{"id":10134,"date":"2023-06-23T09:21:15","date_gmt":"2023-06-23T12:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/?p=10134"},"modified":"2023-06-23T09:21:15","modified_gmt":"2023-06-23T12:21:15","slug":"a-industria-e-um-brasil-eficiente-por-carlos-rodolfo-schneider-empresario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistaempresarios.net\/web\/2023\/06\/23\/a-industria-e-um-brasil-eficiente-por-carlos-rodolfo-schneider-empresario\/","title":{"rendered":"A Ind\u00fastria e um Brasil Eficiente &#8211; Por :  Carlos Rodolfo Schneider &#8211; empres\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que tem crescido pouco e de forma err\u00e1tica. A evolu\u00e7\u00e3o da renda per capita deixa isso claro. Segundo dados do Banco Mundial, de 1980 a 2019, o crescimento acumulado da renda per capita na Am\u00e9rica Latina foi de 74%, nos EUA, de 95%, nos pa\u00edses do Sudeste Asi\u00e1tico, de 342%, e no Brasil de apenas 34%. Realmente n\u00e3o temos o que comemorar nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>De outro lado, observamos aqui o mais intenso processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o do planeta. De acordo com o Banco Mundial, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no PIB caiu de 21,83% para 10,33% no Brasil, no per\u00edodo de 1991 a 2019. Na Europa o recuo foi de 18,91% para 15,33%, no Leste da \u00c1sia, de 24,32% para 22,64%. Sabemos que os pa\u00edses que passam de um est\u00e1gio de renda m\u00e9dia para um de renda alta enfrentam um processo natural de redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na economia em fun\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o do perfil do consumo da popula\u00e7\u00e3o, que passa a demandar mais servi\u00e7os. \u00c9 um processo gradativo e suave como o da It\u00e1lia que caiu de 19,09% para 14,88% no per\u00edodo, da Su\u00ed\u00e7a, de 19,74% para 17,92%, do Jap\u00e3o, de 23,46% para 20,05%, e da Alemanha, de 24,84%para 19,55%. Na Am\u00e9rica do Sul, e mais acentuadamente no Brasil, tivemos um processo muito mais forte e prematuro.\u00a0 A ind\u00fastria saindo de cena antes de o pa\u00eds alcan\u00e7ar o n\u00edvel de renda alta. Significa que n\u00e3o \u00e9 a mudan\u00e7a do perfil da demanda que est\u00e1 fazendo recuar a ind\u00fastria e sim a competitividade da economia, que diminui a capacidade da nossa manufatura de disputar mercados. E isso cria um c\u00edrculo vicioso no qual um ambiente hostil \u00e0 produ\u00e7\u00e3o sufoca a ind\u00fastria, e esta, por sua vez, como setor mais din\u00e2mico da economia, n\u00e3o consegue contribuir para que o pa\u00eds evolua para o pr\u00f3ximo patamar de renda. \u00c9 o que nos mant\u00e9m presos ao que se convencionou chamar de armadilha da renda m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Apesar de uma pequena melhora recente, os rankings de competitividade internacional t\u00eam classificado o nosso pa\u00eds numa posi\u00e7\u00e3o nada confort\u00e1vel. A CNI (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria), por exemplo, faz um levantamento do nosso potencial competitivo comparado ao de 17 pa\u00edses, cuja ind\u00fastria compete mais diretamente com a nossa. No levantamento de dezembro de 2022 ganhamos uma posi\u00e7\u00e3o, passando do pen\u00faltimo para o antepen\u00faltimo lugar. O nosso pior desempenho est\u00e1 nos quesitos financiamento, tributa\u00e7\u00e3o, ambiente macroecon\u00f4mico, ambiente de neg\u00f3cios, infraestrutura e log\u00edstica e m\u00e3o de obra. \u00c9 o conhecido Custo Brasil, uma bola de chumbo amarrada nos p\u00e9s da ind\u00fastria. A carga tribut\u00e1ria mais elevada entre os pa\u00edses em desenvolvimento (32,5% do PIB contra m\u00e9dia de 24,1% nos demais pa\u00edses do ranking), sistema de impostos ca\u00f3tico, inseguran\u00e7a jur\u00eddica, excesso de burocracia, infraestrutura altamente deficiente, baixa qualidade da educa\u00e7\u00e3o (n\u00e3o por falta de investimento, mas por aloca\u00e7\u00f5es inadequadas) comprometem a nossa produtividade e capacidade de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pesquisa feita pela CNI junto a empres\u00e1rios sobre mudan\u00e7as necess\u00e1rias nas pol\u00edticas p\u00fablicas para melhorar a competitividade da ind\u00fastria apontaram pela ordem: redu\u00e7\u00e3o de impostos com 43%, simplifica\u00e7\u00e3o de tributos com 28%, controle de gastos p\u00fablicos com 24%. Acontece que a redu\u00e7\u00e3o de impostos s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel se ca\u00edrem os gastos p\u00fablicos. Portanto o terceiro ponto citado acima precede o primeiro. Como o velho ditado que diz que o gasto p\u00fablico de hoje \u00e9 o imposto de amanh\u00e3, o inverso tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro: a menor despesa de hoje \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para menor carga tribut\u00e1ria amanh\u00e3. E essa redu\u00e7\u00e3o de gastos n\u00e3o significa prejudicar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, significa aumentar a efici\u00eancia na aloca\u00e7\u00e3o dos recursos, reduzir os enormes desperd\u00edcios, transformar um Estado obeso e lento em outro forte e \u00e1gil, que certamente atender\u00e1 muito melhor o brasileiro. \u00c9 resgatar o papel do poder p\u00fablico que \u00e9 servir a sociedade e n\u00e3o dela servir-se.<\/p>\n<p>A Reforma Tribut\u00e1ria que tramita no Congresso Nacional busca resolver ou amenizar o nosso manic\u00f4mio tribut\u00e1rio, o mais complexo, confuso e ineficiente regramento de impostos que existe. Se conseguirmos, ser\u00e1 um grande avan\u00e7o. Mas n\u00e3o esque\u00e7amos que para encaminhar a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios, e certamente tamb\u00e9m da sociedade, que \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria, temos que fazer a Reforma Administrativa e perseguir a efici\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. No momento em que se discutem no pa\u00eds novas regras para buscar o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, condi\u00e7\u00e3o para que a economia possa voltar a crescer de forma mais consistente, para que se aumente o PIB potencial, devemos olhar as boas experi\u00eancias de outros pa\u00edses. E elas n\u00e3o deixam d\u00favidas de que aqueles que buscaram o equil\u00edbrio fiscal e a retomada do crescimento pela redu\u00e7\u00e3o e pelo aumento da efici\u00eancia do gasto p\u00fablico foram muito mais bem-sucedidos do que os que tentaram o caminho mais f\u00e1cil do aumento dos disp\u00eandios e da arrecada\u00e7\u00e3o. Os primeiros tiveram trajet\u00f3rias mais modestas no in\u00edcio, mas consistentes e aceleradas depois. Os segundos t\u00eam escrito hist\u00f3rias de voos de galinha.<\/p>\n<p>Importante o esfor\u00e7o que o Sr. Vice-presidente da Rep\u00fablica e Ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os, Geraldo Alckmin, vem fazendo em defesa da ind\u00fastria brasileira e da sua moderniza\u00e7\u00e3o, com incorpora\u00e7\u00e3o das tecnologias de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o. Ele sabe bem que a ind\u00fastria ainda tem papel importante a desempenhar para que\u00a0 possamos entrar no rol dos pa\u00edses desenvolvidos. Mas para que isso possa acontecer temos que construir uma economia mais competitiva, isto \u00e9, um Brasil Eficiente. Ele tamb\u00e9m sabe . Tomara que os seus pares tamb\u00e9m enxerguem isso.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"text-center\">\n<div class=\"mt-5\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que tem crescido pouco e de forma err\u00e1tica. A evolu\u00e7\u00e3o da renda per capita deixa isso claro. 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