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Carta aberta aos empresários e Ceos das grandes empresas brasileiras – Por: Geraldo Leal de Moraes, Economista e Conselheiro de Empresas, MCA Consult

Estamos vivendo momentos de transformação no mundo.

Em seus isolamentos, provavelmente com conforto, vocês estão cuidando de sua saúde e seus familiares, acompanhando o processo de evolução do contágio Covid19.
Vejam o que acontece na Nova Zelândia, Equador, Coreia do Sul, Itália e demais países façam suas comparações e tirem suas conclusões. A forma de encarar a pandemia desnuda forças e fraquezas.

A responsabilidade social, a visão comunitária e a estratégia de perenidade das empresas, além das ações urgentes que visam a sobrevivência das mesmas e de seus colaboradores, farão diferença para construção de um novo país ou desmonte de uma nação que está doente.

Neste momento aconselho a não se envolverem nesta guerra pelo poder político, onde as acusações recíprocas de golpes e traições afloram, criando a um ambiente de desassossego, desconfiança e desanimo.

A pandemia veio para nos unir e não para que oportunistas dela se aproveitem.

É suicídio ficar distante da realidade do desastre humano, social e do mercado e se omitir não atuando ou evitando correr riscos, ao esperar as coisas passarem e voltarem ao normal.

O que é normal?

A força de um país está em ter uma economia estável e um bom equilíbrio na distribuição de renda.

Os empresários devem ter uma postura de independência ao governo de ocasião e ter seus planos de desenvolvimento e programas para apresentar e influenciar no desenvolvimento de Estado e do País.

Deve haver o espírito participativo de associações e cooperativas e não sinecuras sindicais. Viver dependente e a espera do governo levou a economia brasileira a esta situação deplorável.

O instinto de defesa e uma postura privilegiada e egoísta já fez que 90% dos recursos públicos colocados à disposição pelo governo fossem com rapidez absorvidos pelas grandes empresas.

A pandemia do vírus Covid19 está criando uma oportunidade única para que as forças produtivas construam uma forte e real Economia de Mercado e um país próspero.

É uma inverdade dizer que se o governo deixar as grandes quebrarem e não as salvarem é levar o Brasil a quebrar.

O que realmente liquidará o Brasil é se as médias, pequenas e micro empresas, além dos autônomos, quebrarem e jogarem no desemprego milhões de brasileiros.

Ao se destruir a economia de mercado e deixar o país ainda mais pobre, abre-se a oportunidade para a economia Estatal, ou seja, o socialismo ou comunismo.

Em alguns setores como aviação, turismo, hotelaria, restaurantes, livrarias, editoras, academias, shoppings e outros, o baque será enorme. Muitas pessoas que vivem de aluguel terão seus rendimentos perdidos ou fortemente diminuídos.

Os Estados e Municípios sem receitas terão de fazer seu sacrífico e redução de gastos e acima de tudo não deveriam depender do Governo Federal.
Todos teremos que perder e mudar a forma de enxergar, atuar, viver e trabalhar.

Aqui gostaria de fazer uma reflexão com vocês. Transfiram para a parte mais pobre da sociedade brasileira, seus lucros (principalmente os grandes bancos) através de Instituições e Fundações, em investimento e ações nas áreas de saúde, saneamento básico, educação, segurança, favelas e pequenas cidades.

Isto é justiça, não caridade.

O Brasil é o 7º país mais desigual do mundo, só perde para África do Sul, Namíbia, Zâmbia, República Centro Africana, Lesoto e Moçambique.
É uma fratura exposta, vejam os dados do IBGE.

– 10% dos mais ricos da população ficam com 43,1 % da renda de R$ 213,4 bilhões;
– 10% dos mais pobres ficam com 0,8% da renda;
– 1% dos mais ricos ficam com 28,3% da renda.

É triste nossa colocação no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) – 79º lugar.

É triste ver empresas financeiramente frágeis, com donos, proprietários ou acionistas ricos e esbanjadores. A dissolução de sociedades na segunda ou terceira geração de sucessores, ou seja, falta de planejamento familiar e ambição desmesurada de poderes ou riqueza dos filhos. Conselhos administrativos que recebem muito, mais pelo lobby, sem atuar nos objetivos de apoio, fiscalização, apenas referendando as decisões de gestão que favorecem os acionistas.

Reduzam suas margens de lucro para um índice mínimo que permita apenas a sustentabilidade e perenidade das empresas e um o fortalecimento da economia brasileira com melhor distribuição de renda.

Invistam na empresa e em seus funcionários e se adaptem a nova economia, eliminando desperdícios, cortando gastos, melhorando produtividade, melhorando governança, ética e inovação de produtos e serviços.

Estejam atentos a formação de seus quadros e ações de sucessão familiar que mantenha a visão do negócio, o foco no mercado e a cultura e os valores dos fundadores, que com certeza passaram por momentos difíceis, riscos e dificuldades que impossíveis de serem transpostas, as foram. É hora de perdas, renúncia, humildade e assertividade.

Estamos todos em uma encruzilhada e temos que escolher entre ir para a 4ª Revolução Industrial de conhecimento multidisciplinar, inovação aberta e ecossistema ou continuar com a queda de produtividade, desmonte de nossas empresas, despreparo dos colaboradores e destruição de nação.

O melhor dos mundos para as grandes empresas será ter uma sociedade justa, rica, educada e saudável, num mercado forte onde as médias, pequenas e micro empresas estejam produzindo, evoluindo e crescendo. Este é um trabalho para o governo?

– Não!!! É uma obrigação da elite empresarial.

Falando agora, não para empresários ou CEOs, mas sim para os possuidores de grandes fortunas. Se houver um pouco de sabedoria, inteligência, senso de sobrevivência e gratidão, sem falar em espírito de justiça, respeito ao ser humano e solidariedade, uma doação de 20% de suas rendas aos mais necessitados em forma de apoio efetivo, através de Sociedades e Instituições Filantrópicas, formaria a base para construção de uma grande nação.

Havendo o desmonte do Brasil, o que é possível em nada se fazendo, as perdas serão muito maiores para os senhores.

Eliminar a miséria e a pobreza é construir um mercado maduro, uma sociedade justa e evoluída, uma nação feliz.

Que novas lideranças comunitárias e participativas surjam e deem base ao novo Brasil.

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