-mais-de-50-anos-de-experiencia-no-mercado-de-tecnologia-e-empresario-fund","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/10\/23\/a-consciencia-esg-como-um-metodo-de-sustentabilidade-para-o-futuro-dos-negocios-por-ernesto-haberkorn-co-fundador-totvs-mais-de-50-anos-de-experiencia-no-mercado-de-tecnologia-e-empresario-fund\/","title":{"rendered":"A consci\u00eancia ESG como um m\u00e9todo de sustentabilidade para o futuro dos neg\u00f3cios &#8211; Por: Ernesto Haberkorn: Co-fundador TOTVS, Mais de 50 anos de experi\u00eancia no mercado de tecnologia, \u00e9 empres\u00e1rio, fundador SIGA,fundador do ERPFlex, Grupo NETAS, autor de 14 livros sobre Gest\u00e3o Empresarial com ERP"},"content":{"rendered":"<p>Em 2004, em um evento das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u201cvinte grandes empresas financeiras se comprometeram a come\u00e7ar a integrar quest\u00f5es sociais, ambientais e de governan\u00e7a na an\u00e1lise de investimentos e na tomada de decis\u00f5es\u201d [1] (traduzido). Segundo John Hill [2], foi a partir do relat\u00f3rio final desse evento que surgiu o termo \u201cenvironmental, social and governance (ESG) investing\u201d (investimento ambiental, social e de governan\u00e7a).<\/p>\n<p>Preste aten\u00e7\u00e3o na palavra \u201cinvestimento\u201d. Um dos resultados desse evento foi o reconhecimento por grandes empresas de que preservar o meio-ambiente, promover a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o social e manter processos de governan\u00e7a corporativa eram investimentos.<\/p>\n<p>Uma empresa vende produtos ou presta servi\u00e7os com o objetivo de auferir lucro, manter os seus s\u00f3cios ou acionistas e crescer. Investimento em publicidade e melhoria do produto ou servi\u00e7o parece ser algo claro, conectado diretamente ao neg\u00f3cio. Mas e o meio-ambiente? O que uma empresa tem a ver com isso? N\u00e3o seria responsabilidade do Estado cuidar desse assunto? N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ordem p\u00fablica?<\/p>\n<p>A palavra \u201cresponsabilidade\u201d \u00e9 a chave para compreender a mudan\u00e7a nos investimentos de empresas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. N\u00e3o basta mais hoje a uma empresa ter um produto com boa apresenta\u00e7\u00e3o e atender bem aos seus clientes. H\u00e1 uma cobran\u00e7a por responsabilidade. Na verdade, h\u00e1 uma crescente consci\u00eancia de que todos s\u00e3o respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o do meio-ambiente, pela busca da redu\u00e7\u00e3o da desigualdade social e por ter processos de governan\u00e7a que mantenham a si pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos mais na Primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, quando n\u00e3o havia qualquer preocupa\u00e7\u00e3o de empresas com a degrada\u00e7\u00e3o do meio-ambiente. A Londres do final do s\u00e9culo XIX \u00e9 lembrada como uma cidade polu\u00edda, com trabalhadores vivendo em condi\u00e7\u00f5es degrad\u00e1veis e onde as empresas competiam entre si pela lei do mais forte. Estamos hoje vivenciando as consequ\u00eancias das interfer\u00eancias perversas do ser humano no meio-ambiente.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos outros animais, o ser humano trapaceou com o uso da t\u00e9cnica e conseguiu superar as limita\u00e7\u00f5es do meio-ambiente. Conseguiu se reproduzir mais do que seria poss\u00edvel sem toda a tecnologia dispon\u00edvel e assim expandiu o consumo de recursos naturais de forma exponencial. Ocorre que n\u00e3o temos um outro planeta para ir se os recursos deste se esgotarem. E estamos esgotando de forma perigosa os recursos que temos, como a \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>A sociedade tecnol\u00f3gica do s\u00e9culo XXI vive grandes contradi\u00e7\u00f5es, como pr\u00e9dios inteligentes situados a beira de rios polu\u00eddos. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma sociedade tecnol\u00f3gica que depende da expans\u00e3o da venda de produtos e servi\u00e7os e ao mesmo tempo promove a exclus\u00e3o social, aumentando a dist\u00e2ncia entre pobres e ricos.<\/p>\n<p>O fim do socialismo real na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aparentemente havia assinalado o triunfo do capitalismo e uma era onde liberalismo econ\u00f4mico promoveria oportunidades pela livre\u00a0 competi\u00e7\u00e3o e pela meritocracia. A prosperidade seria alcan\u00e7ada pelo esfor\u00e7o individual de cada um. Mas isso se mostrou uma fal\u00e1cia, porque a desigualdade n\u00e3o pode ser vencida facilmente. Entre as favelas do Rio de Janeiro e as palafitas de Lagos na Nig\u00e9ria h\u00e1 ilhas de riqueza al\u00e9m de um oceano de \u00e1guas. N\u00e3o \u00e9 crime enriquecer, prosperar. Mas \u00e9 indecente usufruir da riqueza e n\u00e3o fazer nada para reduzir a pobreza.<\/p>\n<p>As empresas tem responsabilidade pelo meio ambiente porque elas est\u00e3o neste planeta e dependem do meio ambiente. Um pensamento retr\u00f3grado v\u00ea preserva\u00e7\u00e3o ambiental como atraso. Esse pensamento acha que desenvolvimento implica \u201ctirar o mato que atrapalha\u201d. Ocorre que o \u201cmato\u201d \u00e9 parte de um ecossistema que garante a vida das pessoas que trabalham e das que dirigem empresas. Degradar deliberadamente o meio-ambiente ou n\u00e3o fazer nada a respeito para a recupera\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 est\u00e1 degradado \u00e9 como cometer um suic\u00eddio lento. As empresas devem pensar que n\u00e3o poder\u00e3o vender nada se n\u00e3o houver um planeta habit\u00e1vel. Todos devem ver os recursos naturais como o queijo encontrado pela dupla de ratos no livro \u201cQuem comeu o meu queijo?\u201d. O queijo n\u00e3o vai durar para sempre se voc\u00ea s\u00f3 com\u00ea-lo. O ser humano aprendeu a tomar muito da natureza, mas precisa urgentemente praticar a devolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje vivemos em uma realidade em que grandes empresas est\u00e3o distribu\u00eddas: a produ\u00e7\u00e3o pode estar em um pa\u00eds, a dire\u00e7\u00e3o em outro pa\u00eds e os investimentos em um terceiro pa\u00eds. Isso implica empresas que utilizam recursos de um local sem promover o desenvolvimento econ\u00f4mico al\u00e9m de oferecer empregos e pagar impostos. Sem um compromisso social, uma empresa pode fechar uma planta produtiva em um local e iniciar um decl\u00ednio econ\u00f4mico em uma cidade. Por isso \u00e9 importante a exist\u00eancia de empreendimentos conectados com a regi\u00e3o onde est\u00e3o sediados. \u00c9 necess\u00e1rio um desenvolvimento regional, que tenha compromissos sociais al\u00e9m das motiva\u00e7\u00f5es financeiras. Esse \u00e9 um desafio para o Brasil, que afeta o investimento ESG.<\/p>\n<p>Carecemos de uma reforma tribut\u00e1ria no Brasil e uma simplifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o que facilite a abertura de empresas e o cumprimento de seus deveres. A complexa legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do Brasil cria o fen\u00f4meno do \u201ccusto de pagar o imposto\u201d. Al\u00e9m de pagar os tributos, empresas gastam pelo processo de calcular, recolher e declarar os tributos. Departamentos jur\u00eddicos e cont\u00e1beis poderiam ser reduzidos se a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do Brasil fosse mais simples.<\/p>\n<p>Mas, apesar disso, toda empresa tem que pensar no futuro.\u00a0 Tem de pensar em se manter e em crescer. Para isso, ela precisa que seus colaboradores e clientes tamb\u00e9m cres\u00e7am. Precisa que eles se desenvolvam e prosperem. As empresas n\u00e3o podem esperar que a prosperidade ocorra por acaso. Ela deve ajudar na prosperidade de seu entorno para garantir a sua pr\u00f3pria prosperidade.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria gest\u00e3o da empresa n\u00e3o deve se dar ao acaso. A empresa deve ter governan\u00e7a. Deve ter processos bem definidos e um processo espec\u00edfico para melhorar continuamente os processos existentes.<\/p>\n<p>O investimento ESG hoje n\u00e3o \u00e9 somente sobre promover sustentabilidade do meio ambiente e do entorno social. Como assinala a \u00faltima letra da sigla, ela tamb\u00e9m \u00e9 sobre promover a sustentabilidade da pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>[1] United Nations Headquarters. <strong>The Global Compact Leaders Summit<\/strong>: Final Report. 24 jun. 2004.\u00a0 http:\/\/www.unglobalcompact.org\/docs\/news_events\/8.1\/summit_rep_fin.pdf<\/p>\n<p>[2] HILL, John. <strong>Environmental, Social, and Governance (ESG) Investing<\/strong>: A Balanced Analysis of the Theory and Practice of a Sustainable Portfolio.\u00a0 Londres; San Diego; Cambridge, Oxford: Academic Press, 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2004, em um evento das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u201cvinte grandes empresas financeiras se comprometeram a come\u00e7ar a integrar quest\u00f5es sociais, ambientais e de governan\u00e7a na an\u00e1lise de investimentos e na tomada de decis\u00f5es\u201d [1] (traduzido). 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