{"id":11583,"date":"2023-08-12T10:30:14","date_gmt":"2023-08-12T13:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=11583"},"modified":"2023-08-12T10:30:14","modified_gmt":"2023-08-12T13:30:14","slug":"ser-ou-parecer-ser-a-cultura-da-aparencia-no-mercado-de-trabalho-por-virgilio-marques-dos-santos-ceo-da-fm2s-educacao-e-consultoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/08\/12\/ser-ou-parecer-ser-a-cultura-da-aparencia-no-mercado-de-trabalho-por-virgilio-marques-dos-santos-ceo-da-fm2s-educacao-e-consultoria\/","title":{"rendered":"Ser ou parecer ser? A cultura da apar\u00eancia no mercado de trabalho &#8211; Por: Virgilio Marques dos Santos, CEO da FM2S Educa\u00e7\u00e3o e Consultoria"},"content":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o: 83% dos funcion\u00e1rios fingem trabalhar para mostrar que est\u00e3o ocupados. Muitos funcion\u00e1rios fingem que est\u00e3o trabalhando para parecer mais \u00fateis, evitar demiss\u00e3o, conseguir uma promo\u00e7\u00e3o ou escapar de mais trabalho. A conclus\u00e3o \u00e9 de uma pesquisa realizada nos EUA pela empresa americana Visier, que tomei conhecimento por meio do Estad\u00e3o. Lendo essa pesquisa, tive um susto. E s\u00f3 piora\u2026<\/p>\n<p>Os entrevistados afirmaram que mexem na tela do computador s\u00f3 para n\u00e3o entrar no modo descanso. Al\u00e9m disso, gastam tempo respondendo a e-mails que n\u00e3o exigem uma a\u00e7\u00e3o imediata, s\u00f3 para parecerem ocupados. Entre os principais motivos para fingir que trabalham, 64% citam que \u00e9 importante para o sucesso profissional e 41% afirmam que querem parecer mais valiosos para a empresa. Ao longo de uma semana m\u00e9dia de trabalho, 22% dos entrevistados disseram gastar quase metade do tempo de trabalho (20 horas) em fun\u00e7\u00f5es que n\u00e3o contribuem de verdade para a empresa.<\/p>\n<p>Um quinto dos entrevistados passam metade do tempo fingindo. E por que isso acontece? Onde est\u00e1 a sinceridade que tantas empresas listam entre seus valores fundamentais?<\/p>\n<p>Quando vejo algo assim, lembro de ideias que o grande Edward Deming proferia em suas palestras: o sistema entrega aquilo que ele foi projetado para entregar. Se h\u00e1 comportamentos como esse em sua empresa, a culpa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do colaborador, mas da estrutura. Pode pesquisar; encontrar\u00e1 v\u00e1rias promo\u00e7\u00f5es e elogios a pessoas que optaram por agir dessa maneira.<\/p>\n<p>Se a promo\u00e7\u00e3o fosse para o colaborador que termina suas atividades e n\u00e3o tem medo de falar que terminou, a realidade seria diferente. Agora, se parecer ocupado \u00e9 mais importante do que entregar resultados, seguindo o procedimento definido pela empresa, o resultado ser\u00e1 esse: 83% dos colaboradores fingindo.<\/p>\n<p>A pergunta dolorida: o que voc\u00ea prefere?<\/p>\n<p>Se voc\u00ea estiver em uma fun\u00e7\u00e3o na qual fingir trabalhar \u00e9 bem-visto, pergunto: sente-se feliz com isso? Sem ju\u00edzo de valor. A sinceridade consigo pr\u00f3prio \u00e9 importante. H\u00e1 amigos que admiram a cultura da malandragem e ficariam felizes em trabalhar nesse tipo de empresa.<\/p>\n<p>Lembro-me do est\u00e1gio. Um colega, gente bon\u00edssima, ganhou a alcunha de pirata, de tanto que ele investia nas apar\u00eancias. Ao se ver cheio de trabalho burocr\u00e1tico e de pouca visibilidade para fazer, dava um jeito de safar-se. Levantava-se, sempre com seu caderno embaixo do bra\u00e7o, e caminhava s\u00e9rio at\u00e9 o corredor e ent\u00e3o sumia. Ao ser indagado qual foi seu paradeiro, a resposta era padr\u00e3o: estava em uma reuni\u00e3o importante, com a \u00e1rea cliente. O chefe, ent\u00e3o, interpelava-o sobre o motivo da reuni\u00e3o n\u00e3o estar na agenda. Ele, interpretando um papel de maneira convincente, dizia: &#8220;ele me chamou de \u00faltima hora&#8221;. E assim ia evoluindo na vida corporativa.<\/p>\n<p>Para mim, adepto ao sinceric\u00eddio, aquilo era um absurdo. Pela sua personalidade bonachona e pela nossa pouca import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o ligava. Ria, apenas. Mas percebia que, em nossa \u00e1rea, comportamentos daquele tipo eram recompensados.<\/p>\n<p>Outro exemplo era a farra das horas extras. Por que um analista, colega nosso, sempre ia embora \u00e0s 20 horas? Eu, jovem e cheio de preocupa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguia entender. Dizia: hoje est\u00e1 tranquilo, j\u00e1 entregamos o projeto. Por que n\u00e3o aproveita para ir embora mais cedo? Vemos que deve estar cansado; \u00e9 poss\u00edvel navegar por sites de compras e not\u00edcias de casa, por exemplo.<\/p>\n<p>De tanto perguntar, finalmente eu descobri. Nosso colega gastava muito com seus ternos caros para impressionar a gest\u00e3o. Isso n\u00e3o combinava com seu ordenado \u00e0 \u00e9poca. Com as horas extras, segundo ele, fazia 2 sal\u00e1rios por ano. O problema, logo percebido pela nova superintendente, foi que o gasto com essas horas era constante ao longo do ano &#8211; e isso n\u00e3o significava mais entregas.<\/p>\n<p>Depois de questionar, v\u00e1rias vezes, sobre a real necessidade de ficarem mais tempo no trabalho, ela tomou uma decis\u00e3o radical: ap\u00f3s \u00e0s 18 horas, todas as luzes do pr\u00e9dio se apagavam e os computadores eram bloqueados. S\u00f3 ficava aceso o andar da alta gest\u00e3o, pois esses n\u00e3o &#8220;batiam ponto&#8221;. Exce\u00e7\u00f5es, se houvesse, tinham de ser aprovadas pessoalmente por ela. Depois de um ano, a economia gerada s\u00f3 com a malandragem das horas extras foi suficiente para catapultar a carreira da mo\u00e7a. E foi uma marca importante na mudan\u00e7a cultural do banco.<\/p>\n<p>Portanto, reflita: prefere as apar\u00eancias? Ou \u00e9 mais afeito ao ambiente de trabalho sincero, no qual voc\u00ea n\u00e3o precisa fingir sobre as coisas? Sem julgamentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o: 83% dos funcion\u00e1rios fingem trabalhar para mostrar que est\u00e3o ocupados. Muitos funcion\u00e1rios fingem que est\u00e3o trabalhando para parecer mais \u00fateis, evitar demiss\u00e3o, conseguir uma promo\u00e7\u00e3o ou escapar de mais trabalho. A conclus\u00e3o \u00e9 de uma pesquisa realizada nos EUA pela empresa americana Visier, que tomei conhecimento por meio do Estad\u00e3o. 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