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Com a esperança no olhar e no coração – Por: Djalma Moraes – professor, ator e consultor

O mundo está sofrendo uma reviravolta que está atingindo todos os campos da atividade humana. É assustador ver que o que começou com a contaminação por um vírus, agora atinge áreas como a Economia, a Educação, a Política e as Ciências, jamais voltaremos ao que éramos, mas podemos adquirir um grande aprendizado e nos tornarmos melhores do que fomos.

Há algum tempo, li uma frase atribuída ao grande teatrólogo, poeta e ensaísta alemão, Bertold Brecht, que dizia o seguinte:

“O homem que não lê, mal ouve, mal pensa, mal vê!”

Ao analisarmos tal frase, observamos que grande parte do atraso em que nos encontramos se deve ao abandono da leitura e à dependência excessiva de imagens digitalizadas, não quero com isso demonizar a tecnologia, mas levantar uma provocação. Vejamos, em meio ao isolamento em que estamos e à crescente onda de desemprego, seria natural a busca por conhecimento e o aumento da venda de livros de todas as espécies, mas o que vemos é o fechamento de livrarias e o aumento de vendas de vídeo games e smartfones, que, se utilizados para desenvolver o conhecimento, seriam grandiosas ferramentas.

Por outro lado, enquanto é mantida a proibição às aulas presenciais, na contra mão temos bares lotados, praias abarrotadas de pessoas. E o que isso tem a ver com a frase de Brecht?

Muito, muito mesmo! Percebe-se que à medida que se diminui o tempo e a qualidade da leitura, vamos perdendo o senso crítico e a capacidade de tomar decisões. E o que estamos vendo é um excesso de notícias televisas falando sobre contaminação e número de mortes, algumas conflitando com outras notícias, fontes duvidosas de informação alardeando fatos não comprovados pela Ciência. Este tipo de super exposição ao negativismo midiático, sem a devida busca ou discussão com quem realmente detém o saber, nos leva a conclusões erráticas e precipitadas.

Em um ambiente tão confuso, vemos que só há um caminho a seguir, que é repensar o modelo de difusão do conhecimento atual, que já se provou estar esgotado e fragilizado. Precisamos pensar um novo modelo de educação focada em resultados palpáveis em termos de aplicação de conhecimentos na prática. Nossas escolas precisam mudar a metodologia e a tecnologia aplicada em sala de aula, para que alunos se sintam desafiados e estimulados a ultrapassar a barreira de ignorância que se formou pela adoção de uma educação acumulativa que não dava espaço à discussão.

Pessoas com má formação básica necessitam desenvolver mecanismo adaptativos para poderem trabalhar, a maioria acaba vivendo de subempregos ou de atividades repetitivas, que como sabemos, estão fadadas a acabar ou serem executadas por robôs, haja vista a chegada de IA – Inteligência Artificial aos call centers e aos chats das empresas (chatbots).

Para o pequeno empreendedor também é ruim não ter pessoas com capacidade de síntese e de tomada de decisão em seu negócio, o que se traduz em perdas de materiais e clientes por manuseio deficiente de equipamentos ou mal atendimento, gerando produtos defeituosos e clientes insatisfeitos.

Empresários, educadores, empreendedores e políticos terão que fazer uma grande reflexão sobre o que podemos esperar para os próximos anos do terceiro milênio. Não basta só vacinarmos pessoas contra doenças, é preciso vacinar contra a ignorância e o analfabetismo, grandes causadores de problemas em nossa nação.

Voltando à Brecht, a falta de leitura pode levar a escolhas inadequadas em termos de eleições, pode facilitar a ocorrência de acidentes no trabalho, pode acarretar prejuízos enormes às empresas pelo desperdício de horas em atividades que podiam ser feitas em pouco tempo. Ler aprofunda o conhecimento, amplia a capacidade de discernimento e facilita o desenvolvimento do sentimento de pertencer. Cabe aqui uma ressalva, não estou elitizando ou segregando pessoas entre os que leem e o que não leem, pois levo em consideração também o caráter e a vontade da pessoa em evoluir, para mim, pouco adianta títulos e uma sala cheia de diplomas, se a pessoa não consegue ter uma relação humanizada com as demais pessoas.

Defendo aqui uma mudança de paradigma para que possa abraçar o futuro e não o largarmos mais, analisarmos a pandemia como um grande e doloroso momento sabático, de onde poderemos tirar lições importantes para enfrentarmos os desafios que possam surgir, entre eles, lutarmos por um plano de reerguimento da nossa economia através do investimento em infraestrutura de saneamento para evitar tantas doenças e mortes desnecessárias, uma melhor configuração da logística de transporte de cargas e pessoas através de investimentos na malha ferroviária e na navegação de cabotagem, dinamizarmos o acesso aos cursos técnicos e tecnológicos para que tenhamos um ambiente de criatividade com grande surgimento de inovações tecnológica, ampliação de serviços médicos para comunidades distantes, entre outras coisas.

Defendo aqui uma grande movimentação pela mudança para um patamar mais elevado, onde o brasileiro, como cidadão e ser social, seja dono do seu destino e de suas escolhas, para que saiamos do passado colonial e adentremos um novo horizonte mais moderno e inclusivo. Que nós, empreendedores e gladiadores que lutamos em uma arena tão desigual, tenhamos condições para vencermos mais batalhas do que atualmente. Que nossos filhos e netos sintam orgulho do que fizemos, pois tornou nossa nação alvo de respeito mundial.

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