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Plano de Voo! Qual é o seu destino? – Por: Mauricio Santucci – Diretor na Instituto Potentiate de Desenvolvimento Comportamental

Durante os últimos 20 anos da minha vida corporativa trabalhei na INFRAERO cuidando da regularidade, eficiência e segurança do tráfego aéreo. Mais precisamente na Navegação Aérea, nos aeroportos de Ribeirão Preto, Ponta Porã e Campinas, durante esse período era o responsável para receber do piloto seu plano de voo, analisá-lo e se em conformidade divulgá-lo aos órgãos de controle de tráfego aéreo. Aprendi muito com isso e principalmente sobre a necessidade de fazer um bom planejamento, um mau planejamento nessa atividade pode ser catastrófico, o pessoal da Chapecoense sabe muito bem disso.

Observei que há muitas semelhanças entre nós, seres humanos e andantes, com o universo aeronáutico, no que se refere ao planejamento.

Como disse, parte das minhas funções era receber o formulário Plano de Voo, documento elaborado por um organismo internacional ligado à ONU e usado utilizado no mundo inteiro, e analisá-lo, ao fazer isso descobri que eu poderia, com pequenos ajustes, aproveitá-lo para fazer o planejamento da minha vida: Se isso, o plano de voo, funciona para que os voos sejam realizados de maneira eficiente, deve servir para mim!

Pensando assim bolei um formulário que eu o chamo de Plano de Vida onde eu adaptei as informações básicas constantes no formulário de Plano de Voo e as correlacionei com as informações que ajudam a planejar de forma ordenada a minha vida.

É menos complicado do que parece, vejam:

IDENTIFICAÇÃO DA AERONAVE X IDENTIDADE (sei quem eu sou, o que eu sou?):

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses. Esse pensamento de Sócrates traduz bem essa ideia, do conhecer-se, é impossível querer realizar algo, qualquer coisa que seja, sem saber se tenho conhecimento das minhas habilidades, das minhas limitações, do meu tamanho, das minhas forças e da minha competência. Utilizo como exemplo, simples, o sonho de ser pivô da NBA, com a minha estatura 1,78m a probabilidade de sair-me bem é quase que nenhuma. Quantos rebotes eu conseguirei pegar num jogo saltando com os demais jogadores com mais de 2,00m de altura e que têm de envergadura a minha altura? Se bem treinado e com a habilidade desenvolvida, talvez eu consiga ser no máximo um armador.

LOCAL E HORA DE PARTIDA X SITUAÇÃO ATUAL (onde estou e quando começar?)

Em determinados momento da nossa vida somos impelidos por alguma força a tomarmos a decisão de agirmos, Einstein disse é insanidade continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Com isso agir é a melhor opção que temos e para que isso ocorra é muito importante sabermos essa hora e como sair subentende deixar algum lugar ou coisa para trás, temos que pensar muito nisso. Vemos que muitas vezes, por impulso, tomamos a decisão de sair. Lembro de pessoas que ao fazerem isso não estão preparados para o passo seguinte, fora de “casa”. Para sairmos temos de estar prontos: abastecido, cartas de navegação (mapas), bússola e etc.

ROTA E DESTINO X OBJETIVO E META (quando não se sabe para onde ir qualquer estrada serve? Para onde vou? Como vou, por onde vou?)

Mais importante do que saber a hora de sair é saber para onde ir, quando Lewis Carroll escreveu Alice e mais precisamente no trecho onde Alice pergunta ao gato por qual caminho seguir, ele não pagava pedágio ou tinha a gasolina nos preços de hoje para responder que quando não se sabe para onde ir qualquer estrada serve.
Temos de pensar com bastante clareza para onde vamos, acompanhe comigo: tenho 60 anos, se eu tomar uma decisão de fazer algo hoje e daqui 5 anos eu perceber que não era isso que eu queria, que essa decisão não me faz feliz?

Posso voltar à trás e começar de novo, sempre posso! Só que 5 anos para mim é muito mais tempo, tem peso maior do que para um rapaz de 20 anos. E mesmo para ele terá um custo, menor que o meu talvez mas terá.

É assim que devemos pensar os nossos objetivos, calculados em metas menores e que somadas serão o nosso objetivo e voltadas na mesma direção. A nossa faculdade, por exemplo, qual carreira pretendo seguir? Qual curso deverei fazer? Qual instituição devo procurar? Quais as outras formações deverei ter para ser o profissional (aqui se me permitem é preciso lembrar que não serve a ideia de ser um médico, um advogado, um engenheiro, isso é muito que lugar comum, “meia boca”! É preciso pensar em ser “o” médico, “o” advogado, “o” engenheiro, ser a referência naquilo que você faz! – Pode e deve ser considerado o artigo “a” antes das profissões exemplificadas). Um pensamento do filósofo romano Sêneca ilustra bem essa ideia: “Nenhum vento sopra a favor para quem não sabe onde ir”.

TEMPO DE VOO X PRAZO (sei quanto tempo vou levar? Sei e posso administrar o tempo?)

Somos imediatistas, quando muito planejamos o dia de amanhã e só se esse dia for feriado! A ideia de entender que tudo nessa vida existe um tempo para ficar pronto e ou acontecer, deve ser muito bem trabalhada. Somos de maneira em geral muito ansiosos, muitos abandonam seus objetivos pela metade por não terem paciência pela conclusão.

Retomando o exemplo das profissões acima, uma faculdade de medicina são, no mínimo, 6 anos de formação, mais 2 de especialização e mais pelo menos uns 5 anos para estar maduro e experiente (13 anos ao total), percebam que não podemos “queimar etapas”. Tem uma parábola muito interessante sobre o tempo das coisas: Conta-se que, um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo.

Um homem assentou-se e observou a borboleta por várias horas enquanto ele se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquela pequena abertura. Em dado momento, ele teve a impressão de que a borboleta havia parado de fazer qualquer esforço. Parecia que ela tinha ido mais longe do que podia, e não conseguiria ir mais além. Então o homem decidiu ajudá-la.
Ele pegou uma tesoura, e cortou o restante do casulo. A borboleta saiu facilmente. Porém, seu corpo estava murcho e pequeno, e as suas asas estavam amassadas. O homem continuou a observá-la esperando que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela pudesse voar, mas isso nunca aconteceu.

Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e as asas encolhidas. O que aquele homem não sabia era que o casulo apertado e o esforço necessário para passar através da abertura eram o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas de forma que ela estaria pronta para voar assim que saísse do casulo. Algumas vezes o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Quando tentamos “ajudar” a Deus, acabamos interrompendo o ciclo que Ele estabeleceu para o nosso crescimento.

Acabamos atrapalhando o projeto de Deus para as nossas vidas. (https://pt-br.facebook.com/1570227266572277/photos/a-par%C3%A1bola-do-casulo-e-da-borboletaconta-se-que-um-dia-uma-pequena-abertura-apar/1692399367688399/ ) Gosto muito do pensamento de Renée Venâncio sobre a passagem do tempo: Um dia … Depois o outro … Depois o outro… A perseverança é que faz a gente acordar pela manhã. Persistir é manter-se vivo”.

AERÓDROMO DE ALTERNATIVA X PLANO B (tenho uma alternativa? E se não der certo?)

Quando um avião apresenta um plano de voo, esse planejamento nada mais é do que uma carta de intenção, ou seja, se tudo estiver de acordo com o que planejamos, faremos o planejado. Pode parecer redundante ou confuso, mas vamos utilizar o exemplo de um voo de Guarulhos para Miami, são aproximadamente 8 horas, vocês fazem ideia de quantas coisas podem acontecer nesse espaço de tempo? Uma das coisas mais comuns de acontecer, apesar das previsões meteorológicas estarem cada vez mais precisas (não deixam de ser previsões) é a ocorrência de chuva e muitas vezes fortes, muito fortes. Se, esse nosso voo imaginário, estiver chegando para pouso e estiver ocorrendo uma forte chuva ou minutos antes um outro avião que vinha para pouso e teve o pneu furado, permanecendo na pista e com isso impeça o nosso pouso?

A Opção prevista e planejada é de prosseguir até um outro aeroporto para o pouso, simples assim. Nós devemos, para toda e qualquer coisa que planejarmos, ter sempre uma alternativa, um plano B. Algo que faremos de maneira segura e serena caso a nossa primeira opção não tenha dado certo. Quando planejamos algo procuramos nos cercar de todas as medidas possíveis para que tudo dê certo, ocorre que muitas vezes os fatores externos e que fogem do nosso controle (a chuva ou um pneu furado), podem atuar contra nossos objetivos, quem não conhece alguém que foi preparar um bolo e de depois de tudo pronto, no finzinho, descobriu que não tinha fermento ou que acabou o gás e por este motivo acabou perdendo a massa? Sobre termos um plano B temos que pensar sempre que caso nós tenhamos que “alternar” para ele, automaticamente, este será o nosso plano A.

Daí planejarmos com bastante clareza e cuidado, digo sempre que devemos fazer dois planos A, pois não sabemos se vamos precisar usá-lo. Tem um pensamento creditado para Tales de Mileto que fala: “Tenha sempre um plano “B” para todos os seus projetos. Busque o melhor e prepare-se para o pior, por que a vida é só dos vencedores.

PILOTO EM COMANDO X EU (quem comanda ou pilota o avião que é a minha vida? Quem assina o meu plano de voo?)

Um item até certo ponto insignificante, ao primeiro olhar, porém muito importante é a assinatura do formulário do plano de voo. Ao assinar o formulário o piloto, além de ratificar as informações dadas, assume o compromisso de executá-las. Nas nossas vidas tem de ser assim, sermos os protagonistas das nossas histórias, não delegarmos a ninguém a responsabilidade pela nossa felicidade ou a possibilidade de viver as nossas vidas. Nascemos para viver em plenitude tudo aquilo que nós nos propusermos a viver e não podemos aceitar nada menos que isso, a responsabilidade de buscar viver é nossa, de sermos protagonista da nossa vida e não plateia da vida dos outros.

Um formulário de plano de voo tem 19 campos que devem ser preenchidos e que completam as informações necessárias para que o voo seja realizado com sucesso e que podem facilmente ser relacionados com outros itens da nossa vida: equipamentos de navegação com escolaridade ou competências, autonomia (quantidade de combustível) com recursos financeiros que eu possa ter para o meu objetivo, equipamento de comunicação com qualificação em outro idioma e etc.

Agora uma dica muito importante: escale um copiloto! Divida seu sonho, sua jornada com alguém que tenha os mesmos valores e ideais que você e que possa ajudá-lo a ir mais e mais longe.

Agora eu posso fazer a pergunta novamente: Plano de Vida! Qual é o seu destino?

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