Propaganda

Artigos

Reflexos da pandemia para as empresas – Por: Leonardo Barbosa Delfino , Técnico em Administração de Empresas pela ETEC, Engenheiro de Produção formado pela Universidade Santa Cecília e Pós Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em Gestão Empresarial. É fundador e CEO da empresa de tecnologia & Inovação chamada Criando Valor.

Nos últimos meses, o mundo inteiro tem se esforçado em buscar respostas rápidas para tantas dúvidas e incertezas trazidas pela pandemia do novo coronavírus.
A cada semana são divulgadas centenas de novos relatórios, pesquisas e estudos com o intuito de trazer informações relevantes sobre esse cenário ainda tão incerto.
Rapidamente, tudo mudou. Acompanhar os impactos da Covid-19 nos negócios é o que pode ajudar a traçar rumos inteligentes e entender quais mudanças implementar para obter resultados em meio aos grandes desafios que se colocam no horizonte.
De 1,3 milhão de empresas que fecharam (temporária ou definitivamente) neste ano até a primeira quinzena de junho, 522,6 mil (40%) encerraram suas atividades por causa da pandemia do novo coronavírus. Isso significa que quatro em cada dez empresas fecharam por não suportarem o impacto das medidas adotadas para conter a propagação do vírus.

Os dados são os primeiros resultados da Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Porte das 522,6 mil empresas fechadas pela pandemia (considerando número de funcionários): 518,4 mil (99,2%) eram de pequeno porte (até 49 empregados) 4,1 mil (0,78%) eram de porte intermediário (de 50 a 499 empregados) 110 (0,02%) eram de grande porte (mais de 500 empregados).

Proporção de empresas fechadas por setor: 258,5 mil (49,5%) eram do setor de serviços 192 mil (36,7%) eram do comércio 38,4 mil (7,4%) eram da construção civil 33,7 mil (6,4%) eram da indústria.

“Os dados sinalizam que a covid-19 impactou mais fortemente segmentos que, para a realização de suas atividades, não podem prescindir do contato pessoal, têm baixa produtividade e são intensivos em trabalho, como os serviços prestados às famílias, onde se incluem atividades como as de bares e restaurantes, e hospedagem; além do setor de construção”, afirmou o coordenador da pesquisa, Alessandro Pinheiro.

70% das empresas tiveram impacto negativo

De acordo com o IBGE, o país tinha cerca de 4 milhões de empresas na primeira quinzena de junho, sendo 2,7 milhões (67,4%) em funcionamento total ou parcial, 610,3 mil (15%) fechadas temporariamente e 716,4 mil (17,6%) encerradas em definitivo. Do total de empresas em funcionamento, 70% informaram que a pandemia teve impacto negativo, 16,2% declararam que o efeito foi pequeno ou inexistente e 13,6% disseram que o impacto foi positivo.
Os efeitos negativos foram percebidos por 70,1% das empresas de pequeno porte, 66,1% das de médio porte e 69,7% das de grande porte. Entre os setores, essa percepção negativa foi de 74,4% entre as empresas de serviços, 72,9% da indústria, 72,6% da construção e 65,3% de comércio.

Pequenas empresas foram mais atingidas pela queda nas vendas

Para sete em cada dez empresas em atividade, a pandemia implicou diminuição sobre as vendas ou serviços comercializados na primeira quinzena de junho, em relação ao período anterior ao início da pandemia. O impacto foi maior entre as companhias de pequeno porte, com até 49 funcionários, em que 70,9% reportaram redução nas vendas.

Mas também foi percebido por 62,9% das empresas do porte intermediário (entre 50 e 499 pessoas ocupadas) e 58,7% das empresas de maior porte (acima de 499 funcionários). Entre os setores, a redução nas vendas foi maior na construção (73,1%) e nos serviços (71,9%), especialmente os serviços prestados a famílias (84,5%) e no comércio (70,8%) com destaque para a comercialização de veículos, peças e motocicletas (75,5%). Na indústria 65,3% das empresas reportaram redução nas vendas.

Cerca de 60% das empresas relataram maior dificuldade na capacidade de fabricar produtos e de atendimento aos clientes durante a primeira quinzena de junho, em relação ao período anterior ao início da pandemia – reportado por 67,2% das empresas do comércio, 65,5% da construção e 59,5% dos serviços.

Outras 60,8% revelaram ter tido dificuldade no acesso aos fornecedores, com impacto maior no comércio (74,0%) especialmente na comercialização de veículos, peças e motocicletas (87,4%). Na indústria, esse impacto foi reportado por 62,7% das empresas em funcionamento.

Para 63,7% das empresas foi difícil realizar pagamentos

Para 63,7% das empresas em atividade houve dificuldades em realizar pagamentos de rotina em relação ao período anterior a pandemia, sendo que essa dificuldade atingiu 64% das empresas menores e 35,6% das de maior porte.
“Essas dificuldades foram bastante disseminadas pelos setores, chegando a sete em cada dez empresas do comércio, e seis em cada dez da indústria e dos serviços. Mas vale ressaltar que 33% do total de empresas em operação não reportaram alteração significativa, ou porque já conseguiram retomar suas atividades e receitas ou tinham uma boa reserva e continuam com fluxo financeiro para realizar os pagamentos”, destaca o coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas, Flávio Magheli.

Linha de crédito para a folha salarial chega a 13% das empresas

A pesquisa também revela que a crise causada pela pandemia obrigou as empresas a tomar uma série de decisões sobre seus empregados. Cerca 60% das empresas em funcionamento mantiveram o número de funcionários na primeira quinzena de junho em relação ao início da pandemia. Dentre as que reduziram o número de pessoal ocupado, 37,6% reportaram uma redução inferior a 25% do pessoal e 32,4% uma redução entre 26% e 50% do número de pessoal ocupado.

“Não ocorreu alteração significativa no quadro de funcionários em relação ao início da pandemia, na construção, no comércio, na indústria e no atacado. Mesmo as pequenas empresas sinalizaram que mantiveram o quadro de funcionários, o que pode estar relacionado ao fato de terem colocado as pessoas em trabalho remoto ou terem obtido alguma linha de financiamento. O fato é que não houve uma queda acentuada na ocupação como num primeiro momento se esperaria”, destaca Magheli.

Das 12,7% empresas que relataram ter conseguido uma linha de crédito emergencial para realizar o pagamento da folha salarial dos funcionários, 67,7% indicaram que esta ação foi possível com o apoio do governo.

Outras 44,5% empresas afirmaram ter adiado o pagamento de impostos, desde o início da pandemia, em que mais da metade (51,9%) sinalizaram ter tido apoio da autoridade governamental para adoção dessa medida.

Cerca de 90% das empresas em funcionamento consultadas realizaram campanhas de informação e prevenção e adotaram medidas extras de higiene nas suas atividades, sendo que 38,4% adotaram trabalho domiciliar para os funcionários e 35,6% anteciparam férias.

32,9% das empresas alteraram o método de entrega de seus produtos ou serviços

Houve mudanças também na oferta de produtos e serviços: 32,9% das empresas relataram ter alterado o método de entrega de seus produtos ou serviços; incluindo a mudança para serviços online e 20,1% relataram ter lançado ou passado a comercializar novos produtos e/ou serviços na primeira quinzena de junho, em relação ao início da pandemia.

As incertezas ainda são muitas, mas uma coisa é verdade: essa crise vai passar. Enquanto isso, é fundamental adotar medidas para passar por essa fase com o mínimo de impacto negativo possível.

225 visitas
Propaganda

cool good eh love2 cute confused notgood numb disgusting fail